Em Busca da Verdade

cairbar schutel

Em todos os tempos, ilustres pensadores e grandes filósofos têm dedicado vidas inteiras para solucionar o problema da vida. Infelizmente, porém, as suas pesquisas não ultrapassaram os limites corporais, deixando de lado os fenômenos psíquicos, que atribuíram, na maioria das vezes, a causas sobrenaturais e miraculosas.

O problema anímico aparecia obumbrado aos estudiosos, que baseavam suas perquirições em torno do homem no pressuposto de que ele era uma alma criada juntamente com o corpo.

As Escolas de Leucipo e de Epícuro, por exemplo, admitiam a alma; mas diziam que ela se compunha de átomos que se desagregavam, e era, portanto, incapaz de sobreviver à morte do corpo.

Esta idéia, mais tarde apresentada com modificações sucessivas por Locke, Condillac, Helvetius e Holback, degenerou em absoluto negativismo, proclamando a Escola Materialista o seguinte “artigo de fé”: “Somente no organismo humano a matéria pode sentir e perceber”.

Foi também esta a divisa adotada por Molleschot, Buchner, Karl Vogt, Broussais, Haeckel e outros príncipes da Ciência, aplaudidos pelos homens mais eminentes do século.

Karl Vogt afirmava: “o pensamento é uma secreção do cérebro”, e acrescentava: “as leis da Natureza são inflexíveis, não conhecem moral nem bondade”.

Haeckel dizia: “a alma, isto é, a atividade espiritual, nada mais é que uma função fisiológica, produto de fenômenos mecânicos”.

Parece ser ainda corrente entre os sábios oficiais e seus adeptos que a “consciência é determinada pelos elementos constitutivos do sangue e as obras da virtude e do gênio não passam de uma questão de hereditariedade, ou seja, o resultado da física e da química dos corpos”. Foi o que levou um ateísta a dizer que o homem não passa de um Oxinitrocarbureto de hidrogênio coloidal, e nada mais existe nele a não ser matéria.

As doutrinas espiritualistas de Aristóteles, de São Tomás de Aquino, de Descartes, que brilharam com verdadeiro fulgor secundadas pelas de Jouffroy, Cousin, Villemain, e as quais, no terreno filosófico, demonstraram a existência e imortalidade da alma, não conseguiram, entretanto, deter a onda dos nihilistas, que se avolumava cada dia mais.

A velha concepção da alma não dava lugar a provas positivas, disso resultando, não só entre os materialistas que negavam, como entre os espiritualistas, a adoção de um panteísmo comodista, que fazia estes cuidarem somente da vida corporal em detrimento da vida espiritual, do presente, com exclusão do futuro.

Com efeito, perdida a orientação da vida, limitado o espírito às coisas materiais, sem esperança de uma vida melhor, a sociedade teria forçosamente de precipitar-se num abismo, onde nenhuma aquisição duradoura lhe poderia melhorar a situação. A Razão, desvirtuada dos seus princípios, não pode permanecer ao lado da Moral da Ciência.

Foi em tais circunstâncias que se fizeram sentir, em nosso planeta, as manifestações paranormais, de ordem extrafísica, que haveriam de submetidas ao método experimental, proclamar o estabelecimento definitivo da alma como fator do organismo corpóreo, sua preexistência ao nascimento do corpo e sobrevivência à morte deste.

O Espiritismo mostra que, no homem, a aliança dos dois elementos – alma e corpo – intimamente unidos, reagem um sobre o outro, como o prova o testemunho diário dos sentidos e da consciência; e tem por intermediário o invólucro do Espírito, que Allan Kardec houve por bem denominar perispírito, elemento este já previsto pelo Apóstolo Paulo, que o chamou corpo espiritual, e pelo inglês Cudworth, que o intitulou medidor plástico.

A Teoria Espírita, trazendo uma nova idéia da alma, estendeu a sua ação ligando os dois mundos, o mundo da vida corpórea e o mundo da vida espiritual, facilitando, assim, a solução do grande problema do “ser”, com os seus princípios de evolução entrevistos por Darwin, Lamarck e Haeckel, mas infundindo nas concepções evolucionistas o Espírito, sem o qual não poderão prevalecer.

Com a inestimável contribuição que o Espiritismo a todos proporciona, livre das injunções do feudalismo intelectual, todos os homens de boa vontade, num esforço supremo para sua melhoria, podem e devem abordar, agora, com orientação mais firme, aquilo que, antigamente, era privilégio dos sábios e sacerdotes.

Favorecidos pelos fenômenos psíquicos, pela evocação dos Espíritos e suas manifestações, ainda mais, auxiliados por uma enorme biblioteca de obras que tratam do assunto, muita fácil será ao homem de boa vontade encontrar a Verdade fora das academias e das religiões sectárias que têm retardado o progresso humano.

Extraído do Livro:

“ A Vida No Outro Mundo”

Autor: Caírbar Schutel – 1932

Capítulo:III

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