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O Efeito do Amor

O Efeito Do Amorreconciliar

Valérium

O amigo de conhecido espírita, ao vê-lo ardentemente interessado em obras de caridade, admoestou-o, dizendo que ele, não espírita, desistira da beneficência, desde muito.

E alegava que todos os gestos de bondade que praticara somente haviam encontrado a secura como resposta. Sempre ingratos por toda parte.

O espírita, no entanto, chamou-o à rua e deu-lhe um osso para que alimentasse um cão, de passagem.

O amigo, embora contrafeito, atirou a curiosa vianda para o animal, com marcante desprezo.

O cachorro aproximou-se da oferta, abocanhou-a, de leve, e saiu, triste e desconfiado, rabo entre as pernas.

O espírita tomou de osso igual para socorrer outro cão esfaimado na via pública.

Entretanto, mudou de jeito. Continuar lendo

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Festa de Natal

Festa de Nataljesus

(Sociedade Espírita de Tours, 24 de dezembro de 1862 – Médium: Sr. N.)

 

É nesta noite que, no mundo cristão, se festeja o nascimento do Menino Jesus. Mas vós, meus irmãos, deveis também alegrar-vos e festejar o nascimento da nova Doutrina Espírita. Vê-la-eis crescer como essa criança. Ela virá, como ele, esclarecer os homens e lhes mostrar o caminho que devem percorrer. Em breve vereis os reis, como os magos, virem pessoalmente a esta doutrina pedir o socorro que não encontram nas ideias antigas. Eles não vos trarão incenso e mirra, mas prosternar-se-ão de coração ante as ideias novas do Espiritismo. Já não vedes brilhar a estrela que deve guiá-los? Coragem, pois, meus irmãos! Coragem! Em breve, com o mundo inteiro, podereis celebrar a grande festa da regeneração da Humanidade. Continuar lendo

História de um Danado

História de um Danadorevue-spirit-allan-kardec

O Sr. de la Roche, membro titular, comunica o fato seguinte, de seu conhecimento pessoal: Numa pequena casa perto de Castelnaudary, havia ruídos estranhos e diversas manifestações que levavam a considerá-la como assombrada por algum mau gênio. Por isso, foi exorcizada em 1848 e nela colocaram grande número de imagens de santos. Desde então, querendo habitá-la, o Sr. D… mandou fazer reparos e retirar as gravuras. Há alguns anos, ali morreu subitamente. Seu filho, que nela mora atualmente ou que pelo menos a ocupava até há pouco, certo dia, ao entrar num quarto, recebeu forte bofetada de mão invisível. Como estivesse absolutamente só, não duvidou que ela viesse de fonte oculta. Agora não quer mais ficar lá e vai mudar-se definitivamente. Há na região uma tradição segundo a qual um grande crime foi cometido na dita casa.

 

Interrogado quanto à possibilidade de evocar o autor da bofetada, São Luís respondeu favoravelmente. Chamado, o Espírito se manifestou por sinais de violência. O médium foi tomado de extrema agitação, quebrou sete ou oito lápis, lançando alguns sobre os assistentes e rasgou uma página, que cobriu de traços sem sentido, feitos com cólera. Foram inúteis todos os esforços para acalmá-lo. Premido a responder às perguntas, escreveu com a maior dificuldade um não quase indecifrável.

 

