A Perene Luz

A Perene Luz

A luz é o fulcro donde emergem o calor e a vida; ao mesmo tempo é o centro para onde convergem as atenções e os interesses de todos.flores-paz

Os insetos, atraídos pela sua claridade, aturdem-se, e se a chama está crepitante nela ardem, dominados pela sua pujança e vigor.

Mariposas acercam-se da flama tremeluzente e nela perecem.

Outros animais e o homem, fixados no seu fulgor, encadeiam-se, perdem o rumo. . .

Todavia, é a luz que aponta e aclara os caminhos.

Fruí-la com respeito, beneficiando-se com as suas dádivas, sem precipitar-se nela, traduz sabedoria na utilização dos seus recursos.

Incendiar-se por dentro, vivendo-a no calor do ideal superior que ela representa, é deixar-se atingir, sem consumir-se. ..

Jesus é a Grande e Perene Luz que veio às sombras dos caminhos humanos para que jamais voltasse a predominar a treva.

Sua trajetória fez-se assinalar pela inapagável claridade que prossegue iluminando os séculos.

Quantos se encontravam enregelados pelos sentimentos negativos ou abandonados ao frio da indiferença social, nele encontraram, e ainda hoje encontram, o calor para a restauração das forças.

Os sofredores de todo porte buscavam-no, e O procuram ainda agora, para aquecer-se no Seu convívio.

O crime, porém, que urde desgraças; a astúcia, que se mancomuna  com a injustiça, tecendo redes perigosas; a suspeita sistemática, que conspira   contra   a paz;   o   orgulho,   que   degenera   os  sentimentos ‘nobres; a mesquinhez, que  perturba; o egoísmo, gerador das torpezas morais — não aceitam a claridade, que lhes desmancha as articulações perniciosas, e por isso, descontentes, investem de rijo, usando os seus meios tenebrosos para apagá-la ou destruir seu núcleo gerador.

 

Jesus não passou incólume a tais artimanhas. Ninguém transitará sem sofrer-lhes a sanha malfazeja.

Perseguem, picados pela inveja venenosa, e arremessam-se contra, dispostos a tudo.

 Porque labutando às escondidas, sem escrúpulos, usam qualquer  arma, e quando vêm para defrontar a vítima, já minaram o solo, à socapa, pressupondo vitória; ou desesperados, sem receio de perder- se,  arrojam-se  contra,  desde  que  ponham  abaixo   quem   ou   o   que, arbitrariamente, se propuseram destruir.

Todos os lutadores das elevadas aspirações provaram-lhes o ferrete em brasa, a perseguição gratuita, conhecendo-lhes a tenacidade.

Tudo observam através das lentes escuras dos seus sentimentos amarfanhados.

Recusam-se à concórdia, em cujo campo encontram-se desvalorizados, e, não raro, preferem a perda à rendição fraternal. . .

O Mestre os defrontou vezes sem conta.

Fariseus e saduceus, atados à vilania das posições enganosas, tentaram perturbá-10 durante todo o ministério.

Dominadores que se enganam, aos outros iludindo, investiram com armas em riste contra a aparente fragilidade dEle e odeiam-nO, porque não O puderam vencer nem fugir da Sua irresistível atração. . .

… E Ele, claridade viva, prosseguiu vencendo, etapa a etapa, nos sórdidos lugares onde se homiziam os famanazes da treva infeliz.

Não somente corporificado nos homens está o adversário vil.

Ei-lo fora da jaula carnal, em grupos de chacais emocionais, procurando vítimas que lhes padeçam a sanha.

Os endividados morais que fugiram das leis, nas vidas anteriores, mas não se evadiram da Grande Lei, tornam-se-lhes vítimas preferidas.

Usaram-nas para tentar prejudicar o apostolado sublime do Mestre, audaciosamente supondo pertur-bá-lO.

A força da Luz divina presente no Rabi, a irradiar-se soberana, afastou- os, desarmou-os, submeteu-os.

Individualmente, petulantes e prepotentes, ou coletivamente, em legiões, chegaram e foram repelidos.

Jesus é Paz!

Quantos se Lhe acercam, transformam-se, harmonizando-se.

Se fogem, volverão, pois que nunca mais perderão a impregnação do Seu amor.

Conhecendo o ontem dos Espíritos, o Senhor penetrava na causa matriz das suas aflições e sabia como atenuá-la, propiciando novos rumos fora da dor para a recuperação moral de cada um.

Eis porque, a este desimpede os membros hirtos na paralisia; àquele abre os olhos fechados; a esse limpa as ulcerações; àqueloutro desamarra dos liames obsessivos; a um restitui som aos ouvidos moucos; a outro devolve a voz…

O Seu amor não tem limite.

Narra Mateus (*) que ao espocar das Suas mercês, quando as  multidões buscavam socorro para as  suas mazelas,  trouxeram-Lhe  um mudo endemoninhado.

A obsessão ultriz, de que padecia o homem, afetava-lhe o centro da palavra, anulando a sua capacidade de falar.

 

Nas fronteiras além das vibrações físicas agridem-se, desforçam-se, algoz de ontem, vítima de hoje, em luta feroz.

A autoridade do Mestre interfere no duelo sem palavras.

Alivia o perseguidor, intuindo-lhe que o endividado não prosseguirá sem justiça, não lhe cabendo, no entanto, fazê-la, a fim de não incidir em erro mais grave.

Libera a vítima atual, concedendo-lhe, na lucidez e no verbo, oportunidade de reabilitação.

O homem recuperou-se e o entusiasmo fez-se geral, num hino de louvor e lágrimas.

A treva humana, porém, despeitada e vítima da própria insipiência, alardeia pela boca farisaica:

 

— É pelo príncipe dos demônios que Ele expele os demônios. Mesmo ante a evidência do fato, a má fé encontra argumentação. Como se socorre da sombra, apela para suas expressões.

Porque se sente impura, acredita na força da impureza.

Desde que convive com astúcias e ardis aceita a hipótese da existência do príncipe do mal, em razão de sintonizar com o mal que nela mesma predomina.

Jesus não lhe disse nada, nem se fazia necessário dizer.

Saiu a irradiar a soberana luz do amor e da esperança, que até hoje fulge, dominadora, no acume da montanha das humanas dificuldades, apontando rumos .. .

(*) Mateus: 10:32 a 34.

 

Livro: Há flores no Caminho
Psicografia: Divaldo Pereira Franco

Pelo Espírito: Amélia Rodrigues

Capítulo:01

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