INSTINTOS, SENSAÇÕES E SENTIMENTOS

 Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

  “Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos.” — O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 08. 

O ser humano é um feixe de virtudes e defeitos que possuímos em nossa origem as informações e aprendizados necessários que serão os precursores do entendimento na formação da pessoa. Todos experienciamos situações necessárias ao nosso aprendizado, partindo de um mesmo princípio caminhamos rumo à perfeição.

O Livro A Gênese, em seu cap. III, itens 11 a 19 traz-nos uma bela explicação sobre os instintos, à inteligência e as paixões, os quais resumiremos: O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a sua conservação. Nos atos instintivos, não há nem reflexão, nem combinação e nem premeditação. O oposto é a inteligência. Enganam-se os que acreditam que o instinto acaba quando esta avança no ser. O instinto é o ato maquinal, a inteligência é um ato premeditado. O instinto está vinculado aos movimentos espontâneos e ao próprio instinto de sobrevivência que nos precata de perigos.

Outro termo confundido com os instintos são as paixões. (item 18) Sendo o instinto o guia, e as paixões os impulsos das almas, no primeiro período do seu desenvolvimento, se confundem em seus efeitos. As paixões tem caráter individual, variando de intensidade e de natureza de pessoa para pessoa, de acordo com o seu grau de evolução. Os instintos possuem efeitos gerais e uniformes. Aos instintos temos como contra ponto a inteligência; as paixões o desenvolvimento do senso moral.

No livro notável: Psicologia da Gratidão, Joanna de Ângelis, por intermédio da psicografia de Divaldo Franco, em seu cap. 4 – A Conquista da Plenitude pela Gratidão, especificamente no item Exercício da Gratidão faz uma bela análise sobre a aquisição da consciência e o seu desenvolvimento no ruma da vitória plena tendo como base Jung.

A primeira etapa diz respeito à conquista da identificação entre a consciência do ser e tudo quanto se lhe refere, no entorno da sua existência. São os misantropos (1) que o Evangelho fala. Que se identificam com as coisas muito mais do que com as pessoas. E quando estabelecem esta ligação com a família é de uma forma doentia. Existe a projeção do si no outro.

Na segunda etapa, já se expressa à consciência que distingue o Eu e o outro. Esta é a fase do descobrir, do identificar as diversidades que existem.

Terceira etapa, as projeções transferem-se para símbolos, lições, princípios éticos, facultando a compreensão do abstrato, como a realidade de Deus em alguma parte… Aqui se entenda que a visão de Deus normalmente é a visão de um Deus punitivo ou compensador…

Quarta etapa existe a superação das projeções, mesmo que assinaladas pela transcendência do abstrato e das ideias. É o que o homem moderno chama de centro vazio. É a busca da sua alma. Há a predominância do prazer e dos desejos de fácil controle. Não havendo o controle há a queda em transtornos depressivos. É o utilitarismo, o consumismo. Nesta fase o homem se considera um próprio deus. Vemos isso muito claro em pessoas que conseguiram algum sucesso e acreditam-se intocáveis e que nada irá lhes acontecer. Existe a autopresunção. 

Na Quinta etapa o homem consegue a função transcendente e o símbolo unificador. É a fase que Joanna de Ângelis nos diz que “a consciência identifica o inconsciente e fundem-se, surgem às aspirações do belo, do ideal, do uno, da individualização.” E neste momento ela exalta a gratidão pela vida. Segundo ela o exercício de gratidão é um exercício de amor.

Não há como compreender a lei de amor sem a crença na reencarnação. Na verdade a reencarnação é a maior prova de amor da Divindade para conosco. Permitir o recomeçar. Permitir que mesmo depois dos erros, possamos nos reorganizar, aparar as arestas e continuar. Fazer com que a criatura humana tenha tantas chances quantas forem necessárias para o soerguimento humano. Permitir-se evoluir ao infinito. Vivemos numa sociedade que traz o entendimento errôneo que precisamos nos dar bem a todo custo, não importando se o outro irá sofrer com as nossas atitudes. E depois de saciada a nossa vontade colocamos como ponto seguinte na nossa escala de valores a família, o nosso grupo social, o nosso país. Por isso vemos tantas atrocidades acontecendo ao nosso derredor.

932. Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”(Livro dos Espíritos). A sociedade como um todo se questiona o porquê de nos encontramos vivendo situações tão ruins como agora. Mas estas mesmas pessoas são as que ultrapassam pelo acostamento numa rodovia, fazem gato de luz ou de água, dão um jeitinho de furar a fila porque são amigos do médico, querem receber benesses, favores num centro espírita porque são amigos do dirigente da instituição…. Enfim, reclamam do que está acontecendo, mas são parcela importante na disseminação do egoísmo e do “fazer o que for preciso para se dar bem”. São verdadeiros paladinos da justiça, mas não titubeiam em fazer qualquer coisa para se dar bem.

“913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo.”(Livro dos Espíritos). Levar vantagem sobre os outros. Não importa se o outro irá se prejudicar, o importante é não sofrer. Neste caso, se fossemos voltar naquela análise de Jung, das cinco etapas, diríamos que a criatura ainda encontra-se na segunda etapa: distingue o Eu do outro e só. Já o Evangelho Segundo o Espiritismo em seu cap. XI, item 08 nos fala do Amor puro sem mesclas: Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que quereria que estes lhe façam … sendo a quinta etapa de Jung. O ser humano transcende o Eu e passa a conjugar o nós em tudo o que faz.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Março de 2015

(1) Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas ou um determinado grupo de pessoas. Um misantropo é alguém que desconfia da humanidade de uma forma generalizada

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