APARIÇÃO DE JESUS APÓS A SUA MORTE

Aparição de Jesus após a sua morte

56.

Mas, Maria (Madalena) se conservou fora, perto do sepulcro, derramando lágrimas. E, enquanto chorava, inclinou-se

para olhar dentro do sepulcro, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde estivera o corpo de Jesus, um à

cabeceira e o outro aos pés. Eles lhe disseram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “É que levaram o meu Senhor e eu não

sei onde o puseram.”

Tendo dito isto, ela se voltou, e viu Jesus de pé, sem saber, entretanto, que fosse ele. Então Jesus lhe disse: “Mulher, por que

choras? A quem procuras?” Ela, pensando que fosse o jardineiro, falou: “Senhor, se tu o levaste, diz onde o puseste e eu irei buscá-lo.”

Jesus, então, lhe disse: “Maria.” Ela voltou-se imediatamente e exclamou: “Rabboni!”, isto é, Meu Senhor.

Jesus lhe respondeu: “Não me toques, porquanto ainda não subi para o meu Pai, mas vai encontrar meus irmãos e dize-lhes de minha

parte que eu subo para o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”

Maria Madalena foi então contar aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera aquelas coisas. (João, XX: 11 a 18.)

61.

As aparições de Jesus após a sua morte são narradas por todos os evangelistas com detalhes circunstanciados que não

permitem que se duvide da realidade do fato. Essas aparições, aliás, são perfeitamente explicadas pelas leis fluídicas e pelas

propriedades do períspirito, e não apresentam nada de anormal com os fenômenos do mesmo gênero, dos quais a história antiga

e contemporânea oferece numerosos exemplos, sem deles excetuar a tangibilidade. Se observarmos as circunstâncias em que

ocorreram as diversas aparições de Jesus, reconheceremos nele, nesses momentos, todas as características de um ser fluídico. Ele

aparece e desaparece inopinadamente; é visto por uns e por outros não, sob aparências que não o fazem ser reconhecido, mesmo

por seus discípulos; ele se apresenta em recintos fechados, onde um corpo carnal não poderia penetrar; a sua própria linguagem

não tem a vivacidade característica de um ser corpóreo; fala em tom breve e sentencioso, peculiar aos espíritos que se manifestam

dessa maneira; numa palavra, todas as suas atitudes têm alguma coisa que não é do mundo terreno. A sua presença causa

simultaneamente surpresa e medo; ao vê-lo, seus discípulos não lhe falam com a mesma liberdade; eles sentem que esse não é

mais o homem. Jesus, portanto, se mostrou com o seu corpo perispiritual, o que explica que só tenha sido visto por aqueles a quem ele

quis se fazer ver. Se estivesse com o seu corpo carnal, seria visto pelo primeiro que chegasse, como quando estava vivo. Ignorando a

causa primária do fenômeno das aparições, seus discípulos não se davam conta dessas particularidades que, provavelmente, não

notavam.

Eles viam Jesus e o tocavam, para eles aquele devia ser o seu corpo ressuscitado. (Cap. XIV, itens 14 e 35 a 38.)

63.

O maior milagre que Jesus realizou, aquele que atesta verdadeiramente a sua superioridade, foi a revolução que os seus

ensinamentos operaram no mundo, apesar da exiguidade dos seus meios de ação.

Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na condição mais humilde, no meio de um pequeno povo quase ignorado e

sem preponderância política, artística ou literária, não pregou mais que três anos; durante esse curto espaço de tempo é desconhecido

e perseguido pelos seus concidadãos; caluniado e tratado de impostor; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído

por um dos seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos na hora em que cai nas mãos dos seus inimigos. Só fazia o

bem, e isso não o colocava a salvo da malevolência, que voltava contra ele os próprios serviços que prestava. Condenado ao suplício

reservado aos criminosos, morre ignorado pelo mundo, uma vez que a história daquela época se cala a seu respeito. Nada

escreveu, entretanto, ajudado por alguns homens obscuros como ele, sua palavra foi suficiente para regenerar o mundo; sua doutrina

matou o paganismo onipotente e se tornou o farol da civilização.

Tinha, pois, contra ele tudo o que pode fazer os homens fracassarem, razão pela qual dizemos que o triunfo da sua doutrina foi o

maior dos seus milagres, ao mesmo tempo em que ela prova sua missão divina. Se, ao invés de princípios sociais e regeneradores,

fundados sobre o futuro espiritual do homem, Jesus só tivesse para oferecer à posteridade alguns fatos maravilhosos, talvez apenas

o conhecêssemos de nome nos dias de hoje.

A Gênese – Capítulo XV – itens 56 – 61 e 63 – Allan Kardec

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