O Momento de Deus / Entregar Para Deus

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André Luiz

Passará, talvez desapercebido para nós, contudo, ele existe no tempo, o momento de Deus.

 

Esfalfamo-nos, bastas vezes, transfigurando os valores da atenção nos desperdícios da inquietação, diligenciando impor a fé religiosa naqueles que amamos, esquecidos de que o Criador lhes consagra mais amor que nós mesmos.

 

Deus espera. Por que desanimar, de nossa parte, quando a edificação espiritual se nos afigura tardia?

 

Com isso, não desejamos dizer que somente nos resta abandonar ao vento da provação aqueles entes queridos para os quais aspiramos o entendimento maior. Reflitamos que se a Divina Providência nos confiou, decerto assim procedeu, através das pessoas e circunstâncias que nos rodeiam, aguardando algo de nossa cooperação no amparo a eles.

 

Em tempo algum, ser-nos-á lícito relegar para Deus as obrigações que nos competem, o que nos constrange igualmente a verificar que existe a “parte de Deus” em cada realização, cujo âmbito nos é defeso à qualquer exigência.

 

Não conseguimos antepormos, de maneira alguma, ao momento de Deus e nem fazer o que lhe cabe realizar, todavia, somos convidados a preparar-lhe as condições adequadas ao surgimento vitorioso.

 

À medida que se nos intensifica a madureza de espírito, categorizamo-nos à conta de semeadores nas almas.

 

Nesse sentido, recordemos os cultivadores da gleba que sustentam a civilização e asseguram a vida. Nenhum deles, por mais sábio, logra desentranhar com as próprias mãos, os princípios da semente, cujo embrião possui um instante próprio a fim de desacolchetar envoltórios e desabrochar à plena luz.

 

Ainda assim, patrocinam a exatidão da leira, administram adubos, dosam a rega, garantem a defesa da planta e efetuam enxertias, quando enxertias se façam necessárias ao rendimento da produção.

 

Se há imperscrutável serviço divino na intimidade dos processos da natureza, há inadiável serviço do homem na esfera da natureza para que a natureza corresponda intensamente ao toque divino.

 

Os estatutos da Criação não permitem à criatura relegar para o Criador a obrigação que lhe compete.

 

Ama, pois, teus pais, filhos, irmãos, amigos e companheiros tais quais são por agora, sem te esqueceres de ajudá-los com simpatia, cooperação, fraternidade e bons exemplos, a se exprimirem por valioso auxílio prévio.

 

Trabalha e prepara com eles e junto deles o futuro melhor, na convicção de que, em matéria de compreensão e penetração nos reinos do espírito, os mais elevados anseios humanos são compelidos a esperar pelo momento de Deus.

 

ENTREGAR PARA DEUS

 

Comum ouvir-se, aqui e além, pessoas de convicção religiosa declarando-se decididas a transferir para Deus as responsabilidades que lhes concernem.

 

Receando sacrifícios e alérgicas a problemas, desertam da obrigação e asseveram que Deus lhes tomará o lugar.

 

Diante de um esclarecimento que lhes reclame desistência a vantagens humanas ou à frente de trabalho que lhes rogue humildade, ausentam–se apressadas da esfera de luta, dizendo-se tão confiantes em Deus que não hesitam entregar-lhe as tarefas que lhes dizem respeito, tal se o Criador lhes fosse assalariado vulgar.

 

Para elas, Deus é obrigado a ocupar-se com a limpeza da casa, a transformar-se em aio vigilante de pirralhos inconscientes ou a enviar-lhe mensageiros que substituam o guarda de trânsito ou o entregador do armazém.

 

A Doutrina Espírita chega ao mundo para erradicar-nos da alma semelhantes ilusões, explicando-nos que a Sabedoria Maior nos concede os ingredientes da vida, em regime de empréstimo, para a execução da tarefa necessária à felicidade e ao aperfeiçoamento de nós mesmos.

 

Apostolados domésticos, realizações sociais, espinhos de profissão, holocaustos de família, calvários de testemunhos de amor e desapego são, na essência, empreitadas que solicitamos à Providência Divina, antes da reencarnação, prometendo esforço máximo na desincumbência de tais compromissos.

 

Nós que nos referimos a Jesus, a cada passo da crença, não poderemos esquecer que ele, o Mestre, não relegou para Deus o áspero ofício de esclarecer-nos, o que fez por si mesmo, à custa da própria dilaceração.

 

Cristãos responsáveis, urge saibamos abraçar a renovação a que somos intimados pela mensagem do Evangelho Redivivo, francamente dispostos a largar o comodismo de tudo endereçar para o Céu, aprendendo a entregar para Deus a consciência do dever bem cumprido e o serviço pronto.

(Livro: “Sol Nas Almas” – Psicografia: Waldo Vieira – Pelo Espírito André Luiz – Lições 23 e 24)

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