Eutanásia e Espiritismo – Martins Pervalva

P. – É lei da natureza o instinto de conservação?

R. – Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência.

        Nuns, é puramente maquinal, raciocinado em outros. Item 702

 Ante o catre da enfermidade mais insidiosa e mais dura, brilha o socorro da infinita Bondade facilitando, a quem deve, a conquista da quitação    Emmanuel

Nas tramas da existência humana, razões tenebrosas, como a ambição e o temor, a perversidade e o materialismo, bem assim outras de natureza passional, têm expulsado de milhares de corpos Espíritos que neles deveriam permanecer mais longo tempo.

Na meia luz de alcovas sinistras, ocultos por cortinas de luxo em mansões suntuosas, corações em desequilíbrio têm ministrado a droga suave, de permeio como melífluas palavras, no afã da posse de vultosas heranças, minando, a pouco e pouco, organismos que a enfermidade vai combalindo e aproximando da sepultura.

O temor de que hediondos segredos possam vir a lume, responde, igualmente, por centenas de casos de eutanásia, impedindo, assim, comprometedoras revelações.

Na eliminação de adversários, em assuntos passionais, corações invigilantes ocasionam, por seu turno, processos eutanásicos.

O ódio e a vingança, em sombrio conúbio, têm cortado ao meio existências que floriam na esperança.

O simples e bem-intensionado desejo de beneficiar alguém que a enfermidade incurável vai tornando carga pesada a outrem, responde, sem dúvida, pelo maior número de homicídios eutanásicos.

A tese de que “os enfermos incuráveis, de corpo ou de espírito, deveriam ser eliminados em nome da sociedade, para que esta se aliviasse de um peso morto”, enfeixando concepção puramente materialista, por conseguinte repulsiva, é, na opinião de Nélson Hungria, o grande nove da Penologia brasileira, “o calculado sacrifício dos desgraçados em holocausto ao maior comodismo dos felizes”.

O materialismo, não admitindo a existência da alma, erigiu o falso conceito, essencialmente egoísta, das chamadas “vidas inúteis”, eliminando-as, friamente, por considerá-las onerosas à sociedade.

Podem chover argumentos em favor da eutanásia, o que não impede, à luz redentora do Espiritismo, sejam os seus responsáveis assassinos que a Justiça do mundo nem sempre pune, mas que a de Deus registra, identificando-os na contabilidade divina, com vistas a dolorosos resgates, em amargas expiações no futuro, atenuadas, ou agravadas, pela Lei, segundo as suas motivações.

A eutanásia, em suma, é sempre uma forma de homicídio, pelo qual os seus autores responderão no porvir, em grau compatível com as suas causas determinantes.

Quem pratica a eutanásia, por melhores sejam as intenções, inclusive piedosas, comete crime de lesa-natureza, à vista do instinto de conservação inerente às criaturas de Deus.

Os Espíritos foram muito claros, ao responderem aos quesitos formulados por Allan Kardec nessa admirável obra, que é “O Livro dos Espíritos”.

Emmanuel, o iluminado Mentor de Francisco Cândido Xavier, além do expressivo apontamento no pórtico deste capítulo, não deixa dúvidas, em nenhuma de suas mensagens, quanto à necessidade de que seja vivido o último instante dos seres encarnados: “Por isso mesmo, nas próprias moléstias reconhecidamente obscuras para a diagnose terrestre, fulgem lições cujo termo é preciso esperar, a fim de que o homem lhes não perca a essência divina.

Podemos avaliar a extensão da responsabilidade dos que executam a eutanásia, principalmente quando as razões se fecundam no crime, no temor de revelações comprometedoras, em causas passionais, na perversidade e no atendimento a concepções oriundas de filosofias materialistas.

O espírita, na verdade, tem uma paisagem diferente, mais ampla, mais rica, para examinar o tema “eutanásia”, pois conhece ele as conseqüências, morais e psíquicas, que atingem a quantos, por este ou aquele motivo, exterminam, antes do tempo previsto pelas Leis Divinas, a vida física dos seus irmãos de jornada terrena.

Sabemos nós, os espíritas, que a renovação espiritual, conseqüente ao arrependimento, pode vir no último instante.

Temos ciência, resultante do entendimento doutrinário-evangélico, de que a interrupção, pela eutanásia, de provas necessárias ao Espírito reencarnado prejudica-o, substancialmente.

Vige, especificamente, uma conseqüência geradora de sofrimento, se a vítima não possui acentuado gabarito evolutivo: a demora na ruptura dos laços perispirituais que prendem a alma ao envoltório carnal, ocasionando problemas no após-morte.

Justo, no entanto, alinhemos outros efeitos, não menos desagradáveis.

  Reabilitações penosas, em reencarnações de sofrimento, para os responsáveis pela eutanásia.

Processos de perturbação e obsessão, nos lares, produzidos pela revolta daqueles que a eutanásia assassinou.

Flagrante desrespeito às Leis da Vida, que prevêem, para cada ser humano, determinada cota de vida corporal.

São conseqüências de ordem doutrinária, que o espírita não desconhece, porque facilmente dedutíveis de tudo quanto sobre o assunto disseram os Espíritos desde a primeira hora da Codificação de luz, pronunciamentos que se complementam, em nossos dias, através de lúcidas mensagens de abnegados Mensageiros da Vida Superior, entre eles, de maneira especial, Emmanuel e André Luiz, graças à missionária mediunidade de Francisco Cândido Xavier.

Quando enfermo abrevia, ele próprio, a desencarnação, quer promovendo-a ou consentindo que outrem o faça, demonstra “falta de resignação e de submissão à vontade do Criador”.

Allan Kardec, buscando aclarar o problema, indagou dos Benfeitores Sublimados: “Quais, nesse caso, as conseqüências de tal ato?”

E eles responderam: “Um expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias.”

Emmanuel, além do primoroso conceito por nós colocado na abertura deste capítulo, realça a importância da continuidade da vida física, mesmo sob o guante dos maiores sofrimentos: “Quando te encontres diante de alguém que a morte parece nimbar de sombra, recorda que a vida prossegue, além da grande renovação…”

Lembra-nos, ainda, o bondoso Amigo Espiritual: “Não te creias autorizado a desferir o golpe supremo naqueles que a agonia emudece, a pretexto de consolação e amor, porque, muita vez, por trás dos olhos baços e das mãos desfalecentes que parecem deitar o último adeus, apenas repontam avisos e advertências para que o erro seja sustado ou para que a senda se reajuste amanhã.”

Cuidar, quanto possível, de parentes e amigos que parecem se avizinhar da morte, na enfermidade misteriosa, é dever de todos nós que entendemos a existência física por divina concessão, para refazimento do destino, desta ou daquela maneira, inclusive na aflição da moléstia insidiosa, diante da qual os sacerdotes da medicina terrestre possam, eventualmente, ter  cruzado os braços…

Recursos da cirurgia.

Providências clínicas.

Medicamento e consolação.

Solidariedade e conforto.

Tranqüilidade e afeto, no silêncio caridoso…

Tudo isso são meios que o Pai concede e a misericórdia aconselha para que o irmão imobilizado no leito nos observe, reconfortado, a dedicação e o interesse, sem que permitamos pouse em nossa mente a trágica idéia de suprimir-lhe, com a eutanásia, o sagrado direito à vida.

A existência física é abençoado ensejo para a cura da alma, assegurando-nos, agora ou amanhã, a reabilitação e o crescimento para Deus, na compreensão e prática de Suas Leis de Amor.

Fonte: Pensamento de Emmanuel. FEB

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