MÉDIUNS

Qualidade dos MédiunsKARDEC - FOTO MAIS RECENTE DIGITALIZADA

Allan Kardec

  1. A faculdade mediúnica é uma propriedade orgânica; não depende das qualidades morais do médium; mostras-nos em diversos graus da escala moral. O mesmo não se dá, entretanto, com a preferência que os bons Espíritos dão aos médiuns.
  2. Os bons Espíritos comunicam-se mais ou menos espontaneamente, por este ou aquele médium, conforme a simpatia que lhes inspiram. A boa ou má qualidade dos médiuns não deve ser aquilatada pela maior ou menor facilidade com que recebe as comunicações, mas por sua aptidão em receber apenas bons Espíritos e não ser joguete de Espíritos zombeteiros.
  3. Por vezes os médiuns de menor padrão de moralidade recebem excelentes comunicações que não poderiam vir senão de Espíritos bons. Isto, porém, não deve causar espanto; elas sempre vêm com o objetivo de lhes dar sábios conselhos.

Se os médiuns os desprezam, maior será a sua culpa, porque lavram a sua própria condenação. Deus, na sua infinita bondade, não pode recusar assistência àqueles que dela mais necessitam. O virtuoso missionário que vai pregar aos criminosos procede como os bons Espíritos com os médiuns imperfeitos.

Por outro lado, querendo dar a todos um ensino útil, servem-se os bons Espíritos do instrumento de que dispõem; mas o deixam assim que encontram outro mais simpático e que melhor aproveite as suas lições.

Com a retirada dos bons, os Espíritos inferiores, que pouco se incomodam com as qualidades morais dos médiuns, encontram o campo livre.

Em conseqüência, os médiuns moralmente imperfeitos, os que não procuram emendar-se, mais cedo ou mais tarde são presas dos maus Espíritos, que por vezes os conduzem à ruína e às maiores desgraças, ainda na vida terrena. Então a sua mediunidade, inicialmente tão bela, e que assim poderia ter sido conservada, se perverte e finalmente se perde, abandonada dos bons Espíritos.

  1. Não se acham os médiuns de maior merecimento a salvo das mistificações dos Espíritos embusteiros. Primeiro, porque entre nós ainda não há criaturas suficientemente perfeitas e que não apresentem um lado fraco, o qual dá acesso aos maus Espíritos; segundo, porque às vezes os bons Espíritos permitem que os maus se manifestem, a fim de que exercitemos a nossa razão e aprendamos a distinguir a verdade do erro e fiquemos de prevenção, não aceitando cegamente e sem maior exame tudo quanto nos vem dos Espíritos. Entretanto, jamais um bom Espírito nos virá enganar. O erro, seja qual for o nome com que se acoberte, vem sempre de uma fonte má. Podem, ainda, essas mistificações ser uma prova para a paciência e para a perseverança de um espírita, quer seja médium, quer não o seja. Os que desanimam com as decepções dão aos bons Espíritos uma prova de que não são instrumentos de confiança.
  2. Não é para admirar que os maus Espíritos possam obsidiar criaturas de valor, pois na Terra também se encontram homens de bem perseguidos pelos que não o são.

É digna de nota a diminuição do número de médiuns obsidiados após a publicação de O Livro dos Médiuns. Compreende-se que, estando prevenidos, conservem-se vigilantes e notem os mais leves indícios que denunciam a presença dos mistificadores.

A maioria dos que ainda se mostram em tal estado ou não fizeram o recomendado estudo prévio, ou não deram importância aos conselhos recebidos.

  1. Aquilo que realmente constitui o médium é a faculdade mediúnica. Sob tal ponto de vista, pode ser mais ou menos formado, mais ou menos desenvolvido.

Médium seguro, que pode, na verdade, ser considerado bom médium, é aquele que aplica a sua faculdade visando tornar-se apto a servir de intérprete aos bons Espíritos. O poder que tem o médium de atrair bons Espíritos e repelir os maus está na razão direta de sua superioridade moral e da posse de maior número de qualidades que constituem o homem de bem. É por elas que atraímos a simpatia dos bons Espíritos e adquirimos ascendente sobre os maus.

  1. Pelas mesmas razões, as imperfeições morais do médium o aproximam da natureza dos maus Espíritos, tiram-lhe a força necessária para os afastar de si e, ao invés de se lhes impor, sofre a imposição deles.

Isto não só se aplica aos médiuns, mas a todas as pessoas, indiscriminadamente, visto como não há ninguém que não esteja sujeito à influência dos Espíritos.

  1. Com o fito de se imporem ao médium, os maus Espíritos sabem explorar com habilidade todas as suas fraquezas. E dos nossos defeitos, é o orgulho aquele que mais os atrai, por ser o sentimento predominante na maior parte dos médiuns obsidiados e, notadamente, dos fascinados. É o orgulho que os leva a se considerarem infalíveis e a repelir todos os conselhos. Infelizmente, tal sentimento é excitado pelos elogios que lhes são feitos. Basta que um médium apresente uma faculdade levemente transcendente para que o procurem e o adulem. Isso dá lugar a que exagere a sua importância e se considere indispensável – o que constitui a sua perda.
  2. Ao contrário do médium imperfeito, que se orgulha dos nomes ilustres – mas quase sempre apócrifos – que subscrevem as comunicações por ele recebidas, e se julga um intérprete das forças celestes, o bom médium jamais se crê bastante digno de tal favor: tem sempre uma saudável desconfiança do mérito daquilo que recebe e não confia em seu próprio julgamento. Como é apenas um instrumento passivo, compreende que as boas mensagens nenhum mérito pessoal lhe confere, do mesmo modo que nenhuma responsabilidade teria se fossem más; e mais: que seria ridículo acreditar na identidade absoluta e insofismável dos Espíritos que se manifestam por seu intermédio.

O bom médium deixa que pessoas desinteressadas julguem o seu trabalho, sem que o seu amor-próprio se sinta ferido por qualquer opinião desfavorável, da mesma maneira que um ator não se sentirá melindrado pelas críticas feitas à peça que representa.

Seu caráter marcante é a simplicidade e a modéstia. Sente-se feliz com a faculdade que possui, não por vaidade, mas porque lhe é um meio de tornar-se útil – o que faz de boa-vontade, sempre que se lhe oferece uma oportunidade – e jamais se incomoda quando outros médiuns são preferidos.

São os médiuns os intermediários, os intérpretes dos Espíritos. Ao evocador, como ao simples observador, cabe apreciar o valor do instrumento.

  1. Do mesmo modo que as outras faculdades, é a mediunidade um dom de Deus, que tanto pode ser empregado para o bem quanto para o mal e do qual, pois, pode-se abusar. Seu fim é nos pôr em comunicação direta com as almas dos que viveram, a fim de recebermos ensinamentos e nos adaptarmos às necessidades da vida futura. Do mesmo modo que a vista nos põe em relação com seu mundo visível, a mediunidade nos põe com o mundo invisível.

Aquele que utiliza a mediunidade para o adiantamento próprio e o de seus irmãos desempenha uma verdadeira missão, pelo que será premiado. Aquele que abusa, empregando-a em coisas fúteis ou para satisfação de interesses materiais, a desvia de seu objetivo providencial e, mais cedo ou mais tarde, será punido, como todos aqueles que fazem mau uso de qualquer faculdade.

Livro: “O Principiante Espírita” – Por Allan Kardec – Parte 01- itens 79 à 88

(Introdução ao conhecimento do mundo invisível pelas manifestações espíritas; Resumo da Doutrina Espírita; Respostas às principais objeções).

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