Caminhos Estreitos e Áspero

Caminhos Estreitos e ÁsperoCaminho

As paisagens ermas a perder de vista, tomando vulto no deserto da Judeia, bem representavam a aridez e dureza da alma israelita, ou vice-versa.

Foram muitos os anos em que as multidões ficaram abandonadas, esquecidas do arbitrário poder público ignóbil, que fomentava a miséria moral, sempre responsável pela de natureza econômica e social.

Naqueles dias, as perseguições promovidas por Pilatos e os seus subordinados culminaram com verdadeiros sacrifícios humanos, em que o sangue dos galileus misturava-se com os dos animais que eles ofereciam no Templo de Jerusalém.

Quando Jesus iniciou o Seu ministério, produziu um impacto jamais ocorrido em qualquer época, convidando todos à alteração de conduta para a misericórdia, a bondade e o amor, enquanto desfraldava a bandeira da esperança, que fora consumida pela crueldade.

Abandonado, sistematicamente, o povo era instrumento das manobras políticas e da astúcia dos inescrupulosos sacerdotes e de outros esbirros do poder temporal, relegado ao desprezo e à indiferença.

O Seu verbo quente e gentil traçava normativas de vida e de renovação, proporcionando dignidade e recuperação dos valores morais perdidos.

Não eram as aquisições externas que importavam, mas as incomparáveis aquisições do Espírito, que o acompanhariam indefinidamente, o que proporcionava um sentido existencial de alta significação.

Como, porém reverter o comportamento de submissão desse povo, considerando-se estar secularmente esmagado pelo poder temporal? Como despertar as consciências que foram bloqueadas nas suas mais elevadas reflexões sob o espezinhar dos dominadores? Como libertar da situação deplorável as vidas que se submetiam às injunções perversas e haviam perdido a capacidade de escolha, de discernimento, de decisão?

Submetido ao mais baixo nível social, não podia, esse povo amargurado, conceber que existem valores preciosos que transcendem às aparências soberbas.

Jesus compreendia a situação desastrosa da cultura de subserviência, de exploração, de iniquidade.

Por isso, tomado de profunda compaixão, assumiu as suas dores, e transformou-as em cânticos de incomparável beleza.

Usando o valioso recurso das parábolas, ensinava-o a ver na escuridão, a escutar na balbúrdia, a viver no opróbrio, porém, dele saindo de imediato.

O Seu fascínio tornou-se inevitável, e a Sua energia mudou para sempre a lamentável situação da ralé, acenando-Ihe com as possibilidades de elevação moral e espiritual.

A questão tornara-se grave, porque a esse povo sofrido nenhuma bênção ou concessão de misericórdia era reservada, mesmo depois da morte do corpo…

A religião fora transformada em recurso de exploração da ignorância, de usurpação dos últimos recursos daqueles que ainda sobreviviam e eram atirados à exclusão.

Preces pagas, oferendas a Deus, mediante o sacrifício de aves e de animais, o formalismo exterior hipócrita, as superstições e os privilégios destinados aos ricos e abonados, aos triunfadores de um momento, não permitiam que surgisse lugar para os humildes lavradores, pescadores, trabalhadores braçais, embora indispensáveis, sobre os quais eram descarregados os mais terríveis flagícios…

Jesus conseguiu demarcar de maneira vigorosa qual era o sacrifício mais agradável a Deus e quais os deveres para com Mamon e para com o Pai Celestial.

Foi então, que num dia de júbilos da Boa Nova, quando seguia com os Seus a Jerusalém, alguém acercando-se dele, perguntou-lhe:

— (…) Senhor, são poucos os que se salvam? (24)

 

24- Lucas, 13:22 a 27 (nota da Autora espiritual).

 

Tomando da palavra e iluminando-a com a Verdade, respondeu-lhe:

— Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

E, solícito, explicou que um pai levantara-se e fechara a porta da casa, enquanto os que estavam do lado de fora, surpresos, solicitaram:

— (…) Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disse:

não sei de onde vós sois; Logo lhe disseram:

— Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.

Ele, porém, retrucou:

— Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.

(…) E referiu-se às dores acerbas que aguardam os invigilantes, os irresponsáveis, aqueles que, embora havendo convivido com Ele, optaram pelos torpes comportamentos em que se compraziam.

O caminho áspero na Terra é a senda segura para alcançar-se o Reino.

Não raro, as preocupações materiais com o êxito terreno anulam as realizações transcendentes, substituindo os ideais de enobrecimento.

O véu da carne obscurece a lucidez mental, e o aprimoramento na organização fisiológica dá a sensação de perenidade, de que tudo sempre transcorrerá bem, sem obstáculos, sem conflitos.

A realidade, porém, é bem diversa, enquanto no veículo da transitoriedade humana, pois que, a cada momento, sofre alterações que se transformam em fenômenos graves quando se é constrangido a enfrentar as doenças, os transtornos emocionais, a desencarnação.

Sem qualquer dúvida, o ser humano tem o direito de usufruir os recursos formosos do corpo físico, especialmente aqueles que facultam viver em nível de alegria e de paz, dele utilizando-se para os investimentos imortalistas.

A passagem do Mestre pela Terra, transformadora e eficiente, fincou raízes na psicosfera do Planeta e nas fibras mais íntimas daqueles que O ouviram, a fim de que pudessem repetir os Seus ensinamentos no curso da História, por todo o tempo porvindouro…

Aqueles dias, de alguma forma assemelham-se a estes dias da sociedade iluminada pelo conhecimento e atormentada nos sentimentos, cambaleante e exausta do prazer ilusório, anelando pela paz e pela real significação existencial.

Realmente, é estreita a porta da salvação, mas encontra-se acessível a todos quantos a desejem ultrapassar…

O Mestre jamais desdenhou desafios e dificuldades, demonstrando que toda ascensão exige sacrifício e que a libertação das heranças infelizes é trabalho contínuo e de longo curso.

(…) Jesus seguia a Jerusalém e narrou inúmeras parábolas, de tal forma que as Suas lições permaneceram envoltas no tecido da palavra, porém, com todo o vigor da Sua personalidade invulgar, convidando à plenitude.

 

LIVRO: “Vivendo Com Jesus” – Psicografia: Divaldo Franco – Pelo Espírito Amélia Rodrigues – Capítulo 26

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