A parábola da candeia – Evangelho do Sobral

Lucas 8:16-18;

João Ferreira de Almeida – RC; 

Evangelho Segundo o Espiritismo –  capítulo 24 itens 1 e 2;

 “16E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz. 17Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que haja de saber-se e vir à luz. 18Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” (Lc 16-18). 

 “PARÁBOLA – É a história que, envolvendo gente, coisas e animais, se procura dar um ensinamento de ordem moral. É universal porque trata de coisas e ocorrências comuns a todos. É atual porque em qualquer época podemos extrair dela algo para nossa edificação. Preserva o ensinamento, porque, se hoje não lhe damos valor, julgando-a pueril, amanhã, quando mais evoluídos – com olhos de ver – nela enxergaremos algo. E, à medida que evoluirmos mais, iremos penetrando à sua lição.

PASSEMOS À ANÁLISE DOS VERSÍCULOS:

“E NINGUÉM – Sem exceção, não importa quem, quando e onde.

“ACENDENDO – É um gerúndio, um eterno presente, tal qual o processo de evolução das criaturas. Para a candeia ser acesa, precisa de combustível e pavio. E ambos se gastam. Lembra a vontade, o trabalho e a perseverança necessários à aquisição de qualquer conhecimento ou experiência. quem acende uma candeia ou qualquer fonte de iluminação é o primeiro a se beneficiar. A luz lembra o conhecimento, a fé esclarecida, que podem variar de intensidade. O sábio pode iluminar o mundo com os seus conhecimentos; o santo, com as suas virtudes. Devemos igualmente fazer luz interior, para eliminar as trevas do erro que lá se encontram.

“UMA CANDEIA – Mudaram os processos de iluminação, dando a entender que tudo evolui. Espiritualmente nos recorda o fato de que não podemos parar, nos dar por satisfeitos, como “realizados”. O conhecimento satisfatório ontem; hoje se encontra todo ou quase superado. É como se pretendêssemos dirigir um carro moderno, numa estrada, á noite, dispondo apenas da luz de uma candeia. Respeitamos quem tem pouca luz. Acendamos a nossa, para nosso beneficio e dos circunstantes. E’ vendo a luz maior dos outros, que nos conscientizemos das nossas limitações em todos os campos do aprendizado.

“A COBRE – Pôr alguma coisa por cima, velar. Em se tratando de luz, revela egoísmo altamente prejudicial a nós mesmos e ao próximo. A nós pelos motivos que os levam a agir desse modo, sempre menos louváveis. Ao próximo porque retarda a sua evolução, que, em última hipótese, também viria a nos beneficiar.

“COM ALGUM VASO – Acender uma luz, para em seguida cobri-la é contra-senso. Por ausência de oxigênio, ela corre o risco de se apagar. Conhecimento que não circula fica fora de moda; não cresce com os juros e correção monetária das trocas de idéias. O evangelista Marcos (4:21) escreveu; “debaixo do alqueire, ou debaixo da cama”.

“ALQUEIRE – Medida de capacidade – 9 litros. Medida lembra calculo. É o homem-computador de nossa época, que só se move, só faz algo por interesse egoístico, colocando seu conhecimento e experiência a serviço exclusivo do calculo. Só pensa em juntar, multiplicar, tirar vantagens de todas as situações.

“OU A PÕE DEBAIXO DA CAMA – É uma aberração acender uma candeia, um foco de luz e colocá-lo debaixo da cama. Muitos, contudo, o fazem, pondo sua fé e conhecimentos a serviço do próprio comodismo. Se o do calculo pensa em vantagens monetárias; o da cama só se importa com o bem-estar. Exemplificando: Se o primeiro “vende” a mediunidade; este gosta das festas, das atenções, das gentilezas, dos agrados. A ambos será perguntado o que fizeram de valioso talento do conhecimento.

“MAS PÕE-NA NO VELADOR” – “Velador: suporte vertical de madeira, o qual assenta numa base ou pé e termina, no alto, por um disco onde se põe um candeeiro ou uma vela.” Quanto mais alto for colocada uma lâmpada maior será o seu raio de ação. Conhecimento colocado ao alto revela sua natureza superior, sob influencia espiritual de igual nível. E o velador é o lugar para se colocar a fonte de luz. Se, fixa, a luz revela o local em que nos encontramos; se à frente em movimento, guia. Conhecimento e experiência postos a serviço da coletividade, de encarnados e desencarnados.

PARA QUE OS QUE ENTRAM VEJAM A LUZ – Se estamos num cômodo, todos os que entram são iluminados. Encontramo-nos todos sob as limitações da reencarnação na Terra, um mundo de provas e expiações. E diariamente estão tomando um corpo de carne novos espíritos – não podemos furtar-lhes a luz do conhecimento e da experiência que já adquirimos. É dando que recebemos. Daquilo que lhes oferecemos é que teremos em troca. Toda humanidade está em evolução. E os homens estão vindo de estágios inferiores para superiores – e ai de nós se retardarmos a sua evolução, isso nos custará muito caro, inclusive com as suas possíveis reações menos felizes. Eduquemos para recebermos de retorno reações educadas dos que nos cercam. Encarceremos o conhecimento e, fatalmente, teremos a reação da ignorância, de proporções incalculáveis. É a lei de causa e efeito.

“Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que haja de saber-se e vir à luz.” (Lc 8:17).

PORQUE NÃO HÁ COISA OCULTA QUE NÃO HAJA DE MANIFESTAR-SE – Certo. Porque o que está oculto assim permanece em decorrência da nossa ignorância. Tanto é assim, que Paulo escreveu: “mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará”. (2Co 3:16). Nisso está a justiça e a misericórdia. Justo, porque ainda não temos capacidade; misericórdia porque como vemos, um conhecimento ao alcance de alguém inabilitado só problemas lhe traz. Daí a citação: ”converteram ao Senhor” – de um sentimento reto, de um coração voltado para o bem, tudo será utilizado de modo justo. É também um processo evolutivo, de aquisições paulatinas e progressivas.

“NEM ESCONDIDA QUE NÃO HAJA DE SABER-SE E VIR À LUZ” – Não adianta esconder. Não se pode esconder algo de todos nem por muito tempo. É a Lei da evolução. O que é verdade, mais cedo ou mais tarde se universalizará. Há encarnados e desencarnados  para divulgá-lo em todas as partes do mundo. Por outro lado, os espíritos um pouqui8nhos mais evoluídos do que nós penetram a intimidade  dos nossos pensamentos. Com relação às pessoas, nós as conhecemos não pelas ações, mas pelas reações, que são espontâneas, legítimas, reveladoras. Ver o Livro dos Espíritos na questão 977. a mente como um livro aberto. Se pensássemos mais que assim é, isso muito influiria em nossa vida, levando-nos a evitar pensamentos e atos escusos, que alimentamos, supondo que ninguém está vendo.

“Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” (Lc 8:18).

“VEDE, POIS, COMO OUVIS – Advertência quanto a responsabilidade. O que ouvimos de menos bom deve ser imediatamente rejeitado, posto fora. O que ouvimos de útil deve ser guardado, meditado, exemplificado. Uma vez advertidos, não temos desculpas.

“PORQUE A QUALQUER” – Não se refere a quem não diz o nome, a ração, A profissão. Qualquer.

“QUE TIVER” – Precisamos ver o que temos e o que não temos. Temos o que se incorpora se nosso patrimônio espiritual. O que trazemos e levamos conosco, quando partimos deste mundo. Possuímos o que é espiritual. O bem e o mal que trazemos conosco. A inteligência, a virtude e assim por diante. Os vícios, também. E o que possuímos é intransferível. Exemplo: A mãe humilde pode desejar transferir um pouco dessa virtude a seu filho orgulhoso, todavia não consegue. Somente pode falar aconselhar para que se esforce no sentido de obter essa qualidade. O que temos permanece conosco. O que detemos é provisório, temporário, externo; sujeito a prestação de contas, pois não passamos de mordomo, de usufrutuários. Tudo é MEIO e não FIM.

“LHE SERÁ DADO” – Futuro (será). Em decorrência. Quanto mais temos, mais facilidade experimentamos em aumentar, multiplicar. Espiritual ou materialmente falando. Há um ditado que assevera: “As águas correm para o mar”. Em matéria de idiomas, conhecendo alguns, mais facilidade encontramos para dominar outros. Uma vitoria sobre uma tendência negativa, um tentação nos dá forças, condições para novas vitórias…

“E A QUALQUER QUE NÃO TIVER” – Se temos o que é espiritual, o que se incorpora ao nosso espírito tudo quanto está de fora, nós não temos. Às vezes, até com relação à virtude, nós parecemos possuir. Quando agimos, o fazemos premeditadamente; quando reagimos, percebemos quanto estamos distantes das virtudes que desejamos apresentar. Isso, se a nossa reação é negativa.

“ATÉ O QUE PARECE TER” – o verbo parece lança luzes sobre a questão, o que parece não é real. É ilusão. Miragem. Produto da auto supervalorização.

“LHE SELRÁ TIRADO – Sim, porque se na iminha ignorância, presumo ser ou ter algo, na hora da aferição de valores, me conscientizo da minha realidade ou, então, ao deixar a terra, pelas portas da desencarnação, noto que me foi tirado aquilo que julgava ser meu. Seguindo esse raciocínio, com relação as coisas materiais, o que possuímos não passa de empréstimo. Não damos nada a ninguém: passamos adiante. Ao desencarnar não deixamos nada para ninguém; somos obrigados a abandonar.

 

Belo Horizonte, 4-5-1978.

 

 

                        “Evangelho Segundo o Espiritismo” – capítulo 24, itens 1 e 2

“Em suma, é possível identificar o espírita como um companheiro de Jesus Cristo na experiência humana, que nem sempre faz aquilo que quer, mas faz constantemente aquilo que deve.”

“Caminho Espírita”

Albino Teixeira

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