Mascaradas Humanas

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Falarei da necessidade singular dos melhores Espíritos de imiscuir-se sempre nas coisas que não lhes competem. Por exemplo: um excelente comerciante não duvidará um instante de sua aptidão política, e o maior diplomata porá o amor próprio na decisão das mais frívolas questões. Este defeito, comum a todos, não tem outro móvel senão a vaidade, e a vaidade só tem necessidades artificiais. Para a toalete, para o espírito, para o próprio coração, ela busca, antes de mais nada, o que é falso; vicia o instinto do belo e do verdadeiro; leva as mulheres a desnaturar sua beleza; persuade os homens a buscar precisamente o que lhes é mais prejudicial. Se os franceses e as francesas não tivessem esse defeito, eles seriam os mais inteligentes do mundo e elas as mais sedutoras Evas conhecidas. Não tenhamos, pois, essa absurda fraqueza; tenhamos a coragem de sermos nós mesmos; de levar a cor do nosso Espírito, como a dos nossos cabelos. Mas os tronos ruirão, as repúblicas se estabelecerão, antes que um francês leviano renuncie às suas pretensões de gravidade e uma francesa às suas pretensões de firmeza. Hipocrisia continuada, em que cada um veste uma roupa de outra época, ou apenas a do vizinho. Hipocrisia política, máscara religiosa, em que todos, arrastados pela vertigem, vos buscais apaixonadamente, sem encontrar nesse tumulto nem o ponto de partida, nem o vosso objetivo.

DELPHINE DE GIRARDIN

*

No estudo do Espiritismo há um grave erro, que cada dia mais se propaga e que se torna quase o móvel que faz os outros virem a nós: é o de nos julgarem infalíveis nas respostas. Pensam que tudo devemos saber, tudo ver, tudo prever. Erro! Grande erro! Certamente, nossa alma não mais estando encerrada num corpo material, como um pássaro numa gaiola, lança-se no espaço; os sentidos dessa alma tornam-se mais sutis, mais desenvolvidos; vemos e ouvimos melhor, mas não podemos saber tudo, estar em toda parte, porque não temos o dom da ubiquidade. Que diferença haveria, então, entre nós e Deus, se nos fosse permitido conhecer o futuro e anunciá-lo pontualmente? Isto é impossível. Sabemos mais que os homens, certamente; por vezes podemos ler no pensamento e no coração dos que nos falam, mas aí se detém a nossa ciência espírita. Corrigi-vos, pois, da ideia de nos interrogar unicamente para saber o que se passa em tal ou qual parte do vosso globo, em relação a uma descoberta material, comercial, ou para serdes advertidos do que se passará amanhã, nos negócios políticos ou industriais. Nós vos informaremos sempre sobre o nosso estado, sobre nossa existência extracorpórea, sobre a bondade e a grandeza de Deus, enfim, sobre tudo quanto possa servir à vossa instrução e à vossa felicidade presente e futura, mas não nos pergunteis o que não podemos nem devemos dizer-vos.

CHANNING

Fonte:

Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – 1860 – Agosto – Ditados espontâneos e dissertações espíritas – Mascaradas humanas (Médium, Sra. Costel)

Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – 1860 – Agosto – Ditados espontâneos e dissertações espíritas – O saber dos Espíritos (Médium, Srta. Huet)

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