Para as crianças

Esta página se destina a todos os trabalhadores de Jesus, pais, crianças e jovens que acreditam ser possível, através da Evangelização Espírita infantil, plantar sementes de amor, caridade, perdão, paz, alegria. Tem como objetivo compartilhar textos, trocar experiências, incentivando o amor e a dedicação na tarefa evangelizadora da Seara de Jesus.

 

 



 

 

 

 

Encontre os sentimentos que fazem parte dos laços que unem pais e filhos.

 

 

 

 

 

 

 

A D E R T C W P O C
M A S D R A F E T O
I F X C E R H R R O
Z E A A S I B D H P
A T A Y P N H A H E
D O M T E H T O Y R
E D O R I O E S E A
R G R A T I D A O Ç
Y F H E O A T H F A
P A C I E N C I A O
E C O N F I A N Ç A

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 


 

Laços de amor


Joane chegou da escola, não falou com ninguém e logo foi para o quarto. A mãe estranhou a atitude da filha, que sempre chegava alegre, contando o que havia acontecido naquele dia.

A menina sabia, desde bebê, que era adotada. Joane lembrava que a mãe havia contado que ela não tinha nascido da sua barriga, como os outros bebês, que tinha vindo do hospital bem pequenina, pois eles desejavam muito uma filhinha. Mas, ouvir de seus colegas que ela não era filha de verdade, porque era adotada, doía muito.

Depois de um tempo, resolveu contar à mãe o que havia acontecido.

- Você é nossa filha, sim. – disse a mãe, abraçando a garota. E de verdade. Eu e seu pai pedimos muito a Deus que Ele nos permitisse ter uma filha. Então nos preparamos para receber você: escolhemos seu nome, compramos roupinhas para você e quando estava perto de você chegar, contamos aos amigos que teríamos um bebê.

- Mas por que eu não nasci da sua barriga, como as outras crianças?

- Não sei minha filha – disse, sinceramente, a mãe. Você não nasceu da barriga, mas cresceu no nosso coração. Às vezes, Deus tem um jeito “diferente” de unir os pais e os filhos. Os laços mais importantes não são os de sangue, mas sim os laços de amor, que se formam no coração. E eu e teu pai te amamos muito – concluiu, abraçando novamente a filha.

A garota pareceu compreender, pois um sorriso apareceu em seu rosto.

Minutos depois, enquanto observava a filha andar de bicicleta, Dona Ana teve certeza que Joane está, aos poucos, compreendendo que a adoção é só um jeito diferente de unir Espíritos que já se encontram ligados por laços espirituais. E que ela e o marido combinaram, no Plano Espiritual, que reencarnariam e que juntos receberiam Joane como filha, por laços de amor.

Claudia Schmidt



Lição da floresta


A Floresta Azul é um lugar muito bonito. Há muitas árvores, grandes e pequenas, flores coloridas por todos os lugares. Lá moram muitos animais mas, ultimamente, quase não se vê ninguém brincando na Floresta ou passeando no lago.

O Leão, Rei da Floresta, um dia saiu para visitar alguns amigos. Logo ele percebeu que seu reino estava triste e que todos pareciam muito ocupados. Chamou sua Ministra Coruja e perguntou o que estava acontecendo.

- Estão todos ocupados, preparando chocolates e ovos para a Páscoa.

O Rei não entendeu, afinal, para ele a Páscoa não era feita apenas de chocolate, mas de união e alegria.

Ele resolveu, fazer uma reunião e chamou todos os animais da Floresta. Vieram todos, incluindo a Dona Onça, Seu Jacaré e a Preguiça, que chegou atrasada, mas veio.

- Meus caros amigos, disse o Rei, acho que estamos esquecendo do verdadeiro significado da Páscoa. Alguém sabe o que comemoramos nesta data?

- Comemoramos o coelhinho com chocolates, disse o Macaco rindo. Mas logo parou, porque Dona Elefanta olhou séria para ele.

- Lembramos o aparecimento de Jesus, em espírito, provando que o espírito continua vivo após a morte do corpo físico, ensinou a Girafa.

- É verdade disse o Rei Leão. Podemos até trocas presentes, mas isso não deve ser o mais importante.

- O que realmente importa é ter atitudes de amor, amizade e paz para com todos – completou a Ministra Coruja.

Todos entenderam que estavam preocupados demais com a festa, com os chocolates e que acabaram esquecendo de conviver com os outros animais e praticar as boas atitudes ensinadas por Jesus.

Naquele ano, a Páscoa na Floresta Azul foi um momento muito especial, sem presentes, mas com muita alegria e amor entre os animais. Jesus, no plano espiritual, que tudo observava, ficou contente porque eles entenderam o significado da Páscoa.

BIS nº 29 – abril de 2001


No final da história, o Macaco entendeu o verdadeiro significado da Páscoa.
Com um lápis de cor preta, desenhe a metade que falta do macaquinho usando os quadrinhos como guia.


Mãe, me dá um celular?


– Mãe, me dá um celular?- é Lara, novamente pedindo à mãe a mesma coisa.

- Filha, nós já conversamos sobre isso…

- Mas, mãe, eu preciso muito de um… insiste a garota.

- Será? Vamos fazer um teste? Tome caneta e papel. Você vai anotar tudo o que você acha que precisa ter. – desafiou Dona Carla.

No dia seguinte, a lista de Lara estava enorme. Influenciada pelos comerciais na TV e pelos amigos, ela queria o celular, mas também canetas aromáticas, xampu Y, roupas da marca X, diversos brinquedos e muitas outras coisas.

- O passo seguinte do teste – explicou a mãe – é riscar todas as coisas que você acha que não temos dinheiro para comprar. Lembre-se: temos que pagar a conta de água, de luz, o aluguel, a sua escola, comprar comida…

- Entendi, mãe – Lara interrompeu.

Ela começou, então, a riscar. Tirou da lista as roupas da marca X, e as botas Z, e muitos outras coisas, pois eram muito caras.

O item seguinte era avaliar a utilidade, explicou Dona Carla. Pra que serviam mesmo as canetas aromáticas? Assim, muitas coisas foram tiradas da lista porque Lara já tinha, como uma mochila para ir à escola. A lista diminuiu bastante.

- Certo, disse a mãe. O próximo passo é riscar tudo o que você quer só porque os outros têm ou porque está na moda.

Ao final, não restaram muitas coisas na lista. Foi quando Dona Carla perguntou:

- O que restou são coisas realmente importantes para você?

A garota ficou pensando…

- Você percebeu, filha, que achamos que precisamos de coisas que não são realmente necessárias, úteis ou importantes?

- Mas precisamos de muitas coisas para viver… argumentou a garota.

- É verdade, concordou a mãe. Mas, às vezes, imaginamos que precisamos muito de coisas inúteis ou que não podemos comprar. Não é errado querer ter conforto e aproveitar as coisas que temos. Mas o principal objetivo da vida não é adquirir coisas materiais.

- A gente vale pelo que é, não pelo que tem – lembrou a garota.

- Isso mesmo, disse Dona Carla com carinho. Cada pessoa deve ser amada pelo que é e pelo esforço que faz para possuir as virtudes ensinadas por Jesus: amor, paz, perdão, caridade… A verdadeira felicidade independe do que se pode comprar, porque ela vem da paz e do amor que temos no coração.

Quanto ao celular, elas combinaram que Lara não ganharia o aparelho apenas porque está na moda ou os seus colegas têm. Mas, quando ela tiver realmente necessidade de um, se seus pais puderem comprar, ela terá o telefone, sim.

 

Cláudia Schmidt


 

Meu amigo Ricardo


– Mãe, como será que o Ricardo está?

O Ricardo era meu melhor amigo. E continua sendo. Só que, há pouco tempo, ele voltou a viver no Mundo dos Espíritos.

- O que você acha Rafa? – perguntou minha mãe.

Eu me lembrei, então, das longas conversas, em casa, sobre a vida espiritual; das aulas de evangelização infantil e dos livros espíritas que já tinha lido: os recém-desencarnados sempre são ajudados (mesmo quando estão tão confusos que não percebem a ajuda) e respondi:

- Acho que ele está na companhia de muitos amigos espirituais.

- E deve estar mesmo, filho! – mamãe concordou. – Quando deixamos nosso corpo físico vamos, em espírito, morar em lugares que merecemos. Tudo de acordo com nossas atitudes, pensamentos e sentimentos. E o Ricardo era bem legal, né?

Mamãe tinha razão. O meu melhor amigo não era perfeito (afinal, ninguém é), mas se esforçava muito para fazer as coisas da melhor maneira possível. E era um amigão! Estudávamos juntos, brincávamos, e ele sempre me animava quando eu estava triste…

Continuei pensativo… Fiquei imaginando como as crianças vivem no Plano Espiritual. Fiz muitas perguntas a minha mãe, que respondia de acordo com o relato que os espíritos fazem, através dos médiuns:

- As crianças, Rafa, têm cuidado especial na Pátria dos Espíritos. Vivem em companhia de outras crianças, também estudam e participam de muitas atividades. Compreendem aos poucos e com tranqüilidade a nova vida, livre do corpo de carne.

- Mas, mãe, elas não sentem saudades dos pais, da família, dos amigos, dos brinquedos e das coisas da Terra?

- Claro que sentem! Mas aprendem que estão em uma nova e importante etapa da vida. De vez em quando podem visitar a família e os amigos, mesmo durante o dia. À noite, seus familiares também podem visitá-los, em espírito, durante o sono. Quanto às coisas da Terra, algumas crianças, no início, sentem falta, às vezes, dos brinquedos favoritos, de sorvete, de chocolate, enfim daquilo que gostavam! Mas logo entendem que não precisam mais dessas coisas.

- Sabe, – continuou a mãe – a maioria das crianças continua crescendo, porém mais rápido. E ficam com a “idade” que mais gostam: adultas ou mais jovens…

Continuamos conversando ainda um tempão… E fiquei tranqüilo em saber que Ricardo estava rodeado de amigos! E que todos nós, os amigos e a família dele, iremos nos reencontrar um dia…!

Letícia Müller
Seara Espírita nº 64 – março de 2004


 

Milagres?


O trabalho da escola com o título “Os milagres de Jesus” não estava concluído. Mônica e Antônia escreveram sobre as inúmeras curas de Jesus, citaram algumas, como a cura dos dez leprosos e do paralítico de Betsaida, mas parecia que ainda faltava alguma coisa.

- Por que as pessoas não conseguem realizar curas como as feitas por Jesus? – indagava-se Mônica.

Antônia não sabia a resposta. Mas ela lembrou da sua tia Amália, que também era evangelizadora espírita, e que em outras oportunidades já havia ajudado nos trabalhos da escola.

Encontraram Amália, que era química, trabalhando em uma farmácia de manipulação. Enquanto falavam de suas dúvidas, a tia manipulava uns tubos de ensaio.

De repente, sem dizer nada e sem avisar, a tia derramou um líquido cor de rosa em seu avental branquinho.

As meninas tomaram um susto! Por que ela havia feito aquilo? Seu avental ficaria manchado de rosa!

Mas Amália, ao invés de explicar o ocorrido, disse apenas:

- Jesus não realizou milagres.

As garotas se olharam. O que estaria acontecendo com tia Amália? Primeiro o líquido rosa no avental e agora essa afirmação… Mas ela continuou:

- Milagre é um acontecimento extraordinário, que vai contra as leis de Deus. Antigamente, as pessoas não tinham os conhecimentos que temos hoje e entendiam como milagres as curas e os fenômenos extraordinários realizados por Jesus, porque não conseguiam explicar de outra maneira.

- Mas, então, como explicar as curas feitas por Jesus? – quis saber Antônia.

- Jesus curou pessoas, afastou Espíritos perturbadores, fez profecias. – explicou a tia. Ele também usou a telepatia, que é a transmissão do pensamento à distância, e a clarividência, ou seja, ver sem usar os olhos físicos, vendo a distância e através dos corpos. Fez tudo isso manipulando energias, através de seu pensamento e vontade, porque é um Espírito superior e tem conhecimentos que os homens daquela época não tinham.

