Espiritismo & Progresso

 

 Amelie Kardec esposa de allan kardec cartaR.E. 1867, p. 278: “Um último caráter da revelação espírita, e que ressalta das condições mesmas nas quais foi feita, é que, apoiando-se sobre os fatos, ela não pode ser senão essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Por sua essência, contrai aliança com a ciência que, sendo a exposição das leis da natureza, em uma certa ordem dos fatos, não pode ser contrária à vontade de Deus, o autor dessas leis. As descobertas da ciência glorificam a Deus em lugar de O rebaixar, elas não destroem senão o que os homens têm construído sobre as idéias falsas que se tem feito de Deus.

O Espiritismo não coloca então, como princípio absoluto, senão aquilo que é demonstrado pela evidência, ou que ressalta logicamente da observação. Tocando em todos os ramos da economia social, aos quais prestou o apoio de suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que elas sejam, chegadas ao estado de verdades práticas, e saídas do domínio da utopia, sem isso se suicidaria; em cessando de ser o que ele é, mentiria à sua origem e ao seu objetivo providencial. O Espiritismo, marchando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe mostrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

R.E. 1869, p. 258: “O Espiritismo não é mais solidário com aqueles que prazam em se dizerem espíritas, do que a medicina o é com os charlatães que a exploram, nem do que a saudável religião o é com os abusos ou mesmo com os crimes cometidos em seu nome. Não reconhece por seus adeptos senão os que colocam em prática seus ensinamentos, isto é, que trabalham para sua própria melhora moral, esforçando-se em vencer suas más inclinações, ser menos egoístas e menos orgulhosos, mais doces, mais humildes, mais pacientes, mais benevolentes, mais caridosos para com o próximo, mais moderados em todas as questões, porque este é o sinal característico do verdadeiro Espírita.”

R.E. 1869, p. 25: “O conhecimento das leis que regem o princípio espiritual se relaciona de uma maneira direta à questão do passado e do porvir do Homem. Sua vida está limitada à existência atual? Entrando neste mundo sai ele do nada, e reentra no nada ao deixá-lo? Já tinha vivido antes e viverá outra vez? Como viverá e em que condições? Em uma palavra, de onde veio e para onde irá? Por que está sobre a Terra e por que sofre? Tais são as questões que cada um se põe porque têm, para todo mundo, um interesse capital, e que nenhuma doutrina deu ainda uma solução racional. Isto que dá o Espiritismo, apoiado em fatos, satisfazendo às exigências da lógica e da justiça mais rigorosa, é uma das causas principais da rapidez de sua propagação.

O Espiritismo não é uma concepção pessoal nem o resultado de um sistema preconcebido. É a resultante de milhares de observações feitas em todos os pontos do globo e que convergem para o centro que os colige e coordena. Todos os seus princípios constituintes, sem exceção, são deduzidos da experiência. A experiência sempre tem precedido a teoria. O Espiritismo, assim se pensa, desde seu início, tem raízes por toda parte; a história não oferece nenhum exemplo de uma doutrina filosófica ou religiosa que tenha, em dez anos, reunido um tão grande número de adeptos; e entretanto não empregou, para se fazer conhecer, nenhum dos métodos vulgarmente em uso; propagou-se por si mesma, pelos simpatizantes que encontrou.

É ainda evidente que a propagação do Espiritismo seguiu, desde sua origem, uma marcha constantemente ascendente, malgrado tudo que se fez para o entravar e desnaturar seu caráter, visando desacreditá-lo na opinião pública. É mesmo notável que tudo que se fez com esse propósito lhe favoreceu a difusão; o barulho que foi feito na ocasião levou as pessoas, que nunca haviam escutado dele falar, a conhecerem-no; quanto mais se o há difamado ou ridicularizado, quanto mais as declamações tenham sido violentas, mais se instigou a curiosidade; e como só podia sair ganhando no exame, resultou que seus adversários se fizeram, sem o querer, os seus ardentes propagadores; se as diatribes não lhe trouxeram nenhum prejuízo, foi porque, estudando-o em sua fonte verdadeira, se encontrou tudo diferente daquilo que havia sido sustentado. Na luta que sustentou, as pessoas imparciais constataram sua moderação: nunca usou de represálias contra os seus adversários nem devolveu injúria com injúria.

O Espiritismo é uma Doutrina filosófica que tem conseqüências religiosas, como toda filosofia espiritual; por isso mesmo, toca nas bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura; mas não é neste ponto uma religião constituída, visto que não há culto, nem rituais, nem templo, e que, entre seus adeptos, não há nenhum padre ou bispo. Essas qualificações são pura invenção da crítica. Só é espírita quem simpatiza com os princípios da Doutrina, e quem nela conforma sua conduta. É uma opinião, como qualquer outra, que cada um deve ter o direito de professar, como se o tem de ser judeu, católico, protestante, fourierista, sansimoniano, voltariano, cartesiano, deísta e mesmo materialista.

O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como um direito natural, e a reclama para os seus, como para todo o

mundo. Respeita todas as convicções sinceras, e demanda para si a reciprocidade. Da liberdade de consciência decorre o direito ao livre exame em matéria de fé. O espiritismo combate o princípio da fé cega, que impõe ao homem a abdicação de seu próprio julgamento; diz que toda fé imposta é sem raiz. É por isso que inscreveu na lista de suas máximas: “Não há fé inabalável senão aquela que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.” Conseqüente com seus princípios, o Espiritismo não se impõe a ninguém; ele quer ser aceito livremente e por convicção. Expõe suas doutrinas e recebe aqueles que vêem a ele voluntariamente. Não procura tirar ninguém de suas convicções religiosas; não se dirige àqueles que têm uma fé e a quem essa fé satisfaz, mas àqueles que, não estando satisfeitos do que se lhes foi dado, procuram qualquer coisa melhor.”

Texto Extraído do Livro:

“Conselhos, Reflexões e Máximas de Allan Kardec”

(Fragmentos extraídos dos doze primeiros anos da “Revista Espírita”)

Traduzido por: Paulo A. Ferreira

Do original: Conseils, Reflexions et Maximes d’Allan Kardec

Editado por: Le Centre Spirite Lionnais Allan Kardec

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