Fraudes Espíritas

R.E. 1859, p. 94: “De que há charlatães que vendem drogas em praças públicas, de que há mesmo médicos que, sem ir à praça pública, enganam a confiança alheia, se segue que todos os médicos são charlatães, e o corpo médico nisso seja atingido em nossa

images (2)consideração? De que há gente que vende a tintura por vinho, se segue que todos os vendedores de vinho são fraudadores e que não há nenhum vinho puro? Se abusa de tudo, mesmo das coisas mais respeitáveis, e pode-se dizer que a fraude também tem o seu gênio. Mas a fraude tem sempre um propósito, um interesse material qualquer; onde não há nada a ganhar, não há nenhum interesse a enganar. Também dissemos, a propósito dos médiuns mercenários, que a melhor de todas as garantias é um desinteresse absoluto.”

R.E. 1869, p. 42: “Estigmatizando a especulação, como nós o temos feito, temos a certeza de ter preservado a Doutrina de um verdadeiro perigo, perigo maior que a má vontade de seus antagonistas confessos, porque dela não restaria nada menos que seu descrédito; por isso mesmo, ela lhes teria oferecido um lado vulnerável, no entanto têm se detido ante a pureza de seus princípios. Não ignoramos que temos suscitado contra nós a animosidade dos especuladores, e que temos alienado seus participantes; mas que nos importa! Nosso dever é manter sob mão a causa da Doutrina e não os interesses deles; e esse dever, nós o cumpriremos com perseverança e firmeza até o fim.”

R.E. 1864, p. 78: “Mas não é somente contra a cupidez que os médiuns devem se manter em guarda; como os há em todas as faixas da sociedade, a maior parte está sob essa tentação; mas há um outro perigo, de outro modo bem grande, porque todos lhe estão expostos, que é o orgulho, onde se perde o maior número; é contra esse escolho que as mais belas faculdades vêm freqüentemente se quebrar. O desinteresse material é sem proveito se não estiver acompanhado do mais completo desinteresse moral. Humildade, devotamento, desinteresse e abnegação são as qualidades do médium amado pelos bons Espíritos.”

R.E. 1867, p. 8: “É preciso se figurar que estamos em guerra, que os inimigos estão à nossa porta, prestes a segurar a ocasião favorável, e que dirigem as inteligências no local.

Nesta circunstância, que há a fazer? Uma coisa bastante simples: se restringir estritamente dentro do limite dos preceitos da Doutrina: se esforçar em demonstrar o que ela é por seu próprio exemplo, e declinar toda solidariedade com aquilo que poderia ser feito em seu nome que fosse de natureza a desacreditá-la, porque isso não costuma ser o feito de adeptos sérios e convictos. Não basta se dizer espírita: aquele que o é de coração o prova por seus atos. A Doutrina, não pregando senão o bem, o respeito às leis, a caridade, a tolerância e a benevolência com todos; repudiando toda violência feita à consciência do outro, todo charlatanismo, todo pensamento interesseiro no que concerne às relações com os Espíritos, e toda coisa contrária à moral evangélica, aquele que não se afasta da linha traçada não pode incorrer em nenhuma censura justa, ou demandas legais; bem mais que isso, quem toma a Doutrina por regra de conduta, não pode senão se conciliar à estima e à consideração das pessoas imparciais; diante do bem, até mesmo a incredulidade zombeteira se inclina, e a calúnia não pode sujar aquele que é sem mancha. É dentro dessas condições que o Espiritismo atravessará os temporais que se amontoam sobre sua rota e que sairá triunfante de todas as lutas.”

 R.E. 1869, p. 357: “Trabalhemos para compreender, para crescer nossa inteligência e nosso coração; lutemos com os outros; mas lutemos com caridade e abnegação. Que o amor ao próximo, inscrito sobre nossa bandeira, seja nossa divisa: a pesquisa e a verdade, de qualquer parte que ela venha, nosso propósito único! Com tais Sentimentos, desafiemos as zombarias de nossos adversários e as investidas de nossos competidores. Se nos enganamos, não tenhamos o tolo amor próprio de nos obstinar nas idéias falsas; mas estamos certos de que há princípios sobre os quais jamais podemos nos enganar: é o amor ao bem, a abnegação, a abjuração de todo sentimento de inveja e ciúme. Esses princípios são os nossos; vemos neles o laço que deve unir todos os homens de bem, qualquer que seja a divergência de sua opinião; somente entre eles o egoísmo e a má fé colocam barreiras intransponíveis.

Mas qual será a conseqüência desse estado de coisas? Sem contradita, os conluios dos falsos frades poderão trazer momentaneamente algumas perturbações parciais. Por isso é preciso fazer todos os esforços para os frustrar tanto quanto possível. Mas, necessariamente, não o farão senão por um tempo e não poderão ser prejudiciais para o porvir: primeiramente porque são uma manobra da oposição que cairá pela força das coisas; por outro, qualquer que seja que digam e que façam, não poderão suprimir da Doutrina seu caráter distintivo: sua filosofia racional é lógica, sua moral consoladora e regeneradora. Hoje, as bases do Espiritismo estão colocadas de uma maneira inabalável; os livros escritos sem equívocos e colocados à disposição de todas as inteligências serão sempre a expressão clara e exata do ensino dos Espíritos e a transmitirão intacta àqueles que virão depois de nós.

Não precisamos perder de vista que estamos em um momento de transição, e que nenhuma transição se opera sem conflito. Não é preciso pois se admirar de ver se agitarem certas paixões; as ambições, os compromissos, os interesses contrariados, as pretensões decepcionadas; mas pouco a pouco tudo isso se extingue, a febre se acalma, os homens passam e as novas idéias permanecem. Espíritas, se querem ser invencíveis, sejam benevolentes e caridosos; o bem é uma couraça contra a qual sempre vêm se quebrar as manobras da malevolência.

Fonte:

Livro: Conselhos, Reflexões e Máximas de Allan Kardec

(Fragmentos extraídos dos doze primeiros anos da “Revista Espírita” )

Traduzido por: Paulo A. Ferreira

Do original: Conseils, Reflexions et Maximes d’Allan Kardec

Editado por: Le Centre Spirite Lionnais Allan Kardec

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