As meninas ouviam atentamente. Amália continuou:

- Ele realizava esses feitos para ajudar as pessoas e para que elas compreendessem que ele tinha uma missão muito especial, que era divulgar o amor e a caridade. Mas para merecer a cura era necessário ter fé e disposição para se melhorar, por isso Jesus dizia: Tua fé te salvou.

Neste momento, Mônica olhou para o avental de Amália. Para espanto das meninas, a mancha rosa havia sumido!

- Não é um milagre, não! – foi logo explicando tia Amália. É apenas algo que vocês não sabem explicar. Viram como é fácil chamar de milagre o que não compreendemos? Eu apenas joguei determinados componentes químicos, em certa dosagem, que quando secam, evaporam, desaparecendo a mancha colorida.

- Legal! – disseram as garotas em coro.

Beijaram a tia, agradecendo a lição. Quando retomaram o trabalho da escola, mudaram o título: “Jesus não fazia milagres”.

Claudia Schmidt



Mudar para melhor


Pedrinho era um menino preguiçoso. Tinha preguiça de estudar, de ler, de desenhar e até de brincar.

A mãe de Pedrinho, dona Lili, é doceira, faz doces para vender. Pedrinho costumava ir junto com ela entregar os pedidos, ajudando a carregar os confeitos, mas reclamava sempre.

Um dia, dona Lili foi entregar uma torta em uma Escola e Pedrinho foi junto.

Logo que chegaram Pedrinho ficou esperando em uma enorme sala onde estavam muitos alunos.

Ele observou um pouco e viu que eram crianças especiais: algumas não falavam, outras não enxergavam ou não ouviam; mas todas se comunicavam por sons, gestos ou mímicas. Elas estavam aprendendo animadamente uma música.

Em um canto dois alegres garotos desenhavam com pincéis. Pedrinho reparou que eles tinham apenas uma das pernas. Ficou impressionado com a alegria e a vontade de aprender deles.

Ele não viu ninguém triste, reclamando ou com preguiça. Sentiu que havia muito amor e respeito naquele local, pois as crianças ajudavam umas as outras.

Lembrou-se de seu corpo perfeito, de sua família legal e dos muitos amigos que tinha. Concluiu que devia aproveitar a vida para aprender e ajudar os outros, como aquelas crianças estavam fazendo.

Pouco tempo depois, dona Lili retornou e eles foram embora.

A experiência daquela tarde Pedrinho nunca mais esqueceu. Deixou de lado a preguiça e o mau-humor e se tornou um garoto alegre e estudioso. E dona Lili ficou contente porque Pedrinho mudou para melhor, muito melhor.

 

Claudia Schmidt



Na escola


Júlio estudava na quarta série. Outro dia, ele acordou, tomou café e foi para a aula.

Chegando na escola, viu seus colegas brigando. Eles tinham prova naquele dia e alguns meninos queriam fazer cola, outros não.

- Parem de brigar – disse Júlio. Não é certo fazer cola. Lembrem-se de nossas aulas, de como a professora se esforça para nos ensinar a sermos bons, educados, honestos. Vamos respeitar os outros e nos respeitarmos.

Os garotos pararam para pensar. Lembraram da educação que seus pais lhes deram. Perguntaram para Júlio onde ele tinha aprendido isso.

- Eu aprendi na Evangelização, no Centro Espírita.

- O que é isso? Perguntaram os garotos.

- Evangelização são aulas onde aprendemos os ensinamentos de Jesus e coisas sobre a Doutrina Espírita. Elas acontecem no Centro Espírita que eu freqüento. Lá acontecem palestras, há livros para vender e para emprestar, é muito legal.

- E quando é?

- Cada Centro Espírita tem um horário. No Grupo Espírita Seara do Mestre, onde eu vou na Evangelização, é nos sábados , às 14:45 horas. Primeiro cantamos, depois temos aula. Se alguém quiser ir lá, pode ir.

Nenhum dos garotos fez cola naquele dia. Júlio chegou em casa satisfeito por ter feito uma boa ação, lembrando os colegas que o aprendizado do Evangelho, devemos levar para sempre. Decidiu levar no outro dia um BIS para cada um deles.

Camille Scholl



Na riqueza e na pobreza


Naquele dia, a turma estava extremamente agitada, envolvida em uma grande discussão a respeito da riqueza e da pobreza. O professor, sempre moderado, procurava uma maneira de destacar aos seus alunos os valores espirituais. A maioria queria vencer na vida para ser feliz, entendendo que “vencer na vida” é ter muito dinheiro, prestígio, poder para adquirir tudo o que quiser e satisfazer todos os desejos. Alguns poucos defendiam que a felicidade não estava nas coisas materiais, mas na aquisição das virtudes espirituais.

Quando a discussão estava muito acalorada, alguém resolveu envolver o professor na contenda. Calmamente, o mestre fez outra pergunta:

- Quem vocês acham que está mais próximo da felicidade: o rico ou o pobre?

A maioria dos jovens, conhecendo a maneira do educador pensar, respondeu achando que a resposta que ele queria ouvir era esta:

- O pobre, porque nas dificuldades ele poderá trabalhar as virtudes morais.

Para surpresa de todos, o professor respondeu:

- Vocês estão enganados, é o rico.

Houve tumulto. Como pode, alguém que sempre valorizou as qualidades espirituais, raciocinar dessa maneira?

Após todos ficarem mais calmos, o educador completou:

- O rico está mais próximo da felicidade, exatamente por já possuir as facilidades materiais e saber que não é aí que ela se encontra. Já está com meio caminho andado, ou seja, sabe que não é a riqueza que o fará feliz. Talvez os outros ainda corram atrás do dinheiro que não tem, buscando na fortuna a felicidade onde ela não está. Na verdade, continuou o mestre, a felicidade não se encontra nem na riqueza, nem na pobreza, mas na busca da melhoria íntima, da reforma moral, na compaixão, na prática do bem e da caridade, enfim, na conquista da consciência tranqüila e, evidentemente, nenhum desses fatores está ligado à nossa situação econômica.

Luis Roberto Scholl
Adaptação de história contada em palestra pública,
no Grupo Espírita Seara do Mestre – Santo Ângelo – RS.



No papel de mendiga


Magali chegou da escola correndo e foi direto para o quarto. Dona Augusta estranhou, pois a filha sempre chegava sorridente, contando coisas.

Logo chegou a filha mais velha, Carol, explicando que a irmã estava chateada porque na peça teatral da escola seria uma mendiga.

- Magali não quer ser pobre – concluiu.

Mais tarde, Dona Augusta observava as filhas, que brincavam perto dela. As bonecas eram muito ricas, preocupadas com as roupas novas que iriam vestir e sempre com muitas festas para ir. Perguntou então, quem eram as personagens da brincadeira.

- Esta é Bebel, artista famosa. A outra é médica e aquela é uma modelo riquíssima respondeu Carol.

- Esta aqui se casou com um milionário e não faz nada e esta – apontando para outra – mora num castelo.

A mãe aproveitou, então, para explicar que mais importante do que ter muito dinheiro é ser uma pessoa honesta e ajudar os outros.

- Mas ninguém gosta de ser pobre – lembrou Magali.

- Pobreza não é defeito, filha. É apenas uma condição material passageira, afinal, todos nasceremos de novo, muitas vezes, em diferentes condições.

Dona Augusta percebeu que as filhas ainda não tinham compreendido que o mais importante não é a casa, o carro, as roupas ou o dinheiro que temos nesta vida, mas sim nossa evolução espiritual. E completou:

- Muitas coisas determinam o lugar e a família que nascemos: as pessoas com as quais precisamos conviver, as provas que temos que passar, o que nos propomos a fazer e aprender nesta vida e a maneira como usamos as condições materiais que tivemos na vida anterior, são alguns exemplos.

Com muito amor, a mãe explicou que pobreza não é castigo, que Deus não privilegia alguns e que o Pai Maior nos dá oportunidades de aprendizado sempre, pois Ele nos deu a inteligência e a razão para adquirirmos recursos para estudar e termos uma vida mais confortável. Aos poucos, as garotas compreenderam que Deus não impede o progresso material, mas isso não deve ser o objetivo principal da vida.

Dois meses depois, Dona Augusta foi assistir à peça de teatro da escola. Magali havia aceitado o papel de mendiga. Ela compreendeu que Deus é sempre justo e que cada encarnação é uma oportunidade de crescer no bem, independente da riqueza que possuímos, da família em que nascemos ou do lugar em que estejamos.

Claudia Schmidt


 

No supermercado


Eu estava no supermercado com minha mãe, uma tarde, quando vi um casal discutindo. Minha mãe percebeu que fiquei observando a discussão e, discretamente, me chamou a atenção, perguntando:

- O que você vai comprar, Júlia: biscoitos de chocolate ou saquinhos de lixo?

Franzi a testa diante do absurdo da pergunta! É claro que ela sabia que sou louca por biscoitos de chocolate! Além do mais, para que eu precisaria de saquinhos de lixo? Talvez mamãe precisasse para a casa, mas não eu…

- Biscoitos de chocolate, mãe! – respondi: você sabe, né?!

- Ótima escolha, filha.

E continuamos a fazer as compras do mês. Mas mamãe tornou a falar, pegando alguns produtos das prateleiras.

- A vida também se parece com um supermercado: há muitas coisas para a gente escolher nas “prateleiras”. Resta aprendermos a decidir o que é melhor e o que realmente precisamos.

E, indicando com um olhar o casal que discutia, completou:

- Nessas prateleiras, também estão expostas as atitudes das pessoas: leve para casa sempre as melhores, as que lhe serão úteis. As outras, simplesmente deixe no supermercado.

A lição valeu. Hoje, quando olho uma pessoa, admiro o que ela tem de melhor, e tento desenvolver as mesmas virtudes em mim. E, se percebo nela alguma dificuldade, penso qual é a utilidade de saber disso, porque todos nós temos dificuldades a vencer!

Letícia Müller
Seara Espírita nº 62 – janeiro de 2004


 

O caso da Girafa


– Sabe da última, senhor Leão?
Era a Avestruz, “passando adiante” o que todos os bichos do zoológico estavam a comentar: o sumiço da girafa.

O Leão nada disse. Ao amanhecer, a Girafa não estava em seu cercado. Havia desaparecido, sem avisar ninguém. Cada animal tinha uma versão diferente do fato, falavam sem parar…

Diziam uns que a Girafa, cansada da vida monótona do zoológico, havia fugido. Outros pensavam em seqüestro, imaginavam o resgate milionário (que ninguém havia pedido ainda!)…

O Hipopótamo, muito amigo da Girafa, sofria com toda essa falação. Imaginava os mil perigos que sua amiga corria, pensava até que podia ser o culpado de uma “fuga”: E se tivesse falado algo que magoou a sensível girafa, e ela tinha ido embora?

Percebendo a agonia do Hipopótamo, o Leão, muito sensato, o chamou.

- Escute, amigo, cuidado com o que estes bichos falam. Ninguém tem certeza de nada e ninguém viu nada. Muitas vezes eles não têm muito o que fazer, falam da vida dos outros animais, e acabam tirando conclusões precipitadas, fazendo “fofocas”…

Foram bruscamente interrompidos por uma Formiguinha que, esbaforida, saltitava para ser ouvida:

- Eu vi! Eu vi! Vi um caminhão do circo aqui no zoológico!…

Foi uma gritaria só. Todos tinham certeza: o mistério do sumiço da Girafa estava solucionado! Estava na cara que ela iria virar artista de circo! Como não tinham pensado nisso antes? E saíram a espalhar a novidade para todo o zoológico.

Ficaram apenas o Hipopótamo (choramingando, porque sua amiga nem se despedira dele!…) e o Leão, imperturbável.

Para surpresa de todos, instantes depois apareceu a Girafa, explicando, como podia (pois sua boca estava anestesiada), que durante a noite ela fora ao dentista. Seu dente doía muito, o médico do zoológico percebeu e por isso a haviam levado imediatamente.

