Artigos

APOMETRIA NÃO É ESPIRITISMO

“Não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudo-científicos.
Não temos nada contra. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta Espírita. E da minha condição de Espírita, exercendo a mediunidade há mais de 64 anos, os resultados tem sido todos colhidos da árvore do amor e da caridade.
Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro. Para esta classe de espíritos são necessários jejum e oração.

A Casa Espírita não é uma clínica alternativa, não é lugar onde toda experiência nova vai colocada em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas e ao conhecerem-nas nunca vivenciaram para terem certeza, seria desmentir todo material revelado pelo mundo espiritual nestes 154 anos de codificação, no Brasil e no mundo, pela mediunidade incomparável de Chico Xavier, as informações que vieram por esse médium impar, pela notável Yvonne do Amaral Pereira, por Zilda Gama, por tantos médiuns nobres conhecidos e nobres desconhecidos no seu trabalho de socorro. Então se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito!

A nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. Poderia haver alguém mais cruel do que o jovem Saulo de Tarso? Ele havia assassinado Estevão a pedradas, havia assassinado outros, e foi a Damasco para assassinar Ananias. Jesus não o colocou numa cápsula espacial e disparou para o infinito. Apareceu a ele! Conquistou-o pelo amor: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”
Pode haver maior ternura nisso?
E ele tomado de espanto perguntou: “Que é isto?” “- Eu sou Jesus, aquele a quem persegues”. E ele então caiu em sí.

Emmanuel usa esta frase: E caindo em si, quer dizer aquela capa do ego cedeu lugar ao encontro com o ser profundo, caindo em si. Ele despertou, e graças a ele nós conhecemos Jesus pela sua palavra, pelas suas lutas, pelo alto preço que pagou, apedrejado várias vezes até ser considerado morto, jogado por detrás dos muros nos lugares do lixo, dos dejetos ele foi resgatado pelos amigos e continuou pregando.

Então os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles. Que sejas como conosco quando nós éramos maus e ainda somos aqui conosco. Basta que alguém nos pise no calcanhar ou nos tome aquilo que supomos que é nosso, para ver como irrompe a nossa tendência violenta e nós nos transformamos de um para outro momento.”

Mas não misture para não confundir.

Divaldo Pereira Franco

(Transcrito do programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova

a partir de palestra de Divaldo Pereira Franco em Agosto de 2001)

 

=================================================

Ressignificação de sigla de Roma para a atualidade

“Roma teve a oportunidade de realizar seus propósitos e desígnios políticos (…). Comprometendo para sempre o futuro do homem espiritual, que somente agora conhecerá um reajustamento nas amargurosas transições do século que se passa.” ¹ – Emmanuel

.

Antônio César Perri de Carvalho

A etapa de nossa civilização relacionando Roma e o início do Cristianismo é comentada por Emmanuel: ”(…) os pródromos do Direito romano e a organização da família assinalavam o período da maioridade terrestre”², e explicitando claramente que começava a era definitiva da maioridade espiritual da humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações. ³

Na realidade, esperava-se a contribuição de Roma para um avanço do ideal da união por meio da educação e da concórdia.

Após momento tão significativo, Roma entra em decadência e o autor espiritual reflexiona:
Lembramo-nos de Roma no seu áureo período de trabalho, enche-se-nos o olhar de lágrimas amargas… Que gênio maldito imiscuiu-se nessa organização sublimada em seus mais íntimos fundamentos, devorando-lhe as esperanças nobres, corrompendo-lhe os sentimentos, relaxando-lhe as energias?

E esclarece:

Os abusos de poder e de liberdade dos seus habitantes fizeram do ninho do amor e do trabalho um amontoado de ruinarias (…)4

Roma, sobretudo depois da criação da república romana, era simbolizada pela sigla “S.P.Q. R”. Trata-se de um acrônimo para a frase latina Senatus Populusque Romanus (“O Senado e o Povo Romano”),que era inscrita nos estandartes das legiões romanas e depois se tornou o nome oficial do Império. Permanece presente no brasão da cidade de Roma.

Como proposta original, e nos momentos prévios à Era Cristã, a frase, “O Senado e o Povo Romano”, representava no contexto da época o ideal de democracia e de república que alimentava o desejo de centralizar as decisões na esfera do senado romano. Era uma síntese das grandes virtudes alcançadas por Roma. Com o gradual enfraquecimento do Senado e a concentração de poderes na pessoa dos imperadores, a sigla perdeu a identidade com a proposta original e passou a representar única e tão somente o poderio e as conquistas militares do império romano. Por outro lado, pode-se imaginar o medo, opressão e desrespeito que a sigla impôs a muitos povos…

Acerca da questão, Emmanuel tece oportunas e profundas considerações sobre a visão espiritual a respeito do império romano na série de romances históricos cujos enredos se desenvolvem ao tempo dos três primeiros séculos do Cristianismo. 5,6 . Deixa claro que o objetivo dos romances citados é o estímulo aos estudos e reflexões, inclusive, para as cabíveis analogias com os primeiros tempos, que ainda vivemos, da apenas sesquicentenária Doutrina Espírita. 7
Na época de transição que atravessamos – albores da Nova Era-, herdeiros do poderoso recurso de análise e de esclarecimento oferecido pela Doutrina Espírita, contamos com condições excepcionais para a compreensão do Evangelho, de dois mil anos atrás, e com os compromissos relacionados ao

