Perdoados, mas não limpos

Em nossas faltas, na maioria das vezes, somos imediatamente perdoados, mas não  limpos.

Fomos perdoados pelo fel da maledicência, mas a sombra que tencionávamos esparzir, na estrada alheia, permanece dentro de nós por agoniado  constrangimento.download (1)

Fomos perdoados pela brasa da calúnia, mas o fogo que arremessamos à cabeça do próximo passa a incendiar-nos o coração.

Fomos perdoados pelo corte da ofensa, mas a perda atirada aos irmãos do caminho volta  incontinenti, a lanhar-nos o próprio ser.

Fomos perdoados pela falha de vigilância, mas a pedra atirada aos irmãos do caminho volta, incontinente, a lanhar-nos o próprio ser.

Fomos perdoados pela manifestação de fraqueza, mas o desastre que provocamos é dor moral que nos segue os dias.

Fomos perdoados por todos aqueles a quem ferimos, no delírio da violência ma, onde estivermos, é preciso extinguir os monstros do remorso que os nossos pensamentos articulam,  desarvorados.

***

Chaga que abrimos na alma de alguém pode ser luz e renovação nesse mesmo alguém, mas será sempre chaga de aflição a pesar-nos na vida.

Injúria aos semelhantes é azorrague mental que nos chicoteia. A serpente leva consigo a peçonha que  veicula.

O escorpião carrega em si próprio a carga venenosa que ele mesmo  segrega.

***

Ridiculizados, atacados, perseguidos ou dilacerados, evitemos o mal, mesmo quando o mal assuma  a feição de dessa, porque todo mal que fizermos aos outros é mal a nós  mesmos.

Quase sempre aqueles que passaram pelos golpes de nossa irreflexão já nos perdoaram incondicionalmente, fulgindo nos planos superiores; no entanto, pela lei de correspondência, ruminamos, por tempo indeterminado, os quadros sinistros que nós mesmos  criamos.

Cada consciência vive e envolve entre os seus próprios  reflexos.

É por isso que Allan Kardec afirmou, convincente, que, depois da morte, até que se redima no campo individual, “para o criminoso a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é suplício cruel”.

(Reunião pública de 04.8.61 1ª. Parte, cap. VII, § 24)

Fonte:

Livro “A Justiça Divina”

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

Por:  Espírito Emmanuel

 

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