E o Hipopótamo tinha acreditado naquela confusão toda que os bichos fizeram!

Ele entendeu, então, o que o Leão lhe explicara: É preciso refletir muito sobre o que os outros nos falam, para não se deixar levar por fofocas e mentiras…

Letícia Müller



 

O casamento


Letícia estava vasculhando os álbuns da família quando encontrou uma foto do casamento de seus pais. Ficou admirada ao ver sua mãe vestida de noiva, com véu, grinalda e um lindo buquê de flores brancas.

Mas logo veio a dúvida. Percebeu a diferença entre o vestido de sua mãe e o que haviam encomendado para sua irmã, que estava de casamento marcado. Questionou:

- Mãe, porque a minha irmã não vai casar na igreja, de véu e grinalda, como a senhora se casou?

- Porque assim como nós, sua irmã e o noivo são espíritas, e os espíritas não tem ritos como o batismo, a eucaristia, nem o ritual do casamento como fazem em outras religiões.

- Ah, entendi. Minha irmã não vai casar, ela só vai morar junto com o noivo dela – disse Letícia, convencida.

- Não minha filha – explicou dona Sônia. Será um casamento civil feito na presença de um juiz. O juiz é alguém que casa as pessoas de acordo com as leis que regem a sociedade em que elas vivem. Sua irmã vai se casar, somente não haverá a cerimônia religiosa.

A resposta a satisfez. Mas Letícia, como sempre muito curiosa, ficou em dúvida:

- Mas mamãe, se a senhora e o papai são espíritas, porque se casaram na igreja?

- Porque seu pai e eu fomos criados em outra religião. Quando nos casamos, a cerimônia religiosa tinha muita importância pra nós. Só algum tempo depois conhecemos o Espiritismo e compreendemos que Deus sempre abençoa a união das pessoas que se amam e se respeitam, independente de rituais.

- Então é por isso que nem eu nem minha irmã fomos batizadas?

- Isso mesmo. E também é por isso que você participa das aulas de evangelização infantil no Grupo Espírita, e não das aulas de catequese, como muitas amigas suas. Não há um momento em que a gente se “forma” em Espiritismo. A Doutrina Espírita é para ser estudada por toda a…

- Por toda a vida, eu sei! – Letícia interrompeu, confiante. Devemos estudar a Doutrina sempre porque ela explica a mensagem de Jesus, e Ele é o exemplo que nos faz seguir sempre no caminho do Bem.

Dona Sônia ficou encantada. Onde sua filha teria aprendido a falar tão bonito? Enquanto isso, Letícia pensava consigo:

- Ainda bem que nossa evangelizadora sempre lembra essas coisas. Mamãe parece ter ficado surpresa, pensando que sei tanto de Espiritismo…

Carina Streda


 

O eco


Aninha e sua tia Antônia faziam uma trilha ecológica, quando pararam em frente a uma caverna:

- Que lugar lindo!

E ouviram:

- …lindo!

Percebendo que a caverna respondeu, Aninha disse:

- Fique quieta!

Mas escutou logo em seguida:

- …quieta!

- É um eco, disse tia Antônia.

- Que engraçado!- exclamou a menina – Por que será que ele repete o que digo?

- Deus criou o mundo perfeito, lembrou a tia. Talvez o eco queira nos dizer algo sobre a vida.

- Como?

- A vida também é assim – disse tia Antônia. Tudo o que fazemos retorna a nós. É a lei de causa e efeito. E gritou:

- Raiva!

E a caverna respondeu com a mesma palavra.

A menina sorriu. A tia falou então:

- Paz!

E o eco repetiu.

- Agora tente você – sugeriu tia Antônia.

- Amor! Aninha gritou. E logo em seguida disse também amizade, carinho.

- Alguém gritou por você? – quis saber a tia da menina.

- Não. Fui eu que decidi o que dizer.

- Isso mesmo. Cada um escolhe o que deseja para sua vida. Se você escolher plantar laranjas, não colherá maçãs, certo? Você também escolhe suas atitudes, porém sua vida será de acordo com suas escolhas.

- Plante amor, colha amor? perguntou a garota.

- Plante amizade, colha amigos. Continuou tia Antônia. Semeie alegria, colha alegria. Como no eco.

- Posso dizer mais uma palavra antes de continuarmos a caminhada, tia?

- Claro!

- Obrigada! gritou a garota, na entrada da caverna.

E o eco respondeu.

Claudia Schmidt


 

O filhote


Mariana ficou muito surpresa quando observou seu amigo Otávio: ele acolhia no peito, cuidadosamente, um pequeno filhote de pomba que havia caído na calçada.

- Sempre pensei que os meninos apenas matassem passarinhos! – exclamou ela, maravilhada com a bela descoberta.

- Nem todos! – apressou-se Otávio – É verdade que muitos garotos são malvados com os animais… Este filhote, por exemplo, está sem mãe. Vi os meninos da casa ao lado matarem uma pombinha hoje de manhã…

- Mas… por que eles fazem isso? Será que não percebem que os filhotinhos não sobrevivem sem a mãe para alimentá-los e ensiná-los a voar?

- Não, Mariana, eles não percebem… respondeu tristemente o menino.

- E o que você vai fazer como o filhote, Otávio?

- Vou levar para casa; meu pai sempre me explica como eu preciso cuidar: dar água e comida no bico, mantê-lo aquecido e protegido; depois torcer para que ele fique forte, aprenda a voar sozinho e possa encontrar as outras pombas. Dá trabalho, mas alguém tem que compensar a falta de amor dos outros rapazes…

Mariana achou fantástico que seu amigo pensasse assim! Resolveu ajudar Otávio a cuidar do filhote. E também a incentivar seus amigos a amar e respeitar esses seres que, como nós, são criaturas de Deus.

Letícia Müller
Seara Espírita nº 60 – novembro de 2003


 

O grilo e o sapo


O grilo Antenor era um cara legal. Ele era conhecido por muitos animais, pois costumava fazer longos passeios noturnos pela Floresta Azul a fim de conhecer outros animais e fazer novas amizades.

A Floresta Azul era um lugar lindo, cheio de belas flores, árvores e todo tipo de alimento: plantas, frutas e um lago lindo, onde era possível beber água limpa. Antenor, o grilo, morava a beira deste lago, em uma bela casinha construída por ele. Ele tinha muitos vizinhos, que também moravam perto do lago e que eram seus amigos.

Perto do lago, porém no lado oposto, morava o sapo Valdemar, um cara muito trabalhador e que gostava de ficar em casa, lendo e escutando música.

Uma noite, Antenor decidiu passear para um lado onde nunca havia ido. Ele tinha ouvido falar que para o lado leste da Floresta Azul morava um pássaro chamado Janjão, que sabia prever com exatidão quando ia chover. E ele adorava saber a previsão do tempo!

Tudo ia bem no passeio de Antenor. De repente, porém, a lua desapareceu e tudo ficou muito escuro. Antenor, que não tinha medo do escuro, continuou seu passeio. Foi então que ele sentiu uma coisa estranha nos seus pés… A terra estava diferente…

- Socorro! – gritou Antenor. Socorro!

Ele tinha caído em um pântano. Pântano é um lugar onde a terra é úmida e os animais podem afundar até morrer sufocados. O pântano era cercado por arame farpado, mas como estava muito escuro Antenor não viu o perigo.

Naquele momento de dificuldade, Antenor ainda conseguiu forças para fazer uma prece para seu anjo da guarda. E continuou a gritar:

- Socorro! Estou afundando!

Que final trágico para Antenor! Ele estava apavorado. Foi quando ouviu:

- Onde você está?

- Aqui – gritou de volta o grilo. Quem seria? – pensou Antenor.

Era Valdemar, o sapo, que passava por ali. Ele estava indo buscar um livro emprestado na casa de Diógenes, um sapo amigo seu que morava no lado leste da Floresta Azul.

Valdemar viu então o grilo e sem chegar muito perto, para não cair no pântano também, pegou uma varinha e estendeu até o grilo.

Antenor segurou firme e Valdemar puxou o grilo para fora do pântano.

O grilo agradeceu muito a ajuda. Valdemar tinha salvado a sua vida!

Logo os dois se apresentaram e ficaram amigos.

Naquela noite, foram juntos até a casa do pássaro Janjão e ficaram sabendo muitas coisas sobre previsão do tempo. No caminho de volta, pegaram o livro emprestado com Diógenes, o amigo de Valdemar.

Conversando, descobriram que ambos gostavam muito de música. Antenor emprestou seus CDs de música para Valdemar, que ficou muito contente. Eles estão até pensando em formar uma dupla para cantar na Festa da Primavera.

E pensar que essa amizade começou quando Valdemar resolveu ajudar alguém, mesmo sem saber quem era. Mas o sapo já sabia que ajudar o próximo faz bem a quem é ajudado e também a quem ajuda.

Claudia Schmidt


 

O mapa do tesouro


Saulo, naquela tarde, não queria ir à Evangelização Espírita Infantil. Sua mãe já havia explicado, inúmeras vezes, que eram lições valiosas, porém, naquele dia foi diferente: ela não disse nada.

Pouco tempo depois, chamou o filho e contou lhe que havia um tesouro escondido em casa. Disse também que ele tinha uma hora para encontrar o tal tesouro, que por sinal era muito importante.

O garoto imediatamente, aguçado pela curiosidade, se interessou pela “caça ao tesouro”. Lembrou que a casa era grande, que haviam muitos lugares, que não sabia exatamente o que procurava e que o tempo era curto.

- Quando você encontrar, saberá que é o que procura – disse apenas a mãe.

Saulo começou, então, a busca pelo tesouro. No início foi divertido, mas em pouco tempo estava cansado. Distraiu-se aqui e ali, e quando viu, o tempo estipulado estava acabando.

- Não achei. Se eu ao menos tivesse um mapa…- reclamou choroso.

- Aqui está – disse a mãe, estendendo um papel que parecia um mapa, com o desenho da casa e um “x” indicando o lugar.

Assim, logo encontrou o tal tesouro; seguindo as orientações do mapa, cuidadosamente traçado por sua mãe.

O tesouro? Era um bilhete, que estava em uma caixa de papelão, junto com um livro espírita de histórias:

Você encontrou o tesouro! Mas entenda… A casa é o mundo; o tempo que você tinha para achar o tesouro representa a sua encarnação atual, que deve ser bem aproveitada. O tesouro é a evolução espiritual, objetivo de cada espírito ao reencarnar. Porém, para encontrar um tesouro é muito importante um mapa. A Evangelização Infantil é o seu mapa, pois proporciona lições importantes de como agir nas diferentes situações que você encontrará durante a vida. Siga o mapa, indo às aulas de Evangelização, que mostram o caminho do amor e da felicidade.

Com amor,

mamãe

Claudia Schmidt


 

O menino cão


Horácio é um garoto de 10 anos que ganhou no último aniversário um cãozinho chamado Cafuné.

Outro dia, algo diferente aconteceu: Horácio acordou na casinha de Cafuné, mas não se lembrava de ter ido até lá. Logo reparou que a casinha precisava de uma boa limpeza, coisa que Cafuné não sabia fazer. O cão não estava e também não havia água limpa para beber.

Quando o menino tentou sair da casa, percebeu que ele, Horácio, era Cafuné. Assustou-se e foi pedir ajuda à mãe. Dona Eunice mandou que o cão fosse brincar lá fora.

Confuso, o menino-cão foi deitar-se à sombra. Percebeu então que ele pensava como um garoto, mas as outras pessoas achavam que ele era Cafuné, seu cão. Achou seu corpo um pouco estranho: precisava de um banho e, além disso, havia alguns sinais estranhos, parecidos com cicatrizes. Do que seriam? Veio então à sua mente a lembrança de um dia em que estava brincando com Cafuné e seu pai mandou que parasse, pois estava machucando o animal. Deve ter doído bastante. Como ele havia sido ruim com seu companheiro de brincadeiras… Seria mais cuidadoso da próxima vez. Haveria uma outra chance?

