PERDÃO

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Martins Peralva

 

“Perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”.

 

A transcendentalidade do perdão pode ser aquilatada por um fato aparentemente simples: a sua inclusão, por Jesus, num dos mais importantes documentos do Evangelho, tal seja o “Pai-Nosso”.

Bastaria isso, supomos, para que não pusessem dúvidas quanto ao seu valor; sobretudo, quanto à necessidade da sua prática, do seu cultivo sincero.

Inúmeras vezes fez o Mestre referência ao perdão, destacando-o por valioso e indispensável imperativo à evolução humana.

Interpelado por Pedro se devia perdoar “sete vezes”, respondeu-lhe que devia perdoar “setenta vezes sete”, o que equivale a dizer: perdoar indefinidamente, tantas vezes quantas forem necessárias.

Evidentemente, não tinha Jesus a intenção de fixar, em quatrocentos e noventa vezes, que é o produto da multiplicação “setenta vezes sete”, o número de vezes para o seu exercício.

Seria absurdo crer na imperdoabilidade da ofensa número 491…

O que o Mestre quis dizer foi isso: perdoar todas as vezes que formos ofendidos.

Dez ou vinte, cem ou quinhentas, mil ou dez mil, bilhões ou bilhões de bilhões…

Perdoar indefinidamente.

Qualquer pessoa, de mediana compreensão, entenderá isso.

Quando o mesmo Pedro, esquecido do conselho do Cristo, cortou a orelha do servo do sumo sacerdote, no Getsemani, renovou Ele o ensino do perdão, ordenando:

“Embainha a tua espada, porque quem mata pela espada, pela espada perecerá.”

Nessa ocasião, como se vê, não se limitou a ensinar o perdão: explicou-lhe, também, as consequências, segundo a Lei de Causa e Efeito, segundo a Reencarnação.

Quando ensinava o “Pai-Nosso” aos discípulos, acentuava: “Se, porém, não perdoardes aos homens, tão pouco vosso Pai vos perdoará as ofensas.”

Do “Pai-Nosso” se explicou Jesus o parágrafo referente ao perdão, o que é bem significativo, eis o que lhe mostra a importância.

De outras, em sua caminhada de luz, em seu ministério de bondade, sem referência vocabular, exercitou-o de modo amplo, completo, integral, culminando com o “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”, na intercessão por seus algozes, na Cruz.

Incluindo-o, entretanto, no “Pai-Nosso”, quis Jesus fazer um legado permanente, definitivo, à Humanidade.

Sendo a “oração-modelo” — que encerra louvor, rogativa e reconhecimento

— todas as correntes do Cristianismo haveriam de adotá-la.

O que significa dizer: diariamente, aqui e alhures, seria ela recitada por quase toda a Humanidade terrestre.

* * *

O conceito de perdão, segundo o Espiritismo, é idêntico ao do Evangelho, que lhe é fundamento: concessão, indefinida, de oportunidades para que o ofensor se arrependa, o pecador se recomponha, o criminoso se libere do mal e se erga, redimido, para a ascensão luminosa.

Quem perdoa, segundo a concepção espírita-cristã, esquece a ofensa. Não conserva ressentimentos.

Ajuda o ofensor, muita vez sem que este o saiba.

Não convém ao aprendiz sincero, sob pena de ultraje à própria consciência, adotar um perdão formal, aparente, socialmente hipócrita.

Perdão formal é o que não tem feição evangélica. Guarda rancor.

Alegra-se com os insucessos do adversário. Nega-lhe amparo moral e material.

Relativamente às vantagens que decorrem do perdão evangélico — e não do formal, podemos destacar a sua influência, salutar e benéfica, em toda a trajetória evolucional do ser humano.

No curso de toda a eternidade. No plano físico e no extrafísico.

Na vida presente, na espiritual, nas futuras.

Com relação à vida presente, quem perdoa obtém a graça da consciência tranquila.

Torna-se inacessível ao mal.

Dá impulso evolutivo à própria Alma.

Avança, afinal, na senda do aperfeiçoamento.

No tocante à vida do Espaço, depois da morte física, o perdão assegura a descontinuidade do mal.

Evita, assim, obsessões terríveis nas regiões inferiores.

Simbioses psíquicas, dramas pavorosos no Espaço inferior, onde almas torturadas se digladiam durante anos ou séculos.

Quanto às vidas futuras, o ato sincero do perdão, hoje, tem a faculdade de possibilitar, amanhã, reencarnações felizes, liberadas de compromissos escuros.

Amar o ofensor, reconhecemos, nem sempre é fácil; mas, perdoar-lhe a ofensa, compreendendo-lhe a ignorância e a desventura — e não a maldade, é menos difícil.

A referência ao perdão no “Pai-Nosso”, oração de todos os dias — “oração de cabeceira” — como que revela o objetivo, generoso e  compassivo,  de Nosso Senhor, no sentido de, cotidianamente, forçar-nos a proferir a sublime palavra: PERDÃO.

E, como os nossos Instrutores Espirituais nos avisam que “a disciplina antecede à espontaneidade”, o contacto verbal com o perdão — “Perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” — dar-nos-á, por certo, recursos para que o pratiquemos com benevolência e amor.

Livro: Estudando o Evangelho – Por Martins Peralva – Capítulo 20

 

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