  1. (A São Luís) ─ Teríeis a bondade de nos dar algumas informações sobre este Espírito, já que ele não pode ou não quer dá-las? ─ É um Espírito da pior espécie, um verdadeiro monstro. Fizemo-lo vir, mas não foi possível obrigá-lo a escrever, malgrado tudo quanto lhe foi dito. Ele tem seu livre-arbítrio, do qual o infeliz faz triste uso.
  2. ─ Há muito que morreu como homem? ─ Procurai informações. Foi ele que cometeu o crime cuja lenda existe na região.
  3. ─ Quem era ele em vida? ─ Sabê-lo-eis por vós mesmos.
  4. ─ É ele que assombra a casa atualmente? ─ Sem dúvida, desde que foi assim que vo-lo fiz atender.
  5. ─ Então os exorcismos não o expulsaram? ─ De modo algum.
  6. ─ Ele participou de algum modo da morte súbita do Sr. D…? ─ Sim.
  7. ─ De que maneira contribuiu para essa morte? ─ Pelo pavor.
  8. ─ Foi ele que deu a bofetada no filho do Sr. D…?─ Sim.
  9. ─ Poderia ter dado outra em algum de nós? ─ Sem dúvida. Vontade não lhe faltava.
  10. ─ Por que não o fez? ─ Não lhe foi permitido.
  11. ─ Haveria um meio de desalojá-lo daquela casa, e qual seria? ─ Se se quiserem desembaraçar da obsessão de semelhantes Espíritos, será fácil, orando por eles. É o que sempre esquecem de fazer. Preferem aterrá-los com fórmulas de exorcismos, que os divertem muito.
  12. ─ Dando aos interessados a ideia de orar por esse Espírito, e orando nós mesmos, seria possível desalojá-lo? ─ Sim. Mas notai que eu disse orar e não mandar orar. 
  13. ─ Tal Espírito é suscetível de melhora? ─ Por que não? Não o são todos, este como os outros? Contudo, é preciso dispor-se a encontrar dificuldades. Mas, por mais perverso que seja, o bem, em retribuição ao mal, acabará por tocá-lo. Que orem a princípio e o evoquem depois de um mês. Podereis apreciar a mudança que nele se operará.
  14. ─ Esse Espírito é sofredor e infeliz. Podeis descrever o gênero de sofrimento que experimenta? ─ Ele está persuadido de que terá de ficar eternamente na situação em que se encontra. Vê-se constantemente no momento em que praticou o crime. Qualquer outra lembrança lhe foi apagada e qualquer comunicação com outro Espírito foi interdita. Na Terra, só pode ficar naquela casa, e quando no espaço, nas trevas e na solidão.
  15. ─ Em que mundo vivia, antes da última encarnação? A que raça pertencia? ─ Havia tido uma existência entre as tribos mais ferozes e selvagens e, precedentemente, vinha de um planeta inferior à Terra.
  16. ─ Se reencarnasse, em que categoria de indivíduos iria encontrar-se? ─ Isto dependerá dele e de seu arrependimento.
  17. ─ Em sua próxima existência corporal poderia ser o que se chama um homem de bem? ─ Isto lhe será difícil; por mais que faça, ser-lhe-á difícil evitar uma vida tempestuosa. OBSERVAÇÃO: A Sra. X…, médium vidente que assistia à sessão, viu esse Espírito no momento em que queriam que escrevesse: sacudia o braço do médium; seu aspecto era aterrador; vestia uma camisa coberta de sangue e tinha um punhal. O Sr. e a Sra. F…, presentes à sessão como ouvintes, não sendo ainda sócios, desde a mesma noite cumpriram a recomendação feita em favor do infeliz Espírito, e oraram por ele. Obtiveram várias comunicações dele, bem como de suas vítimas. Damo-las na ordem em que foram recebidas, juntamente com as que, sobre o mesmo assunto, foram obtidas na Sociedade. Além do interesse ligado a essa dramática história, ressalta um ensinamento que a ninguém escapa.
  18. (Ao Espírito familiar). ─ Podes dizer algo a respeito do Espírito de Castelnaudary? ─ Evoque-o.
  19. ─ Ele é mau? ─ Verás.
  20. ─ O que é preciso fazer? ─ Não lhe falar, se nada tens a dizer-lhe.
  21. ─ Se lhe falarmos para lamentar seu sofrimento, isto lhe fará bem? ─ A compaixão sempre faz bem aos infelizes.
  22. Evocação do Espírito de Castelnaudary. ─ Que querem de mim?
  23. ─ Nós te chamamos a fim de te sermos úteis. ─ Oh! Vossa piedade me faz bem, porque sofro… Oh! Como sofro!… Que Deus tenha piedade de mim!… Perdão!… Perdão!…
  24. ─ Nossas preces ser-te-ão salutares? ─ Sim. Orai, orai.
  25. ─ Está bem! Oraremos por ti. ─ Obrigado! Tu, pelo menos, não me amaldiçoas

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APUROS DE UM MORTO

Apuros de Um Mortoperdas de entes queridos

Irmão X

 

Quando Apolinário Rezende acordou, além da morte, viu-se terrivelmente sacudido por estranha emoção.