De repente, Horácio sentiu uma forte coceira. Pulgas! Ele estava cheio de pulgas! Logo lembrou-se que há muito tempo não levava Cafuné ao veterinário. Ultimamente o garoto tinha andado muito ocupado e havia esquecido de prestar os cuidados que um bichinho de estimação merece, incluindo brincadeiras, banho, água fresca, comida, carinho e atenção.

Triste e preocupado, o garoto ouviu sua mãe gritar:

- Horácio! Ao sair correndo, o menino-cão tropeçou em uma pedra e … acordou em sua cama, com Cafuné lambendo suas pernas.

Perto dali, o espírito protetor de Horácio sorriu, com a certeza do dever cumprido, pois o menino havia aprendido a lição.

Claudia Schmidt



O mundo espiritual


Os aluninhos estão sentados no chão, em silêncio. Um por um abrem uma caixinha amarela, olham o que há dentro e fecham de novo. Maurício abre a caixa, olha e não vê nada. Ao final, a evangelizadora Márcia pergunta:

- O que tem dentro da caixa?

Todos os alunos respondem que a caixa está vazia, não tem nada dentro.

- Tem algo dentro da caixa, sim, diz Márcia sorrindo. Existe AR dentro da caixa, o ar está em todo o lugar. Mas nós não podemos enxergá-lo. Vamos respirar fundo, para sentir o ar.

Os alunos respiram e concordam, não conseguem ver o ar, mas conseguem respirá-lo. Márcia segue dizendo que existem coisas que não vemos ou porque são muito pequenas, como certos animais, ou porque nossos olhos não conseguem enxergar, como as ondas de rádio e TV.

Existe também um outro mundo, semelhante ao nosso, que não vemos. – continua ela. É o mundo espiritual, onde vivem os espíritos. Lá eles moram, estudam e se preparam para uma nova encarnação em um novo corpo físico.

As crianças lembram que aprenderam que somos formados de corpo físico e espírito e que, quando morremos, apenas o corpo físico morre, o espírito continua vivo. Maurício presta muita atenção e pregunta:

- Podemos ver espíritos?

- Existem pessoas que podem, às vezes, ver um parente, um amigo ou alguém que não conhecem – explica Márcia. Essas pessoas são chamadas de médiuns.

- Eu já vi meu avô que morreu faz tempo – diz Artur. Mas não fiquei com medo. Minha mãe disse para eu fazer uma oração por ele.

- Isso mesmo – responde Márcia. Se vemos alguém que já desencarnou não devemos ter medo. Devemos orar, pedir a Deus que lhe dê auxílio, tranqüilidade e paz.

Márcia explicou com simplicidade que muitas pessoas que morrem têm saudades ou precisam de ajuda, por isso aparecem visíveis para nós. Mas que podemos ver espíritos também para acreditarmos no mundo espiritual e entendermos que o mundo em que vivemos é uma escola, onde aprendemos novas lições a cada dia.

As crianças interessaram-se pelo assunto. Márcia prometeu continuar na próxima semana e juntos encerraram a aula com uma prece, agradecendo a aula, o dia e a vida.

Claudia Schmidt



O novo lar de Janaína


“Há algum tempo, mudei de lar: voltei a morar no mundo dos espíritos! Com oito anos, meu corpinho físico morreu e, é claro, foi enterrado. Então eu continuei viva em espírito e muitos amigos vieram me ajudar a viver em meu novo lar! Reencontrei minha avó e também outros amigos que eu não lembrava, mas eram tão simpáticos! Mais tarde descobri que eram amigos de outras vidas que eu já tive (em outros lugares, com outro corpo…). Todos eles me ajudaram muito, sem que eu soubesse, quando estava encarnada! As pessoas que nos amam fazem parte da nossa família: da nossa família espiritual!

Gosto muito do lugar onde estou. O mundo dos espíritos é um pouco parecido com a Terra, só que mais bonito. Pessoas boas vivem em comunidades, onde trabalham, estudam, se preparam para uma nova encarnação… Também auxiliam os encarnados e os desencarnados que não se adaptaram, ainda, à vida na espiritualidade.

Meus pais e meu irmão continuam morando no mundo material. Sentimos bastante saudade uns dos outros! Mas, como eu, eles também entendem que a vida existe assim: na matéria e na espiritualidade. Apenas vim para cá antes deles. Mas nós podemos nos encontrar durante o sono: é quando a alma (espírito encarnado) pode estar livre do corpo físico por certo tempo e visitar o mundo espiritual! Às vezes, meus amigos me levam para visitar, na Terra, a minha família. Então eles não me vêem, mas sentem algo bom… E, muitas vezes, eles até desconfiam que sou eu que estou presente!

Hoje sou só espírito, mas continuo viva, penso, brinco, estudo no mundo dos espíritos. Daqui a algum tempo, vou nascer de novo: vou reencarnar! Terei, um novo corpo físico, outro nome, outro lar… Meu espírito vai renascer de novo em um corpo de um bebê e crescer para ajudar, para estudar, aprender coisas novas e ser uma pessoa boa, a melhor que eu puder ser; ser feliz!”

Você já parou para pensar como Deus é bom? Ele nos dá muitas vidas para aprendermos, ajudarmos os outros, sermos bons… Temos que agradecer pela vida e aproveitá-la muito bem, agindo com caridade, paciência e amor. Se fizermos todo o bem ao nosso alcance enquanto encarnados, nosso retorno para a dimensão espiritual será alegre e feliz.

Cláudia Schmidt



O pequeno herói anônimo


A situação não estava nada fácil. O pai, há muito tempo, tinha os abandonado; os irmãos mais velhos moravam nas ruas, vivendo cada um por si; a mãe, com uma doença que parecia não ter fim…

Joãozinho, com 12 anos, é quem dava conta de tudo. Fazendo biscates e pequenos serviços conseguia cuidar da mãe enferma e alimentar os dois irmãos menores, preocupando-se com seus estudos, já que ele próprio não podia mais ir à escola. Quem o conhecia não podia acreditar que este menino, tão frágil, tão franzino por causa da desnutrição na infância, tivesse tanta força e coragem para tudo suportar. Joãozinho não reclamava de nada: nem da infância perdida, nem da escola abandonada, nem do pai irresponsável; resignado, enfrentava a situação da melhor maneira, procurando estar sempre alegre e de bom ânimo.

Do ponto de vista comum dos homens, Deus parecia injusto colocando tanta carga de responsabilidade sobre ombros tão frágeis e desprotegidos. Porém, do ponto de vista espiritual, a visão é bem diferente! Os benfeitores espirituais e Joãozinho sabiam que esse era o único caminho para a sua redenção.

Joãozinho na reencarnação anterior havia sido Dr. João, filho de uma família nobre e abastada. Mas, ao invés de utilizar as facilidades e os recursos de que dispunha para fazer o bem e ajudar as pessoas a se tornarem melhores, empregou-os como instrumento de opressão e satisfação dos prazeres desenfreados.

Com o poder e o dinheiro nas mãos, destruiu famílias, prejudicou pessoas, infelicitou muitas jovens. Após desencarnar, o Dr. João já não era mais famoso nem poderoso, mostrando quem realmente era: um Espírito amargurado, infeliz e arrependido do mal que provocara. Com o auxílio dos mentores espirituais, planejou uma nova vida com muitas dificuldades e sofrimento, privado de todas as facilidades materiais, onde receberia em seu lar, como familiares necessitados de seus cuidados, muitas pessoas que havia prejudicado na encarnação anterior.

E lá vai Joãozinho, o menino que tinha tudo para ser triste e revoltado, feliz da vida, como um pequeno herói anônimo, amparado pelos amigos invisíveis, em busca de outro serviço para o sustento de sua família. Ele sabe, inconscientemente, que pediu e recebeu de Deus a oportunidade de resgatar débitos do passado e evoluir da melhor maneira possível: plantando e distribuindo sorrisos e amor por onde passar.

 

 

 

Luis Roberto Scholl

Desenhos de Cristina Chaves – Sociedade Espirita Casa do Caminho – Bairro Jardim das Palmeiras – Porto Alegre – RS

 

 

 

 

 

 

 



O periquito currupaco


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era uma vez um periquito chamado Currupaco. Vivia em uma árvore muito alta e ele era conhecido como Currupaco porque lá de cima, além de falar muito, ele ficava debochando dos outros animais das redondezas.

Certo dia, Currupaco via a Dona Pata, esbaforida, espantando algumas moscas que estavam a atormentar:

- Saiam para lá, suas moscas , vão embora! Vocês estão atrapalhando o meu trabalho!

O periquito achou aquilo muito engraçado e começou a imitar a Dona Pata, brincando de sombra e repetindo tudo o que a pobre patinha falava:

- Pare de me imitar, seu periquito metido! – falava Dona Pata, sem nada adiantar, pois ele havia adorado a nova brincadeira.

As moscas foram embora e Currupaco, após se cansar também partiu.

O sábio babuino Roni, que era uma macaco muito inteligente, estava vendo tudo e resolveu falar com Currupaco:

- Meu amiguinho! Por que você faz isto com Dona Pata, e com todos os outros animais desta floresta? Eu estive observando que você debocha, ironiza, atrapalha a vida de todos. Não é assim que devemos agir!

Currupaco pouco se importou com o que o babuino falava, e também começou a imitá-lo. Roni se retirou, mas antes deixou uma mensagem:

- A amizade não se compra. Temos que conquistá-la com carinho e respeito. Assim você nunca terá amigos. E fez uma pergunta que deixou o periquito pensativo:

- Você tem amigos?

Depois de muito refletir, Currupaco se deu por conta de que o macaquinho tinha razão, pois até hoje ele não havia conquistado um amiguinho sequer.

- Primeira coisa, pensou consigo mesmo, vou pedir desculpas a quem eu magoei. Depois, vou tratar bem a todos os meus irmãozinhos animais, não repetindo os erros que eu cometi até então. E também vou ajudar a todos que precisam de auxílio.

Fazendo isso, em pouco tempo, Currupaco tinha a amizade de todos na região. E ele aprendeu que era muito mais feliz agindo assim, no bem e na caridade, do que maltratando os outros.

Camille Scholl
Desenhos de Sherazade Gomes – Evangelizadora – Centro Espírita Francisco de Assis – Eunápolis/BA



O que é ser criança


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era véspera do dia da criança, Eduarda acordou e foi sentar no sofá. Seu gato Astrid veio, e deitou no colo dela. Ela começou a pensar:

- Amanhã é dia da criança. Que bom! Sabe gatinho, as crianças têm deveres e direitos. Quando somos bebês nós só mamamos e dormimos. Depois, quando somos maiores e brincamos, temos deveres, como guardar os brinquedos, estudar e obedecer aos pais. Mamãe sempre diz: “Quando guardamos nossos brinquedos os temos sempre conservados”. Também temos que ajudar nas tarefas de casa e respeitar os mais velhos. Temos direitos também que são: segurança, saúde, brincar, ir à escola e muito mais.

Sua irmã passou pela sala e Eduarda lembrou que devemos respeitar os irmãos porque, sendo mais novos ou mais velhos, eles são sempre um apoio muito grande.

Eduarda pensou em seguida:

- Agora sou criança, mas já fui um adulto antes. Aprendi na Evangelização que todos já fomos adultos e crianças antes, e que temos muitas encarnações até sermos evoluídos, por isso em cada vida temos que melhorar. As virtudes como honestidade, caridade, amor ao próximo, perdão, ninguém rouba de nós. Quando morremos, apenas o corpo físico morre, o espírito continua vivo e vamos para o mundo espiritual. Quanto melhores somos, para um lugar melhor e mais bonito nós vamos no plano espiritual.

De repente seu gato começou a ronronar. Ele estava com fome. Eduarda deu comida ao Astrid e pensou:

- Cada dia vou ser melhor, para evoluir cada vez mais.

Camille Scholl


O que sobrou do almoço


 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Um dia desses, eu e meus amigos fomos almoçar juntos num restaurante. Nos divertimos muito, a comida estava deliciosa.