(…) Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. 8

A presente transição, em que a mensagem espírita tem grande significado, é assim comentada por Emmanuel:

Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o ressurgimento das energias criadas de um mundo novo (…) 9

Vêm-nos à tona os esclarecimentos sobre os planejamentos de ordem superior e, de repente, surge-nos a ideia de que, como Espíritos encarnados,muitos que viveram,usufruindo ou sendo vítimas do império romano, podem estar ainda mantendo algumas tendências ou conseqüências, nem sempre muito felizes, de tempos distantes. Este panorama fica evidenciado pelo fascínio suscitado pela literatura, peças teatrais e filmes sobre o tema.

A Espiritualidade espera que a Doutrina Espírita seja arauto de clarinadas que expressem esperança, consolo, paz e luz para o mundo conturbado em que vivemos. Assim, até a antiga sigla romana poderia ser ressignificada para o novo contexto, expressando um autêntico lema para os compromissos da atual etapa reencarnatória com vistas ao atendimento de responsabilidades que não foram valorizadas na fase de disseminação da mensagem cristã.

Com base nas propostas da Doutrina Espírita e no contexto de transição para uma Nova Era, das reações individuais aos planos de trabalho para o Movimento Espírita, é momento de facilitar a expansão de hostes vinculadas aos nobres idéias do “Consolador Prometido” 8

A propósito, podemos reanalisar a antiga sigla romana e até manter a idéia de sua proposta original – fundamentada nas virtudes do respeito ao povo -, mas, agora, canalizada para a união fraterna dos povos, e resumir com verbos que expressam propostas de ação para um novo significado da velha sigla: Sentir, Pensar, Querer, Renovar!

“ Para deixar claro: o “sentir”, com base na assertiva do Espírito William James: “sentir em bases de equilíbrio” 10, o “pensar”, considerando a recomendação deste mesmo autor espiritual:” pensar com elevação”; 10”querer” como uma autêntica potência da alma, conforme Léon Denis assinala:” É pela vontade que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado. (…)

“A vontade é a maior de todas as potências; é, em sua ação, comparável ao imã “¹¹, direcionado à vontade firme e determinada para o bem;” renovar”, considerando que o grande objetivo das existências atuais é buscar a renovação mental e espiritual, coerente com a mensagem do Evangelho de Jesus. Emmanuel alerta claramente:

(…) observa o teu próprio caminho. Sentindo, pensas. Pensando, realizas. E tudo aquilo que constitui tuas obras, através das intenções, das palavras e dos atos, representará influência em tua alma, auxiliando-te a libertação para a glória da luz ou agravando-te o cativeiro para o sofrimento nas sombras. Vigia, pois, o teu mundo íntimo e faze o bem que puderes, ainda hoje, porquanto, segundo a sábia conceituação do Apóstolo Paulo, ”Ninguém vive para si”. ¹²

O novo compromisso com o mundo foi delineado pelo mesmo autor espiritual:

(…) compete a nós outros, partidários do Mestre, a posição de trabalhadores sinceros, chamados a servir e cooperar na obra paciente e longa, mas definitiva e eterna, daquele a quem o Pai “constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.”¹³(Grifo nosso)

_________________

Referências:

¹XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 37. Ed. 1. reimp.
Rio de janeiro: FEB, 2009. Cap. 15, item Culpas e resgates dolorosos do homem espiritual, p. 157.

²_______._______. Cap. 11, item As guerras e a maioridade terrestre, p.123

³_______._______. Cap. 12, A manjedoura, p. 127.

4____________________. __________. Cap. 11, item A família romana, p. 123.

5 CARVALHO, Flávio Rey. Os romances de Emmanuel e o nosso tempo. In Reformador, ano 128, n. 2, 177, p.18(312)-20(314),ago.2010

6CARVALHO,Antonio Cesar Perri. Homenagem de Emmanuel à Codificação. In Reformador, ano 125, n. 2.137, p. 39(157)-40(158), abr.2007.

7_________. Emmanuel e o Império Romano. In Revista Internacional de Espiritismo. P.257-259, jun. 2007.

8 João, In: Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 4. Ed. Esp. 2. reimp. Rio de janeiro: FEV, 2009. Cap. 6, item 3.

9 XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 37. Ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Introdução, p.13

10 XAVIER, Francisco C. VIEIRA, Waldo. Entre irmãos de outras terras. Por Diversos Espíritos. 8. Ed. 2. reimp. Rio de janeiro: FEB, 2009. Cap. 5, p.30

¹¹DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB 2009. Cap. 20, p.435.

¹² XAVIER, Francisco C. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. Ed. Esp. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 154, p.350.

¹³______._______. Cap 148, p.337

Uma resposta para “Artigos

  1. Vera Lucia Porangaba Sarmento

    Bastante esclarecedor!
    É uma leitura que nos fortalece e nos relembra a nossa responsabilidade enquanto espíritas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s