APARIÇÕES DE JESUS – ÚLTIMA PARTE

APARIÇÕES DE JESUS (última parte)

60.

Depois disso, ele os conduziu para fora (da vila), em direção a Betânia e tendo levantado as mãos, os abençoou, e,

após abençoá-los, separou-se deles, e foi levado ao céu.

Quanto a eles, depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém cheios de alegria. E estavam constantemente no Templo,

louvando e bendizendo a Deus. Amém.

(Lucas, XXIV: 50 a 53.)

61.

As aparições de Jesus após a sua morte são narradas por todos os evangelistas com detalhes circunstanciados que não

permitem que se duvide da realidade do fato. Essas aparições, aliás, são perfeitamente explicadas pelas leis fluídicas e pelas

propriedades do períspirito, e não apresentam nada de anormal com os fenômenos do mesmo gênero, dos quais a história antiga

e contemporânea oferece numerosos exemplos, sem deles excetuar a tangibilidade. Se observarmos as circunstâncias em que

ocorreram as diversas aparições de Jesus, reconheceremos nele, nesses momentos, todas as características de um ser fluídico. Ele

aparece e desaparece inopinadamente; é visto por uns e por outros não, sob aparências que não o fazem ser reconhecido, mesmo

por seus discípulos; ele se apresenta em recintos fechados, onde um corpo carnal não poderia penetrar; a sua própria linguagem

não tem a vivacidade característica de um ser corpóreo; fala em tom breve e sentencioso, peculiar aos espíritos que se manifestam

dessa maneira; numa palavra, todas as suas atitudes têm alguma coisa que não é do mundo terreno. A sua presença causa

simultaneamente surpresa e medo; ao vê-lo, seus discípulos não lhe falam com a mesma liberdade; eles sentem que esse não é

mais o homem.

Jesus, portanto, se mostrou com o seu corpo perispiritual, o que explica que só tenha sido visto por aqueles a quem ele quis

se fazer ver. Se estivesse com o seu corpo carnal, seria visto pelo primeiro que chegasse, como quando estava vivo. Ignorando a

causa primária do fenômeno das aparições, seus discípulos não se davam conta dessas particularidades que, provavelmente, não

notavam. Eles viam Jesus e o tocavam, para eles aquele devia ser o seu corpo ressuscitado. (

Cap. XIV, itens 14 e 35 a 38.)

62.

Enquanto a incredulidade rejeita todos os fatos praticados por Jesus, tendo uma aparência sobrenatural, e os considera,

sem exceção, como lendários, o Espiritismo dá uma explicação natural à maior parte desses fatos, e prova a sua possibilidade,

não somente pela teoria das leis fluídicas, como pela sua identidade com fatos semelhantes produzidos por muitas pessoas nas

condições mais comuns. Por esses fatos serem, de certo modo, de domínio público, eles não provam nada, em princípio, com relação

à natureza excepcional de Jesus.

63.

O maior milagre que Jesus realizou, aquele que atesta verdadeiramente a sua superioridade, foi a revolução que os seus

ensinamentos operaram no mundo, apesar da exiguidade dos seus meios de ação.

Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na condição mais humilde, no meio de um pequeno povo quase ignorado e

sem preponderância política, artística ou literária, não pregou mais que três anos; durante esse curto espaço de tempo é desconhecido

e perseguido pelos seus concidadãos; caluniado e tratado de impostor; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído

por um dos seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos na hora em que cai nas mãos dos seus inimigos. Só fazia o

bem, e isso não o colocava a salvo da malevolência, que voltava contra ele os próprios serviços que prestava. Condenado ao suplício

reservado aos criminosos, morre ignorado pelo mundo, uma vez que a história daquela época se cala a seu respeito. Nada

escreveu, entretanto, ajudado por alguns homens obscuros como ele, sua palavra foi suficiente para regenerar o mundo; sua doutrina

matou o paganismo onipotente e se tornou o farol da civilização. Tinha, pois, contra ele tudo o que pode fazer os homens fracassarem,

razão pela qual dizemos que o triunfo da sua doutrina foi o maior dos seus milagres, ao mesmo tempo em que ela prova sua

missão divina. Se, ao invés de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, Jesus só tivesse

para oferecer à posteridade alguns fatos maravilhosos, talvez apenas o conhecêssemos de nome nos dias de hoje.

Fonte: A Gênese – Capítulo XV – item 60-63 – Allan Kardec

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