Mas, quando todos escolhiam a sobremesa, e o garçom estava retirando os pratos, foi com grande tristeza que percebi algo: alguns de meus amigos haviam deixado boa parte da comida no prato. E, pior: fizeram, depois, o mesmo com a sobremesa: serviram-se, e não comeram tudo!

Parece bobagem, não é? Mas é um assunto muito sério. Fico sempre muito triste quando as pessoas jogam comida fora. Porque, enquanto há pessoas que desperdiçam o alimento, há outras que não têm o que comer.

Você sabia que, se todos nós aproveitássemos bem a comida, mais pessoas poderiam ter o que comer?

Jesus fez uma linda prece, que diz: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Deus sabe que precisamos do alimento para o nosso corpo, e Ele criou muitas coisas das quais podemos nos alimentar! Mas temos que nos lembrar de aproveitar bem tudo o que Ele nos deu: nada deve ser desperdiçado!

Além de bem aproveitar os alimentos, também é importante que nos alimentemos com comidas saudáveis, que façam bem ao nosso corpo, sem abusar dos doces, refrigerantes, guloseimas… Parece difícil, não é? Mas se realmente quisermos, poderemos mudar devagarzinho… Hoje como uma fruta no lanche, amanhã uma salada no almoço… e aos poucos nós vamos mudando nossos hábitos sem perceber.

Ser enjoado, chato mesmo, para comer, é outra coisa que me faz pensar… As vezes, meu pai tem mesmo razão quando diz que eu sou cheio de “não gosto disso”, “não como aquilo”… Gente! Existem milhões de crianças passando fome, sem nada para comer. Quando penso um pouquinho só, já fico com vergonha de dizer que não como salada, não gosto de comer o pão dormido ou que a carne é muito dura…

Dizem que Jesus, quando era criança, vivia subindo em árvores para colher frutas e, quando descia, distribuía todas elas às outras crianças.

Talvez alguém tenha inventado uma bela história sobre Jesus. Mas você não acha que ele era assim mesmo? Uma pessoa que respeitava muito a criação de Deus e amava todas as pessoas? Por isso é fácil entender que realmente dividia sua comida com os outros e certamente não deixava comida no prato…”

Letícia Müller


O rebelde sem causa


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Renato chegou da escola. Estava cansado. A aula tinha sido ¨tão chata¨! Quis ver um desenho na TV, mas o pai assistia ao jornal. De mau-humor, procurou alguns biscoitos: não havia mais nenhum. Aposto que a Aninha comeu todos, como sempre! pensou o garoto. Foi para o quarto. A mãe lhe sugeriu que arrumasse aquela bagunça toda, e…

- Chega! Pensou o garoto. Estava revoltado.Não agüentava mais aquilo tudo: fazer os temas, arrumar o quarto, ajudar o pai, cuidar da irmã, fazer compras para a mãe, dar água para o cão… Era demais! Ele queria descansar, que lhe deixassem em paz! Afinal, ele não pediu pra nascer.

- É isso mesmo! – refletiu. Não pedi para nascer, me colocaram no mundo sem pedir minha opinião! Então, não tenho obrigação de fazer o que eles me pedem!

E foi decidido, comunicar as idéias ao pai.

Nem chegou a abrir a boca porque viu, no noticiário da TV, algumas crianças… Eram mais novas que ele e usavam martelos, quebravam pedras, sentadas na terra. Trabalhavam para ajudar os pais pobres. Quase não acreditou: em uma semana de trabalho, elas ganhavam o mesmo que ele gastava no lanche do dia! E, depois do trabalho, as crianças ainda caminhavam muito até chegarem na escola para aprenderem a ler, escrever e, talvez, quando crescerem, conseguir um emprego melhor…

Então, resolveu ir até a casa de Clara, sua melhor amiga. Renato lhe contou tudo: as idéias bobas que tivera, o que vira na TV.

- Idéias bobas mesmo! – concordou Clara.

E a menina explicou ao amigo que nós pedimos sim, e muito, para nascer; que nós mesmos ajudamos a escolher a família em que reencarnamos. Quando estávamos no mundo espiritual, pedimos para ter o pai, a mãe, os irmãos, a família que temos! E que nós já conhecemos eles em outras vidas que tivemos (com outros nomes, outros corpos…). Por isso os queremos conosco: para eles nos ajudarem a crescer; mas também para nós os ajudarmos! “Nossa família é o melhor lugar para aprendermos as coisas importantes da vida!”

Renato escutava atento o que Clara dizia. Ficaram os dois a conversar, durante muito tempo, sobre aquelas crianças que sofriam tanto, tão cedo. Concluíram que devemos ser gratos à nossa família. E passaram a fazer planos sobre o que poderiam fazer para auxiliar as crianças mais necessitadas.

Letícia Müller


O significado do Natal


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em uma tarde de dezembro, Larissa encontrou sua mãe na cozinha, ocupada com a Ceia Natalina. Perguntou como estavam os preparativos e a mãe respondeu, distraída:

- Natal só me dá trabalho! Tem muita gente para a Ceia, muita comida para preparar e a casa deve estar brilhando! Estou sempre cansada no Natal.

Larissa saiu pensativa. Entrou na sala quando sua irmã chegava cheia de pacotes de presentes, reclamando alto:

- Não gosto do Natal! O dinheiro nunca é suficiente para comprar tantos presentes! E não tive tempo de escolher meu vestido novo para a Festa!

A menina ficou triste com as palavras da irmã. Ligou a tv para distrair-se. Viu muitas propagandas de Natal sobre presentes, Papai Noel, festas e roupas. Nenhuma delas era sobre Jesus, o aniversariante. Desligou a tv e foi para a varanda, onde estava seu pai. Perguntou então:

- Pai, o que está acontecendo? Ninguém se lembra de Jesus no Natal! Só falam em Papai Noel, festas, presentes!

- Isso está acontecendo porque as pessoas esqueceram o significado do Natal- respondeu o pai. Nessa data comemoramos o aniversário de Jesus, nos encontrando com familiares e amigos, em reuniões de amor e paz. Devemos demonstrar afeto pelas pessoas de maneira sincera, sem exagerar em presentes e festas. E agradecer a Deus os presentes que Ele nos dá todos os dias: nossa família, nossos amigos, a natureza, nossa vida. Também devemos pensar se estamos vivendo os ensinamentos de Jesus. Quando Ele esteve na Terra ensinou a amar e perdoar o próximo, ser caridoso, humilde, amigo e fazer somente o bem. Você sabe o que é fazer o bem, filha?

- Sei sim – disse Larissa. É visitar alguém doente, não brigar, dizer sempre a verdade.

- Isso mesmo. Também devemos ajudar nas tarefas domésticas, cuidar dos animais, ajudar a cuidar dos irmãos menores, obedecer aos pais e aos professores, estudar. Isso tudo é fazer o bem, como Jesus ensinou.

Larissa beijou o pai, agradecendo a preciosa lição. Resolveu, então, contar para a mãe e a irmã o que havia aprendido sobre o Natal.

Cláudia Schmidt


O tema de casa


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Kiko voltava da Escola pensando no tema de casa: uma redação sobre a PAZ. Logo ao chegar, abriu o caderno para fazer a lição, mas não conseguiu começar, pois se deu conta que não sabia o que era exatamente a PAZ, nem onde encontrá-la.

Saiu, então, a procurar a “tal PAZ”. Lembrou de um sábio que morava ao pé da montanha e foi indagar-lhe. Mas o sábio lhe disse apenas:

- Procure pela PAZ e você a encontrará. Ela não está longe de você.

Kiko subiu a montanha, imaginando que assim estaria mais perto de Deus, pensando entender as palavras do sábio. Ao chegar no topo, sentiu uma grande tranqüilidade, mas com certeza não era ali que estava a PAZ. Do alto da montanha ele viu a praia e se dirigiu até lá. Ficou a ouvir o barulho do mar e a sentir o vento em seus cabelos. Pensou um pouco, e achou que, apesar de agradável, não era a PAZ que procurava.

Caminhou, então, em uma floresta, e viu flores, árvores e muitos animais, encantou-se ao observar a natureza, obra de Deus. Mas logo se sentiu triste e solitário e decidiu procurar alguém para conversar. No caminho de casa encontrou Juca, um senhor muito rico, que tinha muito dinheiro, muitas propriedades. Kiko perguntou-lhe sobre a PAZ, e logo se lembrou que Juca era mal-humorado, parecendo estar sempre de mal com o mundo. O senhor apenas lhe disse que estava muito ocupado e, além disso, não entendia nada de PAZ.

O garoto resolveu, então, voltar para sua casa. Kiko tinha uma família muito legal, pais carinhosos e inteligentes, que estavam ao seu lado em todos os momentos, e uma irmã de quem ele gostava muito. Ao chegar em casa sua mãe estava triste, pois ele havia saído sem avisar e demorou para voltar. Ela mandou ele tomar banho e não o deixou jogar bola com os amigos. Kiko ficou chateado, afinal saiu para descobrir onde morava a “tal de PAZ”, que era o tema de sua redação.

O domingo chegou. Era o seu aniversário; ganhou de sua avó um presente que há muito tempo queria: uma bola de futebol. Ficou contente, chegou a pensar que estava descobrindo o que é a PAZ e foi jogar futebol com seus amigos. Acabou discutindo com seu melhor amigo e descobriu que o presente tinha lhe trazido bastante alegria, mas não a “tal da PAZ”.

Na segunda-feira, ao voltar da escola encontrou várias pessoas no caminho e pensou: será que o PAZ não mora no meio do povo? Ficou distraído pensando, quase se perdeu. Logo descobriu que, às vezes, estamos junto de muitas pessoas e mesmo assim nos sentimos sozinhos.

Chegando em casa, pegou o seu caderno, sentou-se no jardim e escreveu “A PAZ”. Como não conseguia sair do título, resolveu refletir sobre sua busca. A PAZ não estava na imensidão das montanhas; na calma da praia ou na beleza da natureza. Também não parecia estar junto aos bens materiais, pois Juca, apesar de rico, não parecia conhecer a PAZ; não estava nos brinquedos ou no meio do povo, nem na família, pois discutiu com sua mãe e acabou de castigo.

Lembrou-se, então, de suas aulas de evangelização, dos ensinamentos de Jesus; da importância do perdão, da amizade, da colaboração e respeito na família. Veio a sua mente a imagem da evangelizadora dizendo que uma prece pode ser feita em qualquer hora e qualquer lugar, que não precisamos subir em uma montanha para estar mais próximos de Deus. Lembrou-se das palavras do sábio: “Procure pela paz e você a encontrará. Ela não está longe de você.” Parecia um enigma… Pensou … Recordou o dia em que, depois da aula, foi visitar os idosos do asilo e distribuiu muitos abraços e sorrisos; quando ajudou sua irmã com a lição de casa; e como se sentiu em PAZ quando fez as pazes com seu vizinho, pondo fim a uma briga.

Kiko percebeu que o sábio tinha razão, pois só encontraremos a PAZ através de nossas atitudes positivas: na família, na escola, no trabalho, no grupo social, no Centro Espírita, em qualquer lugar onde nos encontrarmos.

O garoto pegou o lápis e começou sua redação assim: Procure pela PAZ e você a encontrará. Ela está dentro de você, pois a PAZ do mundo começa dentro de cada pessoa.

Cláudia Schmidt


 

Os dez Mandamentos


Os alunos do primeiro Ciclo de Evangelização estavam aprendendo as três revelações: Os Dez Mandamentos recebidos por Moisés, há muitos anos, no Monte Sinai, no Egito; Jesus, a segunda revelação, exemplo de amor e caridade; e o Espiritismo, a terceira revelação, codificado por Allan Kardec, esclareceu muitos dos ensinamentos deixados por Jesus, que não foram compreendidos na época.

Aquele dia a professora Mariana explicou que os Mandamentos recebidos por Moisés são atuais e muito importantes. Sugeriu, então, que as regras fossem usadas na sala de aula e escritas em um grande cartaz. Todos concordaram.

O primeiro mandamento “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, foi analisado por Letícia como amor às criações de Deus, à natureza e as outras pessoas.

