A SUPREMA EXCELÊNCIA DA CARIDADE

I Coríntios 13: 1-7,13;

João Ferreira de Almeida – RC; 

Evangelho Segundo o Espiritismo-

capítulo 15, item 6 página 259;

 

Quase todos os livros do Novo Testamento mencionam caridade ou amor. Ficamos com CARIDADE, definindo-a como Amor em Ação.

Aprendemos com Emmanuel que tudo é neutro. Como nos utilizamos de algo que é que vai torná-lo bom ou mau. Estudando a “suprema excelência da caridade”, de Paulo, entendemos que, findo um trabalho de assistência ao próximo (de qualquer tipo), não somos os mesmos, porque, conforme nos conduzirmos, a nossa situação será mais ou menos boa, espiritualmente, falando.

“1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. 3 E ainda que distribuísse toda minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada seria. 4 A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade.”

“AINDA QUE EU FALASSE AS LINGUAS DOS HOMENS E DOS ANJOS” – Ainda que não conhecesse barreiras idiomáticas, ainda que possuísse todo conhecimento das coisas humanas e espirituais, ainda que fosse um entendido de tudo objetivo ou subjetivo… A linguagem dos homens é articulada. A dos anjos é mental, e pode ser captada e sentida. Basta entrarmos em sintonia.

“E NÃO TIVESSE CARIDADE” – No caso, amor. Amor a Deus que não vemos: amor ao semelhante com quem convivemos. O sentimento antecede a tudo. Ao pensamento, à palavra, ao gesto, à ação. Se o sentimento é nobre (de amor), de caridade, tudo quanto fizermos estará impregnado disso. O amor como que perfuma, dá vida, constitui a razão de ser de cada coisa.  Não havendo caridade, é o ato só, passageiro, sem repercussão. Com caridade o ato “se transfigura”, ganha sabor de eternidade, encontra eco na Terra e no espaço. Repercute em todos os corações de igual vibração.

“SERIA O METAL QUE SOA OU COMO O SINO QUE TINE” – Batendo-se no metal, ele emite um som. O sino, então, é feito com tal finalidade. E há sinos grandes e pequenos. Alguns até célebres. Se, são mencionados, isso se dá pelas reminiscências que despertam, porque, na realidade, só fazem barulho. Se, tocam um sino ou ouvimos um cantor, o ultimo fala mais ao nosso coração, à nossa sensibilidade (de acordo com cada um) porque esse fala e sente, transmite a mensagem e “vibra”.

“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.” (I Co 13:2).

“E AINDA QUE TIVESSE O DOM DE PROFECIA” – O dom de profecia é a mediunidade. Existem numerosos tipos de mediunidade. Ainda que, por intermédio dela, pudéssemos conhecer as coisas do além, e entrar em contato com os espíritos, obtendo mensagens e conseguindo experiências extraordinárias… A mediunidade é conferida a cada um para ajudá-lo na própria libertação. Constitui valioso talento do qual deveremos presta contas.

“E CONHECESSE TODOS OS MISTÉRIOS” – Não há mistérios no sentido dogmático. Todas as verdades, mais cedo ou mais tarde, serão dissecadas. De fato, em decorrência da nossa ignorância, estamos cercados por mistérios.

“E DE TODA A CIÊNCIA” – Cultura intelectual. Pela ausência de sentimento, há muitos sábios transformados em verdadeiros monstros. Um médico, por exemplo, sem amor, trata apenas do corpo físico. Age como mecânico com relação a uma máquina.

“E AINDA QUE TIVESSE TODA A FÉ” – Conhecemos fé cega e consciente. Paulo se refere à consciente, fruto de estudo, investigação, reflexão, experiência. É a fé, a confiança do homem de laboratório. Ele sabe o que faz, como, por quê e para quê. Só com a participação do cérebro.

DE MANEIRA TAL QUE TRANSPORTASSE OS MONTES” – Fé esclarecida, capaz de contornar, superar e anular obstáculos (montes).