 

Ouvia a esposa, Dona Francina, a chamá-lo em gritos estertorosos.

 

E qual se fosse transportado a casa por guindaste magnético, reconheceu-se, de chofre, diante dela, que se descabelava chorosa.

 

– “Ingrato! Ingrato!” – era o que a viúva dizia em pensamento, embora apenas tartamudeasse interjeições lamentosas com a boca.

 

Julgando no corpo de carne, Rezende, em vão, se fazia sentir.

 

Gritava pela companheira. Pedia explicações.

 

Esmurrava a mesa em que a senhora apoiava os cotovelos.

 

Dona Francina, entretanto, procedia como quem lhe ignorava a presença.

 

O infeliz, no primeiro instante, julgou-se dementado. Acreditava em pesadelo e queria retornar à vida comum, despertar…

 

Beliscava-se inutilmente.

 

Nisso, escutou o próprio nome no andar térreo. Continuar lendo

ORAÇÃO DO NATAL

Oração do Natal manjedoura

 

Humberto de Campos

 

Senhor Jesus.

Há quase dois milênios, estabelecias o Natal com a Tua doce humildade na manjedoura, onde te festejaram todas as harmonias da natureza.

Reis e pastores vieram de longe, trazendo-Te ao berço pobre o testemunho de sua alegria e de seu reconhecimento.

As estrelas brilharam com luz mais intensa nos fulgores do

céu e uma delas destacou-se no azul do firmamento, para clarificar o suave momento de Tua glória.

Desde então,

Senhor, o mundo inteiro, pelos séculos afora, cultivou a lembrança de tua grande noite, extraordinária de luz e de belezas diversas.

Agora, porém, as recordações do Natal são muito diversas.

Não se ouvem mais os cânticos dos pastores, nem se percebem os aromas agrestes na Natureza.

Um presepe do século XX seria certamente arranjado com

eletricidade, sobre uma base de bombas e de metralhadoras, onde aquela legenda suave do “Glória in excelsis Deo” seria substituída por um apelo

revolucionário dos extremismos políticos da atualidade.

As comemorações já não são as mesmas.

Os locutores de rádio falarão da Tua humildade, no cume dos arranha-céus, e, depois de programa

armamentista, estranharão, para os seus ouvintes, que a

Tua voz pudesse abençoas os pacíficos, prometendo-lhes um lugar de bem-aventurados, embora haja isso ocorrido há dois mil anos.

Numerosos escritores falarão, em suas crônicas elegantes, sobre as crianças abandonadas, estampando nos diários um conto triste, onde se exalte a célebre virtude cristã

da caridade; mas, daí a momentos, fecharão a porta dos seus palacetes ao primeiro pobrezinho. Contudo, Senhor, entre os superficialismos desta época de profundas transições, almas existem que Te esperam e Te

amam. Tua palavra sincera e branda, doce e enérgica, lhes magnetiza os corações, na caprichosa e

interminável esteira do tempo. Elas andam ocultas nas

planícies da indiferença e nas montanhas da iniquidade deste mundo. Conservam, porém, consigo a mesma esperança na Tua inesgotável misericórdia.

É com elas e por elas que, sob as Tuas vistas amoráveis, trabalham os que já partiram para o mundo das suaves revelações da Morte. É com a fé admirável de seus

corações que semeamos, de novo, as Tuas promessas

imortais, entre os escombros de uma civilização que está agonizando, à míngua de amor.

É por essa razão que, Continuar lendo

Prossigamos – psicografia de Chico Xavier

SOCORRO  E  SOLUÇÃO

Socorro e Soluçãocegueira-espiritual

Emmanuel

Aflições, crises, provas, tentações!…

 

Quantas vezes terás procurado sofregamente o primeiro e seguro passo para sair delas!

Entretanto, uma alavanca mental existe, capaz de soerguer-te de qualquer prostração, desde que te disponhas a manejá-la.

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Antes de tudo, porém, é forçoso te desvencilhes de qualquer pensamento de derrotismo e inconformidade.

Não importa hajas atravessado penosos desenganos, onde se te concentravam todas as esperanças…

Não importa te vejas à margem dos melhores amigos, de espírito relegado à incompreensão… Continuar lendo