- E respeito pelos outros- continuou Luana. Isso inclui não brigar, não empurrar e não colocar apelidos.

Silêncio geral na aula. Os alunos lembraram que devem fazer aos colegas somente o que gostariam que fosse feito para eles.

Alan leu a próxima regra: “Não pronunciar em vão o nome de Deus” e disse que significava não reclamar da vida e não dizer palavrão.

- Muito bom! – disse a professora. E o próximo: “Lembrar de santificar o sábado”?

- Fazer preces – disse Anderson. E ajudar aos outros.

- Mas não só no sábado, e sim todos os dias – lembrou Larissa. E não desperdiçar as oportunidades de estudar e aprender.

O quarto mandamento : “Honrar pai e mãe” foi colocado no cartaz como respeito aos pais, aos professores, aos funcionários da escola e aos mais velhos.

Para o seguinte: “Não matar”, Carlos lembrou que não devemos maltratar os animais e as plantas.

O sexto mandamento “Não trair” foi mais difícil. Mariana sugeriu, então, que fosse colocado no cartaz não colar nas provas e fazer silêncio durante as aulas, para não atrapalhar os colegas que querem ouvir as explicações.

Foi a vez de Juliana ler:

- “Não roubar”significa devolver tudo o que pegamos emprestado e cuidar do material dos outros- disse ela.

“Não mentir” foi mais fácil. Logo alguém disse: “Ser sincero, não enganar e não esconder o material dos outros”.

- Ótimo! – disse a professora. E o nono? “Não querer as coisas dos outros”?

- Não pegar nada emprestado sem pedir licença antes – explicou Sarah.

- E não desejar as coisas que os outros têm: as roupas, o sapato, o cabelo – completou Jéssica.

- O último eu sei – falou Verônica. “Não querer ter a vida dos outros” significa não desejar mal a ninguém e agradecer a Deus tudo o que temos.

O cartaz estava pronto.A partir daquele dia, sempre que as crianças não sabem se é certo ou errado o que estão fazendo, elas lêem o cartaz, comprovando que os mandamentos recebidos por Moisés continuam atuais e devem ser seguidos por todos.

Cláudia Schmidt



 

Respeito às religiões


– Tia, quem é espírita é “macumbeiro”?

- O que você acha, Guilherme? Tia Paula devolveu a pergunta, enquanto fechava o livro que estava lendo.

- Eu acho que não… Mas outro dia a Sara ficou “tirando uma da minha cara” porque eu sou espírita. Não sabia o que dizer…

- Os espíritas não fazem “trabalhos espirituais”. As Sociedades Espíritas são lugares de oração e estudo da Doutrina Espírita. Alguma vez, no Centro Espírita, você viu ou ouviu algo que pudesse levar você a pensar como a sua colega Sara?

- Não, muito pelo contrário. – respondeu Guilherme. Nas palestras as pessoas falam sobre Jesus, amor e caridade. Tem o passe, que auxilia as pessoas… Outro dia explicaram, na Evangelização, como os mortos se comunicam com os vivos, tinha um nome complicado…

- Mediunidade, médiuns – completou a tia, enquanto o garoto sorria concordando. Nas reuniões mediúnicas os desencarnados se comunicam com os vivos em busca de auxílio e também para orientar e incentivar as pessoas a seguirem no bem.

O garoto ouvia atento. A tia continuou:

- Os espíritas seguem os ensinamentos de Jesus, se esforçando para praticar o bem e serem pessoas melhores. Além disso, muitas pessoas ainda não aprenderam algo que a Doutrina Espírita considera muito importante: o respeito e a tolerância pelas outras religiões.

- Entendi, tia. Da próxima vez que alguém pegar no meu pé porque sou espírita vou perguntar se ele conhece o Espiritismo e vou falar sobre as coisas boas que aprendi no Grupo Espírita.

- Mas dê o exemplo, respeitando a religião da pessoa com quem você fala.

- Legal, tia. Valeu a força!

Tia Paula sorriu e pegou novamente o livro que estava lendo. Ela mesma, como muitos outros espíritas, já passou por situação semelhante a que o garoto contou. Mas ela sabe que, aos poucos, a humanidade evoluirá, aprendendo, como Guilherme, que o amor e caridade pregados por Jesus incluem o respeito às crenças do próximo.

Cláudia Schmidt


 

Respeito e amizade


As crianças pularam ao redor de Rafael e foram embora, rindo. Ele esbravejava, mas elas continuavam…

O menino sentou-se no chão, emburrado, e, enquanto esperava sua mãe, prometera para si mesmo nunca mais voltar para a escola.

- Ei, cara!

Olhou para o lado: era um garoto mais velho que ele.

- Nem liga para eles. São assim mesmo… Ficar brabo só piora a situação. Aí sim que eles pegam no seu pé!

- Falar é fácil! Diz isso porque não é com você…, resmungou o menino.

- Não percebeu que eu também uso óculos? Ouço isso pelo menos uma vez por semana!

Rafael não tinha notado. Ficou interessado.

- E o que você faz, então?

- Acho graça. Se eu tenho quatro olhos, enxergo melhor do que eles, que têm apenas dois!

- Não achei graça.

- Pois devia, disse o garoto mais velho. Assim não iria ficar emburrado. Tem alguma idéia melhor?

- Da próxima vez, vou inventar um montão de apelidos para eles: Fofão, Poste, Narizinho, Bocão… Eles vão ver só!

- Não resolve nada. Minha mãe sempre me diz para eu “não fazer aos outros o que eu não gosto que façam comigo”. Ela está certa. Revidar, dar o troco, só cria inimizades, vira numa guerra. Escuta o que eu digo: é melhor perdoar. Se eles agem errado, mostre como se age certo.

- Mas não é assim tão fácil…

- Eu não disse que é fácil. Mas é você quem sabe: quer ter amigos ou inimigos?

Rafael ficou indignado:

- Mas foram eles que começaram!

- E daí? Ser amigo de quem só nos trata bem é fácil. Por isso há tanta guerra no mundo: ninguém se esforça para entender aqueles que erram! E acontece que todo o mundo erra, não é?

- …É.

Rafael achou que o garoto tinha mesmo razão. Seus colegas possuíam essa mania horrível de colocar apelidos. Apesar disso, dividiam o lanche, os brinquedos, emprestavam o caderno quando ele precisava…

Ele também tinha suas manias. Ser amigo é assim mesmo: temos que conversar muito para nos entender, porque somos todos diferentes.

Quando viu, sua mãe estava a sua espera.

Não precisou dizer nada para o novo amigo: um sorriso disse tudo.

Amanhã será um novo dia. Com certeza, ele iria tentar ver as coisas de modo diferente para poder estar mais feliz com seus amigos.

Seara Espírita nº 53 – abril de 2003


 

Separação


À tarde, Clara e Renato sentaram-se sob as árvores da praça para conversar.

Renato estava aborrecido. Clara sabia o porquê: os pais do menino estavam se separando.

- Não fica assim – disse amavelmente Clara – eles não vão mais estar juntos, mas continuam te amando muito, como sempre te amaram!

- Eu sei – sorriu o garoto. Não estou com raiva, apenas um pouco triste. Não sei com quem vou morar… Eu acho que devia existir uma lei proibindo os pais de se separarem!

- Sabe Renato, já existiu essa lei. Mas quando as coisas não vão bem no casamento, os pais fizeram de tudo para se acertarem e mesmo assim não deu certo, é melhor que se separem, antes que fiquem inimigos entre si. E você vê, eles continuam amigos, conversam e se ajudam. Ruim seria se eles brigassem o tempo todo!

- É verdade – Renato concordou. É bem melhor que eles continuem amigos morando separados, do que morem juntos fingindo que tudo está bem… Difícil mesmo, deve ser para quem não tem pai nem mãe!

- Pois é, mesmo assim, isso deve ser muito difícil para eles também… Os pais da gente sempre se esforçam para acertar!

Do outro lado, perto do lago, algo chama a atenção dos dois: um casal de velhinhos, que caminha ao sol, rindo, de mãos dadas…

- Mas quando eu crescer e tiver a minha família, eu quero ser como aqueles velhinhos ali…

E Clara completa:

- Eu também!

Letícia Müller
Seara Espírita nº 57 – agosto de 2003


 

Ser diferente


Zezé, o elefante, estava triste. Eles se achava gordo e desajeitado. Na verdade, queria ser como Filó, a girafa. Porém, ao contar para a amiga girafa seu sonho de ser alto e elegante como ela, descobriu que Filó se achava alta demais, e não gostava de seu pescoço. Ela contou, então que desejava ser como Lico, o veado, ágil, veloz e com a altura certa.

Conversando com Lico, descobriram que ele se considerava frágil demais e, em seus sonhos, via-se forte como Ian, o leão.

Superando o medo que sentiam de Ian, foram procurá-lo, para perguntar como era ser forte, ser o rei da floresta. Mas encontraram Ian triste e solitário. O leão possuía poucos amigos, pois tinha fama de ser furioso, e todos tinham medo de se tornar seu jantar.

Como não conseguiram concluir quem era o melhor bicho, resolveram fazer um concurso para eleger o mais belo da floresta, o animal ideal. E foram procurar Zilá, a coruja, para juntos estabelecerem as regras do campeonato.

Zilá era uma estudiosa do comportamento animal, que surpreendeu a todos quando disse:

- Que importa ser o mais belo, o animal ideal? Deus criou cada animal de um jeito especial, com características próprias. E aí está a beleza da criação. Já pensaram se só existissem leões ou borboletas?

Zilá também explicou que cada animal tem virtudes próprias, e que o importante é cada um aceitar-se como é, valorizando o que tem de bom e se esforçando para se tornar alguém cada vez melhor, desenvolvendo qualidades como amor, perdão, respeito, amizade.

Zezé, Filó, Lico e Ian pensaram muito no que disse Zilá. E não realizaram o concurso.

A partir dessa conversa, Zezé parou de reclamar de seu peso e iniciou um programa de exercícios; Filó aceitou-se como era, alta e magra e deixou de ser fofoqueira; Lico tornou-se mais alegre e satisfeito com a vida e Ian tem se esforçado para ser mais calmo e simpático e fazer novos amigos. Assim, todos colaboram para que a floresta se torne um lugar melhor para se viver.

Claudia Schmidt


 

Ser mais evoluído


A família toda era espírita e Lucinha adorava ler os livros da Doutrina. Mas, certo dia, contrariada com as exigências da mãe, a moça esbravejou:

- Como espírito, reencarnei como tua filha, sou mais nova, mas posso saber muito mais do que tu!

- Tens razão – concordou sua mãe, com delicadeza. Mas nessa reencarnação, eu vim como tua mãe, e sendo mais velha, minha tarefa é te cuidar e educar.

A menina, surpresa com uma resposta tão simples, dita com suavidade, foi trancar-se no quarto.

Ficaram na cozinha sua mãe e tia Marília, que entreolharam-se e continuaram a preparar o jantar. Mais tarde conversariam com Lucinha.

Após o jantar, tia Marília lia um livro espírita, quando Lucinha sentou-se ao seu lado, em silêncio. A tia comenta:

- Estou estudando a infância de Jesus… Há coisas interessantes! Você sabe que é ele quem cuida da Terra, desde antes da formação do planeta, não é?

- Sei sim…

- Pois então – prossegue tia Marília – acho incrível que um ser tão perfeito tenha se submetido aos cuidados e exigências da mãe como todas as crianças. E pense só: ele que sabe tudo, aprendeu a profissão do pai, carpinteiro, como era costume na época. E mesmo tendo encarnado para ensinar coisas sobre Deus, ele, obedientemente, estudou a religião de seu povo.

Lucinha permanecia quieta. A tia a olha nos olhos e comenta:

- Mesmo sendo muito evoluído, Jesus não esqueceu do respeito e gratidão que devia aos seres que lhe oportunizaram o corpo carnal. Nem do amor, dos carinhos, dos cuidados, da alimentação, do lar e tudo mais que seus pais lhe dedicaram. Aliás, se de tudo isso ele esquecesse, não seria tão perfeito, não é mesmo?