“E NÃO TIVESSE CARIDADE” – Ausência de amor:

  • Na mediunidade;
  • Na sabedoria;
  • Na cultura;
  • E na própria fé. Fé esclarecida, não iluminada.

“NADA SERIA” – Tudo isso muito pouca significação teria, porque o homem é alma imortal, e continuaria lhe faltando o verdadeiro alimento do espírito, que é o amor, colocado em circulação pela caridade.

“E ainda que distribuísse toda minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada seria.” (I Co 13: 3).

“E AINDA QUE DISTRIBUISSE TODA A MINHA FORTUNA PARA SUSTENTO DOS POBRES” – Sem nos inspirarmos na caridade, poderíamos distribuir todos os nossos bens, o objetivo, entretanto, dessa iniciativa não seria o benéfico do semelhante. Estaria ausente o amor a Deus e ao próximo. Só existiria o amor a nós mesmos, ou seja, o egoísmo, “a chaga da humanidade”. Estaríamos agindo assim para nos promovermos, tirarmos vantagens, recebermos provas de gratidão… Na realidade, não estamos ajudando alguém, mas comprando alguma coisa.

“E AINDA QUE ENTREGASSE O MEU CORPO PARA SER QUEIMADO” – De vez em quando os jornais dão noticias de pessoas que se imolam em praça publica em protesto por alguma coisa. Ora, se essas criaturas continuassem vivas, ajudando as causas que defendem, certamente seriam mais úteis. A colaboração é muito mais proveitosa do que o protesto. E mais eficiente também. Todo sacrifício só é valido se traz beneficio para alguém, como o bombeiro que se queima para salvar a vida de uma criança. Nisso há amor ao semelhante, enquanto nos outros casos pode existir até ódio ao próximo. Queimar o corpo é renunciar. E a renúncia sempre acompanha a verdadeira caridade.

“E NÃO TIVESSE CARIDADE, NADA DISSO ME APROVEITARIA” – Como vemos, a caridade é que confere alma às ações, porque, na sua ausência, todo proveito é transitório e temporal, valendo apenas para as limitações do mundo material. Chega a ponto de passar como irresponsável, ao distribuir a própria fortuna, e de ser apontado como suicida ao partir para o além de modo tão deplorável.

“A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece,” (Mt I Co 13: 4).

“A CARIDADE É SOFREDORA” – Todos os qualificativos atribuídos à caridade, devem caracterizar a ação de quem pratica essa virtude. Quando se diz que a caridade é sofredora, entende-se que todo aquele que se dispõe a praticar a verdadeira caridade está resolvido a sofrer resignadamente qualquer tipo de ação  e reação. Desde o fato de um menino pegar com a mão suja  em nossa roupa até a afronta de um adulto.

“É BENIGNA” – Benévolo; bondoso; ameno; amigável; brando. Toda pessoa carece de uma expressão de fraternidade. Se não atuamos assim, não consolidamos amizades, não anulamos antipatias, compramos brigas.

“A CARIDADE NÃO É INVEJOSA” – No trabalho da caridade, vamos ter notícias de muitas obras, de muitas iniciativas mais completas, mais valiosas, mais abrangentes. Não experimentamos, entretanto, qualquer tipo de sentimento inspirado na inveja. Continuemos a tarefa, fazendo o melhor dentro das nossas limitações, das nossas possibilidades. Importante é ter uma consciência tranqüila.

“A CARIDADE NÃO TRATA COM LEVIANDADE” – Não podemos agir irrefletidamente, nem seriedade, de modo precipitado. Assim, os espíritos não encontrarão meios de nos ajudar no trabalho. Vamos pensar nos problemas que vemos e ouvimos; levá-los a sério e buscar soluções amadurecidas. A dificuldade para nós pode ser simples, irrelevante mesmo; porém, para a criatura que passa por ela (dado o seu grau de evolução e de necessidade) é, de fato enorme, pode até estar esmagando-a…

“NÃO SE ENSOBERBECE” – Por mais importante e eficiente que seja o trabalho de que participamos, jamais devemos nos orgulhar.  Lembremo-nos sempre de que “a quem mais foi dado mais será pedido”. Maior, portanto, é a nossa responsabilidade. Quanto mais ampla a tarefa mais compromisso. Se nos tornarmos orgulhosos, afastam-se de nós os bons espíritos. E os encarnados também, porque ninguém gosta de gente assim. Convém ajudar, como se na realidade, fossemos nós os ajudados. Até em nos referindo ao trabalho, impõe-se o cuidado, para não permitirmos que a vaidade se insinue. Que, valorizando as nossas realizações, desestimulamos as iniciativas alheias. 