A garota faz que “sim” com a cabeça, mas não se anima a falar nada. A tia respeita e completa:

- Todos nós já vivemos muitas outras vidas, em outros lugares. As experiências de cada um são muito diferentes, e todas são importantes. O que aprendemos continua em nosso espírito, mas devemos lembrar que precisamos uns dos outros: sozinhos, não evoluímos.

Lucinha beijou o rosto da tia e saiu discretamente. Ela realmente sabia que a tia estava certa.

Letícia Müller


 

Sim, não, espera


Outro dia, levei por escrito para minha mãe a lista de presentes que desejava ganhar no Natal: uma bola de futebol, um jogo de vídeo-game e um celular.

A resposta também veio por escrito e dizia: Sim, não, espera.

Sem entender o bilhete, fui pedir explicações. Ela disse que cada palavra era a resposta para um dos meus pedidos. Logo:

Bola = Sim

Jogo de vídeo-game = Não

Celular = Espera

Assim, entendi que vou ganhar a bola, mas ela não vai me dar o jogo de vídeo-game que pedi porque é um jogo de guerra.

- Filho, não é bom e educativo ficar “fazendo guerra”, dando tiros, jogando bombas, destruindo cidades e matando pessoas, mesmo que seja de brincadeira. Esse jogo de vídeo-game é igual a uma arma de brinquedo. Não quero que você cresça achando que matar é divertido ou correto.

Ela também explicou que a terceira resposta é espera porque ainda não é o momento certo para eu ganhar um celular:

- Tudo tem seu tempo, filho. Em um futuro próximo, dependendo da sua maturidade e responsabilidade, poderá ganhar um celular. Agora ainda é cedo, tenha um pouco de paciência.

Apesar de não concordar, afinal, já tenho onze anos, sei que por enquanto não vou ganhar o celular. Para completar mamãe explicou que Deus também usa sim, não, espera para responder ao que nós pedimos a Ele.

- Deus nos atende quando pedimos algo que merecemos ou que vai auxiliar na nossa evolução espiritual. Quando não somos atendidos, depois de um tempo, percebemos que nosso pedido não era legal para nós e que não foi a melhor resposta.

Como percebeu que eu ouvia atentamente, ela completou:

- Quando Deus responde espera, temos que confiar Nele. Também devemos orar, ter fé e paciência porque Ele sabe o que é melhor para nós.

Pensando bem, não vou brigar, nem ficar emburrado porque não vou ganhar tudo o que pedi. Sei que reclamar não vai adiantar e que o melhor a fazer é esperar e não discutir. Afinal, minha mãe sabe muito e, assim como Deus, também usa sim, não, espera…

Claudia Schmidt


 

Sonhos*


Naquela noite, Estela leu algo tranqüilo e fez uma prece sincera antes de adormecer, pois ela sabe que para ter uma boa noite de sono é necessário se preparar para dormir.

Como acontece com todas as pessoas, quando Estela adormece, seu corpo físico repousa, mas ela, em espírito, permanece acordada e pode se afastar do corpo, ficando ligada a ele por um fio, chamado cordão de prata.

Naquela noite, Estela adormeceu e sonhou… No outro dia, quando acordou, ela tinha a lembrança de um sonho colorido, lindo. Não era a primeira vez que ela sonhava com tio Inácio, que havia desencarnado há um ano. Foi logo contar para a irmã mais velha:

- Tio Inácio me disse para eu estudar, obedecer meus pais, continuar a ir às aulas de evangelização e só fazer o bem.

- Legal! – disse Marília. Bem coisa do tio Inácio, ele adorava dar conselhos, você lembra? Isso aconteceu porque nós podemos encontrar, em espírito, as pessoas que amamos, desencarnadas ou encarnadas, você sabe disso, não sabe?

- Sei sim. Eu costumo sonhar bastante – completou Estela. Semana passada sonhei com uma prova de matemática que eu tinha que fazer no outro dia.

- Ah! Mas esse é um sonho diferente! – esclareceu a irmã. Quando você sonhou com a prova, você levou para os sonhos as suas preocupações do dia. Esses sonhos são chamadossonhos psicológicos. Com tio Inácio você teve um sonho espiritual, pois você, em espírito, vivenciou a situação. Podemos lembrar desse tipo de sonho ou apenas guardar uma sensação boa ou ruim, dependendo do que aconteceu.

- Eu já sonhei que precisava fazer xixi, e sai procurando um banheiro no sonho… – Estela contou em meio a risos.

- Eu também já sonhei isso… Ainda bem que acordei a tempo… – as duas meninas riram. E também já sonhei que estava no Pólo Norte e acordei com muito frio. Esse tipo de sonho que tem a ver com o que sentimos no corpo são chamados de sonhos fisiológicos.

Estela ficou contente em saber que quando dormimos, dependendo do nosso merecimento e dos sentimentos que cultivamos, podemos encontrar pessoas, aprender, assistir aulas, trabalhar e fazer o bem no Mundo Espiritual.

Quando a conversa acabou, ela estava cheia de planos: ia pedir ao seu espírito protetor que, se possível, gostaria de aprender enquanto o seu corpo dormia, e também desejava encontrar sua prima Ana, pois tinha muita saudade da amiga.

E você, o que pretende fazer nesta noite, enquanto seu corpo dorme?

*História criada por evangelizadoras do 2º Ciclo do Grupo Espírita Seara do Mestre (Santo Ângelo/RS) e utilizada na aula “Sono e Sonhos”.


 

Trabalho voluntário


Chovia. Marina ficou com uma preguiça enorme de sair de casa!

- Acho que não vou visitar o asilo hoje… – comentou com sua mãe.

- Mas você combinou com seus amigos – lembrou-lhe a mãe. – É seu compromisso ir. Eles todos estarão lá, esperando!

- Eu sei, mãe… Mas está chovendo!

- E daí? Os velhinhos precisam de atenção, não importa se chove ou faz sol. Vá, minha filha, e verá que a preguiça vai embora!

Mariana sabia que isso era verdade. Adorava as visitas ao asilo. Ela também sabia que, às vezes, há dias que a gente tem vontade de ficar em casa e assistir a um filme legal, ler um livro, andar de bicicleta… Mas lembrou-se de que, quando conversa com os vovôs, não vê o tempo passar… E sempre volta para casa mais feliz, com aquela sensação gostosa de quando a gente bate um papo com nossos melhores amigos!

Foi o que aconteceu! Quando Mariana pensou com amor em seus amigos “mais velhos” a preguiça foi embora. Mesmo com a chuva, foi ao asilo.

Percebeu como os velhinhos ficaram felizes em ter alguém para conversar! E, principalmente, o quanto ela era a maior beneficiada naquela tarefa.

E você, já pensou de que maneira poderá contribuir, para fazer alguém mais feliz?

Letícia Müller
Seara Espírita nº 56 – julho de 2003



Um cara chamado Allan Kardec


Artur era um garoto muito estudioso e interessado em aprender. Naquela semana tinha uma tarefa para fazer em casa: pesquisar sobre Allan Kardec.

Ele sabia que Kardec havia organizado as lições recebidas de Espíritos elevados em cinco obras: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Mas ele queria saber mais.

Foi então à biblioteca. Lá, leu muita coisa interessante e ficou admirado com a inteligência, a organização, a dedicação e a bondade de Kardec. Artur achou ele um cara muito legal mesmo!

De repente, Artur percebeu que estava em Lion, na França. O ano era 1804. E ele viu nascer um garotinho, chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail. Esse menino cresceu em um lar harmonioso, e era muito estudioso e educado.

Logo, o menino já era um rapaz e estudava na Suíça, com um professor diferente e bastante sábio, o professor Pestalozzi. Aprendeu muitas coisas e se tornou professor e escritor.

Artur viu Hippolyte retornando à França para dar aulas de Química, Física, Anatomia e Astronomia e escrever livros. Conheceu também a esposa dele, dona Amélie, uma professora alegre e caridosa.

Em 1855, Hippolyte começou a estudar o fenômeno das “mesas girantes”, que se moviam pela ação de espíritos desencarnados. Artur quis fazer perguntas, mas Hippolyte estava muito ocupado, pesquisando e organizando os ensinamentos dos espíritos, em vários livros; achou, então, melhor não incomodar.

O garoto percebeu que, nos livros, o autor tinha o apelido de Allan Kardec. E entendeu que era para as pessoas não pensarem que os livros tinham sido escritos por Hippolyte. Afinal, os ensinamentos desses livros eram de espíritos desencarnados que se comunicavam com a ajuda de médiuns*. Por esse trabalho, Kardec (Hippolyte) ficou conhecido como Codificador** do Espiritismo.

Artur viu quando, em 1869, Kardec desencarnou por causa de um problema no coração. Ficou muito feliz ao ver os muitos amigos que o receberam no mundo espiritual quando…

- Acorde, Artur! Acorde!

Artur viu que não estava mais na França…

Ele havia dormido na biblioteca, em meio aos livros!

Mas seu sonho parecia ter sido tão real…

Médium: aquele que serve de intermediário (como meio de ligação) entre os espíritos desencarnados e os encarnados.
** Codificador: organizador.

Seara Espírita nº 33 – agosto de 2001



Um novo vizinho


Quando soube que teria vizinhos novos, Ricardo ficou na expectativa: alguém da sua idade viria morar na casa ao lado? Não importava se fosse um garoto ou uma menina, mais novo ou mais velho que ele… Ricardo queria mesmo era fazer um novo amigo, alguém que morasse bem pertinho, para poderem brincar todos os dias.

Ao chegarem os novos moradores, ficou contentíssimo: havia um garoto, chamava-se Guilherme e era apenas um ano mais velho que ele.

Guilherme não podia andar com suas próprias pernas: ele usava uma cadeira de rodas. No início, Ricardo ficou triste por seu novo amigo. Tentou entender por que Deus havia permitido que um garoto, mesmo tão novo, vivesse em uma cadeira de rodas…

Ricardo sabia que Deus é muito justo e bondoso e que Ele ama todos os seus filhos, sem distinção! Ele tinha certeza de que havia um motivo para isso acontecer com Guilherme.

Com o tempo, Ricardo não ficou mais triste por Guilherme: ele percebeu que seu amigo não se entristecia por não poder andar! O garoto era sempre muito alegre e se esforçava muito para fazer as coisas sozinho, apesar de alguma limitação. Ele também sabia pedir ajuda, quando necessário. Gostava muito de aprender e de ajudar. Guilherme era feliz!

No futebol, como não podia correr, ele era o juiz; e comemorava alegre todos os gols! Nadava, tirava boas notas, passeava com os outros garotos, gostava muito de conversar.

Ricardo entendeu que seu amigo era um espírito muito corajoso para renascer com uma limitação física. E que se existem dificuldades, é para que a gente aprenda com elas (Guilherme mesmo lhe contou muitas coisas que tinha aprendido!)

Ricardo ficava muito contente em poder ajudar, e ser amigo de alguém que amava tanto a vida!

Letícia Müller



Uma conversa no ônibus


– Faltam cinco centavos, mocinha…

O cobrador esperava, enquanto Clara revirava seus bolsos atrás da moedinha. Mas ela não tinha os cinco centavos para completar a passagem de ônibus…

- Aqui está!

Renato espontaneamente estendeu uma moeda sua ao cobrador. Clara, aliviada, retribuiu a gentileza do amigo com um sorriso e agradeceu.

Os dois sentaram-se atrás de Luísa, irmã mais velha de Clara. Eles observavam a cidade e as pessoas… Quantas diferenças! Ficaram tristes ao ver crianças fora da escola, pessoas pedindo esmolas nas calçadas, casas muito pobres… Homens e mulheres com rostos cansados e sem esperança…

De repente, Clara pergunta:

- Por que o mundo é assim tão triste?

Renato ficou pensativo. Luísa virou-se para eles e respondeu:

- Infelizmente ainda é assim. Se cada um de nós fizesse a sua parte, teríamos um mundo melhor… Mas nem todos querem ajudar.

Luísa freqüentava o Grupo de Jovens Espíritas. Lá eles conversavam muito, para entender as pessoas e o mundo. Eles também se perguntavam o que podiam fazer para ajudar a melhorar essas realidades.

- Esse mundo não tem jeito mesmo! Ninguém se importa com ninguém… desabafou Renato.

Mas logo Luísa corrigiu:

- Isso não é verdade, Renato. Tem muita gente que não se importa mesmo com ninguém. Mas também há aqueles que se importam, e fazem alguma coisa pelos outros, ainda que seja pouco. Mas quase ninguém fala sobre as coisas boas que essas pessoas fazem. Só falam nas coisas ruins.

Então, Luísa lembrou a eles muitas coisas boas que as pessoas fazem:

Um rapaz se levantou para deixar o banco para um velhinho, no ônibus. O motorista esperou a moça atravessar a rua. Duas crianças que repartiam o lanche, na escola. O médico que atendia pessoas pobres sem nada cobrar. As pessoas que faziam teatrinho para as crianças do orfanato. A senhora que comprava cadernos para que o filho da empregada continuasse estudando. As campanhas de doação de roupas e alimentos para as pessoas carentes de coisas materiais. Os garotos que visitavam os velhinhos no asilo. O senhor que sempre sorria para o carteiro…

Havia muitas pessoas boas, realmente! E havia muitas oportunidades de ajudar, todos os dias!

Clara lembrou da moeda que Renato lhe dera pra completar a passagem. Eram apenas cinco centavos… Não era muito, mas fez grande diferença para ela!

Naquele dia, no ônibus, Clara e Renato, com a ajuda de Luísa, entenderam que o pouquinho que damos de nós mesmos pode fazer uma enorme diferença para quem recebe. E assim, com pequenas atitudes, podemos tornar o mundo um lugar melhor de se viver.

Letícia Müller
Desenhos de Cleusa Lupatini – Evangelizadora – Grupo Espírita Seara do Mestre – Santo Ângelo/RS



Vamos brincar de paz


Na loja de brinquedos, parei em frente à vitrine: eu sempre quis ter uma pistolinha d’água!

Tive o cuidado de olhar o preço. Fiquei super contente! Não era um brinquedo caro. Tive certeza de que meus pais poderiam comprá-lo para mim…

Para minha surpresa, minha mãe não quis me dar a pistola d’água. E nem meu pai.

- Mas por que não? É bem baratinho…

- Realmente, é barato. – meu pai sorriu.- Mas nós não vamos comprar uma arma para você!

- Mas não é uma arma, pai! É uma pistola d´água, pai! Só atira água! E é de plástico!

Então nós sentamos para conversar.

A gente acha feio e triste quando vê guerras, assaltos, assassinatos. Mas acha tão normal que as crianças brinquem com espadas, metralhadoras, revólveres, bodoques… Acha normal videogame de luta, onde quem mata mais pessoas vence o jogo. Também são muito comuns, na televisão, programas “infantis” com desenhos e filmes violentos, sobre guerras contra monstros e outros inimigos…

Os próprios adultos incentivam a violência: são eles que criam os brinquedos de guerra, fazem os filmes e os jogos agressivos.

Os brinquedos sempre passam uma mensagem, ensinam algo. Quando brincamos, estamos “ensaiando” para a vida real: brincando de roda aprendemos a dar as mãos, brincando com armas, aprendemos a violência.

Comecei a pensar. Não gosto de brigas, de guerra, de violência… Quero viver em um mundo feliz, onde as pessoas se ajudem umas as outras, convivendo em paz. Para isso, uma arma de brinquedo, não iria me ajudar em nada! Há tantas coisas melhores para brincar…

Então fiquei feliz, por meus pais me ensinarem a paz. Hoje escolho os programas que assisto na televisão, analiso as brincadeiras com meus amigos: nós resolvemos que, para o mundo ser melhor, nós vamos brincar de paz.

Letícia Müller


 

Zuzu, a abelhinha que não podia fazer mel


Zuzu era uma abelhinha igual a todas que você conhece. Bem, igual, igual, não. Desde pequenina ela ficou sabendo que era um pouco diferente das outras: não poderia fabricar mel como suas companheiras.

No início, para ela isso não tinha muita importância. Mas, com o tempo, vendo como seus pais ficaram tristes, pois sonhavam com a filhinha estudando, se formando na Universidade do Mel, trabalhando, progredindo, como as outras abelhas da colméia, começou a ficar entristecida, magoada, porque percebeu que não atingiria as expectativas dos pais. Eles a levaram aos melhores especialistas do abelheiro, mas todos foram unânimes: Zuzu jamais seria igual as outras…

Zuzu vivia cabisbaixa, solitária, era motivo de gozação e brincadeiras de mau gosto por parte das outras abelhas de sua idade.

Certo dia, muito aborrecida, resolveu voar para bem longe. Sem perceber, aproximou-se de outra colméia, desconhecida. E logo percebeu que ali era diferente de onde ela morava: na entrada, algumas abelhas guardiãs também possuíam dificuldades: algumas não tinham uma asa, outras eram cegas…

À medida que foi penetrando nessa nova colônia, notava que em todos os setores as abelhas consideradas “deficientes”, trabalhavam e eram eficientes nas suas funções. Conheceu algumas que, como ela, não podiam produzir mel.Todas estavam ativas e contentes: controlavam o estoque de mel, a qualidade do produto, e até chefiavam a produção. Isso a deixou muito feliz: ela também poderia ser útil!

Conversando, suas novas amigas lhe contaram que ali todas eram respeitadas e trabalhavam de acordo com as suas capacidades.

Exultante, Zuzu voltou para sua casa cheia de novidades. No início, todos acharam que aquilo era uma bobagem, um sonho, fruto da imaginação. Com perseverança foi, aos poucos, introduzindo novas idéias na sua colméia. Conseguiu levar uma comissão de ministros a outra colméia para que eles vissem que o seu ideal era possível.

Assim, lentamente, na sua comunidade, foi sendo eliminado o preconceito às abelhas portadoras de cuidados especiais. Zuzu, como se sabe, chegou ao importante cargo de chefe da produção de mel de todo o reino, pela sua inteligência, pela suas habilidades, levando consigo muitas de suas irmãs.

Seus pais, agora venturosos, entenderam que a felicidade de Zuzu não está em fazer como os outros, mas em fazer como lhe é possível e da melhor maneira, evitando comparações.

Luis Roberto Scholl
Seara Espírita nº 66 – maio de 2004

Desenhos de Cristina Chaves – Sociedade Espirita Casa do Caminho – Bairro Jardim das Palmeiras – Porto Alegre – RS



Um estranho retorno do Bem


O filme havia sido muito bom. Os amigos saíram do cinema animados, comentando as cenas mais marcantes. Apesar de recomendados pelos pais, resolveram ir a pé para casa. A noite estava muito bonita, agradável, convidativa para um bom papo. Eram cinco jovens, duas moças e três rapazes, amigos desde a infância e que moravam todos no mesmo bairro. Quando uma das moças lembrou, preocupada, das ruas escuras e perigosas que teriam que passar, logo foi demovida da idéia pelos outros.

Quando estavam mais próximos de casa, dois sujeitos, em atitudes suspeitas, passaram rapidamente por eles. Estavam muito agasalhados para a noite quente. Pararam um pouco mais adiante e, em frente a um prédio em construção, atacaram os cinco jovens. Era uma assalto!

- Passem os celulares, o dinheiro e os relógios. Não reajam que nada de mal vai acontecer!

Pediram ainda os bonés de alguns e os tênis de outros.

Eram jovens como eles, mas a arma empunhada denunciava que a vida, os interesses e os destinos entre os dois grupos era bem diferente.

Enquanto retiravam seus pertences para darem aos meliantes, para a surpresa de todos, um dos jovens assaltantes falou:

- Quero o de todos. Menos o do gordinho aí! E apontou para Fabiano.

Sem ninguém pedir explicações, ele continuou falando:

- Ele é filho da “profe” Carmem. Ela é “gente-fina” e foi muito legal comigo quando foi minha professora na 5ª série!

Apesar do susto e das perdas materiais, todos saíram ilesos do assalto. Ao chegar em casa, Fabiano relatou a sua mãe toda a experiência. Ela, entre assustada e feliz por todos estarem bem, pensou, intimamente, que sempre procurou tratar com muito carinho e respeito todos os seus alunos, independente da condição social, financeira ou cor da pele. Especialmente na escola pública, nos bairros mais carentes, onde a vida era mais difícil, todos mereciam seu amor e consideração. De certa forma, no relato do filho, ela sentia-se recompensada por todo o bem que havia praticado àquelas crianças humildes, apesar de nunca ter esperado retorno por fazer o que achava certo e justo.

Certamente aquele jovem assaltante, ainda não havia aproveitado todo o aprendizado de amor, pois não conseguira fugir das veredas do crime. Mas algo de bom, da qual ela era uma das responsáveis, havia ficado nele e, mais cedo ou mais tarde, esta semente iria frutificar.

***************
Todo o bem que fizermos, especialmente aquele que não esperamos retorno nem agradecimentos, sempre voltam para nós, às vezes das mais estranhas formas. Esta máxima é notavelmente explicada pela lei de causa e efeito, estudada no Espiritismo.

História escrita pela equipe do Seara Espírita, com base em relato da “profe” Carmem.



Um irmãozinho!


Lívia não aceitava a idéia de ter um irmão. Quando Samuel chegou da maternidade, ela ficou com muito ciúme, imaginando que teria que dividir os pais e os brinquedos com ele. E, para piorar, ninguém prestava atenção nela, estavam sempre envolvidos com o bebê…

A avó de Lívia, que morava em outra cidade e tinha vindo conhecer o neto, percebendo a situação, perguntou à menina:

-Você já sabe que quando uma pessoa nasce, ela reencarna, ou seja, o Espírito nasce em outro corpo físico, não sabe?

- Humhum – disse ela, lembrando das aulas de Evangelização Espírita.

- E por que você acha que seu irmãozinho nasceu nesta família?

- Sei lá – murmurou a garota.

- Você já pensou em quantas coisas você já aprendeu, apesar de ter apenas 10 anos?

Lívia ficou pensativa. A avó continuou:

- A vida é uma imensa escola, minha neta. Renascemos para aprender muitas coisas. É a escola da vida.

A menina achou interessante a idéia, pois gostava de estudar.

- Seu irmão, como você, veio aprender muitas coisas. E as famílias são como as turmas de uma escola, reunindo os alunos que precisam aprender determinadas lições.

Lívia compreendeu, com a ajuda da avó, que cada pessoa é um Espírito que reencarna para evoluir. Mas seu coraçãozinho ainda estava cheio de dúvidas… Chegou mais perto da avó e perguntou baixinho:

- Mas as pessoas não vão gostar mais dele? Mamãe só fala no Samuel…

- É normal sua mãe se ocupar bastante com o bebê. Mas não se preocupe, querida. O coração dos pais é enorme! Tem espaço para todos os filhos. No início, seu irmão vai precisar de mais atenção porque é um bebê e não sabe comer, se vestir, tomar banho sozinho, como você não sabia quando tinha a idade dele. E a sua ajuda vai ser muito importante na vida dele.

- Mas eu não sei trocar fraldas! – pensou alto a garota.

Mas pode aprender, com o tempo. Porém, desde logo, você pode conversar com ele, contar as coisas que já aprendeu e explicar sobre a vida. Ele deve estar muito contente por ter uma irmã como você. Seus bons exemplos são muito importantes para ele.

Lívia gostou da idéia de ajudar o irmão, como ajudava os novos colegas na escola. Aos poucos o ciúme foi diminuindo e o amor e a amizade crescendo. Lívia e Samuel não lembram, mas são velhos amigos de outras reencarnações que se reencontraram na escola da vida.

Claudia Schmidt

Fonte: http://www.searadomestre.com.br/evangelizacao/

 

 

 

 

 

 

Uma resposta para “Para as crianças

  1. Gostei muito das dicas para a evangelização infantil.

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