“não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;” (I Co 13:5).

“NÃO SE PORTA COM INDECÊNCIA” – É evidente que Caridade não se mescla com obscenidade e desonestidade. Por isso nem vamos mencionar esses aspectos. Temos ainda “indecência” com significado mais geral de “inconveniência”. Daí, a necessidade da oração e da vigilância, para evitarmos qualquer tipo de inconveniência. Há pensamentos, palavras, gestos, atitudes, ações inconvenientes. E os espíritos contrários à tarefa podem alertar os outros para as inconveniências e até exagerá-las… Só há caridade verdadeira com conduta reta. É o que Paulo afirma.

“NÃO BUSCA OS SEUS INTERESSES” – Para fazer caridade é imperioso sair de si mesmo, quebrar as prisões do egoísmo. Quando se procuram vantagens, a agente é filantropo, altruísta, mas não se faz caridade na acepção evangélica do termo. Caridade é fazer o bem por amor ao próprio bem.

“NÃO SE IRRITA” – Vejamos os sinônimos: encolerizar; exacerbar; impacientar; encolerizar-se; irar-se; exasperar-se. Quem se irrita não tem olhos para ver e considerar as necessidades alheias. Incapacita-se para ajudar. Torna-se joguete nas mãos de espíritos menos esclarecidos. Se, corremos o risco de perder a paciência, é preferível mudarmos de tarefa, buscando uma que exija menos. Não nos esqueçamos de que procuramos ajudar espontaneamente o próximo. Que o semelhante, muito mais do que o nosso óbolo material, precisa do concurso da nossa exemplificação.

“NÃO SUSPEITA MAL” – Devemos abolir a duvida, a desconfiança, os julgamentos, as suposições. Porque uma pessoa está mais bem vestida e calçada não quer dizer que não carece de auxilio. Às vezes, herdou roupas e calçados de defunto recente… Freqüentemente tem onde morar, mas precisa do que comer. Comumente tem aparência saudável, contudo, é portadora de enfermidades complicadas que a impedem de trabalhar. Se pessoa de outro sexo se aproxima, já enxergamos interesses escusos. Assim, não se faz caridade, antes nos comprometemos na realização do trabalho de assistência aos semelhantes.

“não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;” (I Co 13:6).

“NÃO FOLGA COM A INJUSTIÇA,” – Folgar; regozijar-se. Vamos encontrar no trabalho da caridade muitas pessoas injustiçadas. Mas só na aparência, porque, tendo em vista que o Pai é Bom e Justo, as leis da reencarnação, do livre arbítrio e de causa e efeito; percebemos que tudo tem sua razão de ser. Se não se encontra na vida presente, está no passado mais ou menos próximo. Não podemos nos regozijar com a injustiça, contudo podemos ver que há pessoas pagando, ressarcindo, que devemos considerar felizes. Outras existem que, por falta de vigilância, resolvem cobra, transformando-se, assim, em agentes da justiça, infelizmente. Oremos pelas primeiras, a fim de que continuem vitoriosamente o seu processo de resgate. Oremos também pelos que cobram, a fim de que abandonem tão lamentável função. Todo cuidado é pouco para não assumirmos também o papel de cobradores. A lei de causa e efeito tem mil modos para fazer-se sentir. Os desastres, por exemplo, não envolvem executores, debitando tudo à imperícia, imprudência ou falhas mecânicas.

“MAS FOLGA COM A VERDADE” – Alegra-se, regozija-se com a verdade, considerando principalmente que é o agente por excelência de libertação das criaturas. Não podemos nos esquecer de que a verdade absoluta está com Deus. Nós possuímos verdades relativas, que vão se ajustando na proporção de nossa evolução. A verdade nos faz ver e sentir e, conseqüentemente, mudar de estado íntimo.

“tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (I Co 13:7).

“TUDO SOFRE” – O verdadeiro amor a Deus e aos homens, a caridade, quando se instala em nosso coração, abre-nos o entendimento. Assim, a criatura está disposta a passar por qualquer coisa, sabendo que ou se reajusta ou se eleva. Não vê prejuízos, mas só vantagens em tudo que lhe possa ocorrer de menos bom. Só enxerga a força do bem, que muitas vezes é regado com lagrimas e sangue.

“TUDO CRÊ” – Devemos partir do principio de que ninguém nos ilude. Cada um se ilude a si mesmo. Três proposições de Paulo esclarecem bem a questão, passemos à transcrição.

                “Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar

                a nós mesmos”. (Romanos 15:1);

                “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a Lei do Cristo”. (Gálatas 6:2);

                “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos,

                Aptos para ensinar, sofredor.” (II Timóteo 2:24).

“TUDO ESPERA” – Qualquer reação, por mais inesperada que seja, não deve constituir novidade. Todos estamos em evolução e ainda muito próximo do instinto, da animalidade. Tudo pode acontecer, e se acontece o melhor, fiquemos alegres. Se ocorre o pior, perseveremos no bem, na caridade. Por outro lado, entre a semeadura e a colheita, leva algum tempo. É preciso esperar, ajudando a planta, a germinar, crescer, florir e frutificar.

“TUDO SUPORTA” – Haja o que houver o que deseja ser caridoso não perde a alegria e o entusiasmo em ajudar o semelhante. Pensemos no que Jesus suportou quando esteve em carne junto de nós, e veremos que aquilo que nos toca é bagatela. Nós costumamos supervalorizar os problemas, as questões, as dificuldades (fato extremamente prejudicial) porque, além de distorcer a realidade, ainda compromete o nosso bom animo. E por isso muita gente tem parado no meio da jornada.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade.” (I Co 13:13).

“AGORA” – Sentido de eterno presente. Ontem, hoje, amanhã;

“POIS” Conjunção que nos encaminha para uma conclusão;

“PERMANEÇAM” – Continuar, insistir, persistir, ficar, durar, apesar de tudo;

“A FÉ” Primeiramente cega; depois esclarecida pelo conhecimento e a vivência. Quando alguém sente algo, pode todo mundo lhe dizer que é diferente, que não adianta. Fé, confiança em Deus, em Jesus, nos seus mensageiros, no semelhante e em nós mesmos. A fé está presente em tudo. Quando tomamos um ônibus é porque confiamos no motorista e na máquina. Quando nos sentamos à mesa para almoçar, estamos confiando que o nosso aparelho digestivo está em condição de desempenhar as suas atribuições.

“A ESPERANÇA” Temos fé, por isso nos entregamos ao trabalho, mas entre a semeadura e a colheita, leva tempo, daí a importância da esperança. Fazemos o que nos compete, o que está ao nosso alcance, e esperamos que Deus faça  o resto. Por isso, devemos sempre analisar o móvel do nosso esforço. Inclusive se estamos batendo à porta certa; percorrendo o caminho mais indicado… A esperança de nos tornar melhores nos motiva e dá energias para o labor de agora..

“E A CARIDADE” Já citado, ao estudarmos o primeiro versículo.

“MAS, A MAIOR DESTAS É A CARIDADE” – Maior porque traz as duas outras virtudes implícitas. De fato, só se dedica à Caridade, ao amor em ação, quem tem Fé e Esperança. Fé na força do bem e na certeza do resultado. E, como todo resultado demanda tempo, pois é (como o próprio nome indica), resultado, conseqüência, exige o concurso da esperança.

Nós os espíritas, devemos ter todo empenho na prática da Caridade, já que nossa Doutrina possui como lema: “Fora da CARIDADE não há salvação”.

Belo Horizonte, 12-12-1978.

Evangelho por Sobral. Vol1.

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